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“Mãe brasileira tem medo de falar não!”

A especialista Cecília Russo Troiano esteve em nosso 15º brunch do projeto Culpa, Não! e defendeu: “Cansaço é normal”

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Cecília Russo Troiano, psicóloga e empresária, colunista da Pais & Filhos, autora dos livros: Vida de equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha e Aprendiz de equilibrista: como ensinar os filhos a conciliar família e carreira, mãe de Beatriz e Gabriel, trocou muitas ideias com as mães de nosso 15º brunch. Todas elas – cheias de culpa! Já viu, né? – contaram suas histórias… Bem, histórias de mãe: “Trabalho, chego cansada e não sei dizer não” ou “Parei de trabalhar quando tive meu filho. Chegava ao final do dia, estava exausta, descabelada e me perguntava por quê!”, ou ainda “Todo mundo me cobrava que fosse boa mãe, mas tinha hora que eu me sentia exausta e culpada por não querer fazer mais nada”. Todas, sem exceção, não escondiam a culpa ao contar os cansaços do dia a dia, mas completavam as frases com um “mas eu adoro ser mãe” ou “é a melhor coisa que me aconteceu”.

O tema desse mês foi “Não é preguiça, é cansaço” e, de forma geral, a grande causa do cansaço é a busca de ser a Mulher Maravilha – aquela união entre mãe disponível, mulher arrumada, trabalhadora incansável – cansa. E não é preguiça! “Uma vez, um único dia, eu dormi junto com minha filha à tarde e, nossa, choveu gente falando para eu largar de ser preguiçosa”, contou Priscila Fernandes, mãe da Ana Carolina.

Entre uma e outra história, a psicóloga mexeu com a consciência te doso os presentes: “Estamos discutindo dois assuntos que nascem junto com bebês: o cansaço e a culpa. As mães brasileiras têm medo de falar não. E nós temos de aprender a falar: não, não sei, não tenho certeza. Não podemos nos deixar levar pela sedução dos filhos, que é para o resto da vida”.

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Ajuda, sim!

Outra fonte inesgotável de fadiga é a falta de apoio. Seja pela “escolha” da mãe que não aceita ajuda (por achar que só ela é quem faz bem), seja pelas circunstâncias da vida. “Estava grávida de oito meses da minha segunda filha e o pai dela ficou assustado com a família crescendo e pediu a separação. Então não sou casada, moro longe da minha família, cuido sozinha de minhas filhas e vivo tentando conciliar tudo com meu trabalho”, contou Ana Franco, mãe de Mariana e Ana Elisa.

Bom, quando as escolhas são reduzidas, é mais difícil, mas ao bater o cansaço – seja lá a situação que for, o melhor é falar e demonstrar para as crianças. A psicóloga convidada recomenda um descanso. “As crianças querem sempre nossa atenção e não necessariamente entendem que mãe também cansa. Isso não quer dizer que você precisa estar o tempo inteiro disponível. Reclamação dos filhos faz parte e temos de conviver com ela para que, descansadas, possamos continuar com pique e energia para curtir os filhos.” Além do mais, Cecília lembra a importância do “não” para os filhos a curto e longo prazo. “É preciso lembrar que essas pessoas que estamos criando vão encontrar muitos ‘nãos’ nessa vida. Se não ensinarmos isso, serão instáveis em futuros trabalhos, em relacionamentos. Não conseguirão lidar com a frustração”, afirmou.

O jeito para lidar com o cansaço é “não conciliar” tudo. Ou seja, ajuda dos outros, falando não aos filhos, trocando atividades de interação – afinal, nós não temos a mesma velocidade e energia que as crianças. Ao chegar cansada do trabalho, por exemplo, faça a papinha, mas deixe que o pai a dê para o filho (ou vice-versa); em vez de brincar com elas, que tal ler boas histórias esparramada na cama junto com as crianças e se divertindo, todos,  do mesmo jeito?