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Infertilidade: homem responde por 40% dos casos

A boa notícia é que cada vez mais eles buscam ajuda cedo; confira as principais causas da doença

Redação Pais&Filhos

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Buscar ajuda médica para tentar engravidar é cada vez mais uma missão dividida entre o casal desde o princípio. Mais ainda não é incomum as mulheres darem o primeiro passo, e realizar os primeiros exames investigativos, quando o bebê está demorando a chegar. E não deveria ser assim.

Com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas garantem que em 40% das vezes os homens são responsáveis pela dificuldade do casal gerar um filho. Porém, questões culturais que permanecem enraizadas na sociedade, ainda costumam reduzir as chances de um diagnóstico precoce da infertilidade masculina. A boa notícia, atestam vários os médicos, é que tem crescido exponencialmente o número de homens que superam o preconceito e procuram ajuda.

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A infertilidade feminina é responsável por outros 40% dos casos de casais que procuram ajuda especializada e, nos demais 20%, os dois apresentam questões que impedem a gravidez. Um casal pode ser considerado infértil se a mulher de até 30 anos, sem utilizar contraceptivos, mantiver vida sexual ativa e não alcançar a gravidez desejada no período de um ano, ou se ela tiver mais de 40 anos e não engravidar em até seis meses. O casal é diagnosticado como infértil também caso venha tentando engravidar e já tenha apresentado pelo menos três abortos espontâneos.

São causadores da infertilidade, principalmente nos últimos anos, o estresse, a poluição e os vilões de sempre: a obesidade, o álcool e o tabagismo. O especialista aponta a varicocele (presença de varizes nos testículos que acaba comprometendo a qualidade do sêmen) como a principal causa de infertilidade nos homens, sendo responsável por pelo menos 40% dos casos.

“Em geral, as varizes nos testículos ocorrem na adolescência, sem sintomas aparentes. Somente na fase adulta é que o homem percebe os danos causados pela doença. Isso explica o fato da varicocele aparecer em 15% da população masculina e ser responsável por quase metade dos casos de infertilidade na fase adulta. O diagnóstico é realizado com exames de imagens e, quanto mais cedo for feito, maior a chance de reverter os danos causados pela doença. Nos casos mais graves, a cirurgia é a mais indicada, principalmente para os pacientes que passam por tratamento de reprodução assistida”, explica Gallo.

Há também fatores infecciosos, genéticos e alterações hormonais, que podem aumentar os riscos de infertilidade. Outro problema que preocupa os especialistas está na falta de qualidade na alimentação. “A obesidade influencia diretamente a fertilidade”, diz o médico.

Além disso, estudos apontam que alguns produtos industrializados, como filmes para embalar alimentos, desinfetantes, cosméticos ou produtos plásticos podem impactar a fertilidade. “Esses produtos contêm substâncias como Ftalatos ou bisfenol que desregulam os hormônios que produzimos. A ação dessas substâncias é cumulativa e os problemas aparecem mais tarde”, comenta o médico.

Ainda que atitudes sejam tomadas para evitar a infertilidade entre os homens, a idade da mulher também está diretamente ligada à possibilidade de gravidez por técnicas de reprodução humana. “É preciso lembrar sempre que, aos 30 anos de idade, a mulher já tem 70% de sua fertilidade afetada. Esse número sobe drasticamente após os 35 anos e chega a 90% acima dos 40 anos”, comenta Gallo.

Listamos as principais causas de infertilidade neles:

Varicocele Provoca a dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos, devido a uma disfunção no sistema circulatório. A má circulação sanguínea provoca aumento na temperatura da bolsa testicular e pode causar a diminuição do saco escrotal, comprometendo a qualidade do sêmen. 

Infecções – As mais conhecidas são a clamídia e a gonorreia, que comprometem diretamente o sistema reprodutivo dos homens e são sexualmente transmitidas. Geralmente atingem a uretra e podem afetar também testículos e próstata.

Profissões – Pedreiro, engenheiro, químico e pintor. Essas são algumas profissões que trabalham em ambientes adversos à saúde reprodutiva por estarem em contato com substâncias químicas, altas temperaturas, radiação, solventes orgânicos etc. Um acompanhamento clínico para verificar a qualidade do sêmen é aconselhado.

 Falta de hábitos saudáveisManter hábitos saudáveis pode ajudar na qualidade do sêmen. O consumo de álcool e tabaco pode comprometer o deslocamento e concentração dos espermatozoides. Além disso, usar computadores portáteis no colo pode aumentar a temperatura dos testículos, prejudicando o sêmen.

 Traumas Qualquer abalo físico que envolva os testículos ou a via seminal pode gerar anticorpos que combatem os espermatozoides. O resultado é uma alteração no comportamento do sêmen.

Azoospermia – É a ausência de espermatozoide no sêmen. Cerca de 20% dos homens inférteis são azoospérmicos. As principais causas são falência dos testículos ou ausência (ou também bloqueio) dos vasos encarregados de levar os gametas masculinos ao meio externo.

Ejaculação retrógradaDurante o orgasmo, o sêmen é lançado pela uretra para o meio externo. Na ejaculação retrógrada, esse conteúdo é levado para a bexiga. Na diminuição ou ausência de esperma no momento do orgasmo, um exame de urina é feito após a ejaculação para diagnosticar se há espermatozoides.

Consultoria: Paulo Gallo, diretor-médico do Vida, Centro de Fertilidade da Rede D’Or.