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Atitude da criança é tão importante quanto inteligência

Para aprender, não basta ter bom raciocínio e memória: os fatores socioemocionais fazem diferença, sim. E a escola pode e deve levar isso em conta.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A personalidade de uma criança afeta a maneira como ela encara a escola e o conhecimento. Sim, mais do que a inteligência. Um estudo recente do Instituto Ayrton Senna elaborou um teste batizado de SENNA – Social and Emotional or Non-cognitive Nationwide Assessment (ou Avaliação Nacional de Atributos Socioemocionais, em tradução livre) para auxiliar gestores públicos a levar esse fator em conta na hora de estabelecer diretrizes de ensino. O estudo encontrou formalmente o que já não é novidade para pais e educadores: não são só as habilidades cognitivas – agilidade de raciocínio e memória –  que afetam a construção do conhecimento. Os fatores socioemocionais – o jeito de cada criança – também têm impacto significante nesse processo.

E, sabendo disso, a escola pode mudar sua atitude e ajudar cada criança a aprender de acordo com as suas características. “Quando uma criança de dez anos de idade ainda não sabe ler ou escrever, não basta sentar e se dedicar a ensiná-la, é preciso resgatar a sua auto-estima, fazê-la acreditar na sua capacidade de aprender”, diz Marco Crespo, diretor de negócios do Instituto.

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Competências como perseverança, autonomia e curiosidade são tão relevantes para o processo de aprendizagem quanto aquelas que podem ser medidas em testes de QI e avaliações de desempenho. Os atributos analisados pelo estudo foram cinco: abertura para experiências, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e estabilidade emocional. Segundo Daniela Arai, analista de Avaliação e Conteúdo do Instituto Ayrton Senna, essas são as classificações tradicionais na psicologia da personalidade.

A respeito da influência dos pais no desempenho escolar dos filhos, descobriu-se que ela pode ser menos direta do que se pensa. É comum que filhos de pais com maior nível educacional tenham melhor desempenho na escola. Mas, de acordo com Daniela, essa influência não acontece por uma suposta transmissão de conteúdo de pais para filhos, e sim por causa do valor que as famílias dão ao conhecimento. Ou seja: para que a família influencie positivamente a criança em relação à escola, não é necessário que pai e mãe sejam extremamente letrados – basta que eles deem – e demonstrem que dão – importância à construção do saber.

Na pesquisa, chegou-se ao surpreendente resultado de que o incentivo dos pais influencia no desenvolvimento da conscienciosidade da criança – tendência a ser organizado, esforçado e responsável – quatro vezes mais do que o pai ser alfabetizado.

O teste SENNA tem como objetivo possibilitar que se trace um perfil dos alunos de uma determinada rede, ajudando secretarias municipais e estaduais de educação a traçarem políticas públicas mais precisas e direcionadas para as necessidades de seus estudantes. “Nosso próximo passo é a elaboração de um teste que possa ser aplicado em sala de aula”, diz Daniela. Por enquanto, o SENNA deve ser aplicado ainda este ano na rede estadual do Rio de Janeiro, como projeto piloto. Ele será, então, submetido a ajustes e depois lançado de fato.