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Ir para escola é bom, mas é preciso cuidado

Cristina, mãe de Nina, é professora e sempre acreditou que a escola era uma ótima opção, mas quando sua pequena nasceu sofreu uma grande decepção

Redação Pais&Filhos

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Cristina Diniz mãe de Nina, participa da campanha Culpa,Não! O tema do mês de Maio é  “Culpa por deixar a criança na creche”  se você também quiser participar siga a nossa página no Facebook e mande um depoimento sobre o tema do mês para giovanna@revistapaisefilhos.com.br .  

Meu nome é Cristina, sou mãe da Nina de quatro anos, pedagoga por formação a mais ou menos doze anos. Sempre dei aula para a ed. infantil. Adoro minha profissão, sempre achei que quando tivesse meus filhos, iriam todos para a escola, já que sou mais a favor de um desenvolvimento e aprendizado coletivo, vivenciando o dia a dia, do que em casa com uma babá, talvez numa situação um pouco mais limitada, com relação ao cognitivo.

Pois bem, eu trabalhava numa escola muito conceituada na região do Morumbi-SP e ganhei uma bolsa de estudos pra minha filha Nina. A idéia em um primeiro momento era excelente. Minha filha teria uma educação numa escola legal, eu estaria por perto (pois a minha sala era em cima da que ela ficava) e nos períodos de folga, poderia dar um pulinho lá, para ver como estava a fase de adaptação.

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E por falar nela, eu não pude acompanhar, tive o apoio da minha sogra, que veio de Minas pra me ajudar nesse momento importante. Confesso que fiquei um tanto quanto apreensiva, pois tinham momentos que nos encontrávamos no pátio da escola e Nina chorava muito, pois queria ficar comigo. Fiquei tensa um bom período por vê-la me chamando e eu ter que dar atenção aos meus alunos, a outras crianças. Confiava bastante na escola e no corpo docente novato que também começava naquele ano.

Um dia, a Nina estava da “sala do soninho”, depois do almoço pra dormir um pouquinho(procedimento que algumas escolas adotam, para crianças que ficam período integral), quando resolvi dar um pulo na sala, para ver como ela estava. Ao chegar na sala o meu espanto, a Nina e mais uma criança da mesma idade(11meses), estavam sozinhos, sem nenhum adulto ou alguém responsável. Fui ao lado da Nina e notei que sua boquinha “espumava”. Entrei em -pânico total….Ela tinha um bolo de comida na boca, pois dormiu com a boca cheia e a professora responsável não viu. Peguei a minha filha no colo, que dormia e fui tirando toda aquela comida da boca dela.

Isso realmente foi uma irresponsabilidade enorme. Primeiro por deixar duas crianças pequenas sozinhas sem o monitoramente de um adulto e depois, por deixar dormir com a boca cheia de comida, em tempo de aspirar aquilo e sufocar dormindo. Fui conversar com a coordenadora sobre o ocorrido e qual não foi o meu espanto… Ela me disse pra não comentar com outras mães o que havia ocorrido, que isso acontecia mesmo.

Acontecia? O que eu não quero pra minha filha, eu não quero para os meus alunos. Falta de preparo, de atenção, de cuidado…. Com crianças pequenas se deve perder de vista. Fiquei chocada com a postura de uma coordenadora, que devia antes de mais nada levar a questão a uma reunião fechada na própria escola com os demais interessados. Perdi a vontade de dar aula naquele ano, fiquei com muito receio de colocar a Nina em outra escola e resolvi ficar em casa com ela e esperar que ela conseguisse falar melhor, expressar melhor, para ser atendida em suas “dificuldades”.

Mesmo passando por tudo isso, ainda sou a favor da escola. O que ocorreu, eu acredito que foi um descuido sim, mas não generalizo, a escola ainda é o melhor local de convívio, desenvolvimento, parcerias e amizades…E isso pode ocorrer em qualquer ambiente, o problema maior é só não deixar de prestar atenção nas pequenas coisas!