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Colégio separa meninos e meninas

Tendência em países como a Inglaterra, esse tipo de escola promete melhorar o desempenho através da divisão por gênero.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

ATUALIZADO EM 12 DE AGOSTO – Pode parecer um retrocesso, mas separar meninas de meninos é um método de ensino que está ganhando adeptos no sul do país. A escola do Bosque Mananciais, localizada em Curitiba, adota a mesma grade curricular para ambos os sexos, mas em ambientes e com professores separados, a fim de estimular as aptidões específicas de cada grupo.

“Nosso objetivo é aumentar a eficácia de aprendizagem e o nível acadêmico dos alunos. O projeto não exclui e sim aumenta as chances dos alunos se saírem bem nos estudos, porque lida exatamente com as peculiaridades de cada gênero. Meninos e meninas se desenvolvem de forma diferente, com tempos específicos de amadurecimento e modos diversos de interagir com a realidade”, explica Roberto Abia Fernández, diretor geral da escola.

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Metodologia de ensino

A separação começa a partir do 2º ano – quando a criança tem por volta de 7 anos -, antes dessa idade, a estrutura de ensino é igual ao modelo de educação tradicional: meninos e meninas na mesma sala de aula, sem distinção. “Nessa fase, as crianças requerem mais cuidados e afetividade, condições próprias do perfil feminino, por isso as aulas são ministradas por mulheres”, diz Lélia Cristina de Melo, diretora de formação da escola.  

Mesmo sendo uma escola com salas separadas, a instituição mantém uma grade curricular igual para ambos os sexos. “O que difere é a desempenho dos professores do sexo masculino e feminino, que ministram aulas de acordo com as características do seu gênero às alunas e alunos, favorecendo assim a comunicação na sala de aula, e uma maior compreensão dos conteúdos dados, o que melhora o desempenho acadêmico”, acredita Lélia.

Segundo a escola, a divisão traz bons resultados, não só no boletim. “Na sala de aula é mais legal sermos só meninos, porque as meninas sempre estão na frente, elas sabem mais coisas. Com uma classe só de garotos, todos aprendem mais ou menos no mesmo tempo, sem competição”, conta Vinicius Amaral Agri, aluno do 7º ano da escola.

O outro lado da questão

De acordo com Sandra Regina Moreira de Souza Freitas, psicanalista da Sociedade de Psicanálise de São Paulo, as crianças passam pela fase de aceitação dentro da sociedade, principalmente no período escolar, quando convive com as mais diferentes pessoas. “Voltar a separar os meninos das meninas nas escolas, em pleno século XXI é, no mínimo, uma negação da complexidade da sexualidade humana”, enfatiza.

Fora do país

Se no Brasil esse método não é muito difundido, na Inglaterra – onde esse tipo de ensino é comum -, os colégios single sex (como são conhecidos) mostram um aproveitamento positivo entre os alunos. Nos últimos cinco anos, das 25 escolas que obtiveram os melhores resultados, 94% são de ensino diferenciado.

Sua opinião

Uma enquete realizada na página do Facebook da Pais&Filhos mostrou que 87% dos nossos leitores se dizem contra a separação de sexo nas escolas, mesmo com a grade curricular idêntica para ambos. “Os nossos filhos devem aprender a conviver com todos os tipos de pessoas: diferentes sexos, religiões, negro, branco. Desse jeito a escola estimula o preconceito entre as crianças”, opina Gesiane Gomes.

Já 13% dos leitores acham que a segregação é boa, justificando que é uma forma de proteger os filhos. “No tempo da minha avó era dessa forma, e as crianças eram muito mais comportadas e respeitavam melhor as pessoas”, aponta Kika Maria.