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“A gente não sente falta do que nunca teve”

Caroline, mãe de Giovanna, sentia que estava ausente na vida da filha e resolveu parar de trabalhar

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Assim que eu vi qual seria o tema do “Culpa, não!” deste mês, imediatamente me identifiquei. Sou médica veterinária, mas há 8 meses larguei tudo para cuidar exclusivamente da minha filha. Claro, não foi uma decisão fácil. 

A Giovanna entrou na escolinha com apenas 6 meses de vida, pois eu estava no último ano da faculdade e precisava terminar o curso. Ela ficava apenas no período da manhã na escola, e assim consegui conciliar até ela completar 2 anos. Na época não me senti culpada, ela foi muito planejada e eu já havia me preparado psicologicamente para isso. 

Assim que terminei o curso, já comecei a trabalhar, e então ela precisava ficar o dia todo na escola (das 7h30 até 18h). Frequentemente, eu me atrasava para sair do trabalho, então era a última mãe a chegar para buscá-la. Na maioria das vezes, ela já dormia no carro e não dava tempo nem de nos falarmos, pois dormia direto, até o dia seguinte de aula.

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E foi assim que a tal da culpa começou a surgir: de mansinho, sem pedir licença, mas claro que acompanhada também por várias insatisfações no trabalho.  Eu chegava em casa exausta e, além da filha, tinha também o marido e a casa para cuidar. Comecei, então, a me dar conta de tudo o que estava perdendo. 

Antes de me formar como veterinária, tinha uma lojinha virtual de roupas infantis. Claro que não ganhava rios de dinheiro com isso, mas com certeza era um dinheiro que dava para me manter tranquilamente. E colocando na ponta do lápis outros gastos diários que eu tinha como: gasolina, almoços fora de casa, escola da Gigi em período integral, vi que na verdade, se eu fosse pensar apenas na questão financeira, ficar em casa com a minha filha seria mais vantajoso que sair para trabalhar. 

Mas não era só a questão financeira que me preocupava! Quando eu era pequena, fui praticamente criada pela minha avó. Minha mãe é pediatra e sempre trabalhou muito, muito mesmo. Tenho como uma das maiores recordações da minha infância os dias em que minha mãe podia me buscar na escola, que eram raríssimos. Até hoje me lembro desta sensação. 
 
Minha filha sempre amou a escola e nunca reclamou de ter que ficar lá. Na verdade, tenho que admitir que eu sentia mais a falta dela do que ela de mim! Ela não sentia a minha falta! E a gente não sente mesmo falta do que nunca teve. E era assim que eu me sentia: totalmente ausente da vida da minha filha. Ela estava crescendo e eu só podia acompanhar este crescimento nos finais de semana. E se existe uma coisa que nunca volta, é o tempo!
 
Meu marido foi o primeiro a apoiar a minha decisão. Ele nunca me cobrou nada e acho que sou abençoada por isto. Minha família também entendeu, ou pelo menos finge que entende rsrs. Na verdade acredito que meus pais devem ficar um pouco frustrados. Mas talvez depois desse texto eles me entendam rsrsrsrs.

Hoje minha rotina se resume a cuidar da minha filha. Ela estuda de manhã, eu a levo e busco na escola, e à tarde assistimos a todos os desenhos que ela gosta. Brinco de Barbie, faço pipoca. Costumo dizer que eu cuido dela, e ela cuida de mim. Nunca me arrependi desta decisão. Vai ser eterna? Não sei. Mas o importante é que agora me sinto bem com a minha vida, e me sinto verdadeiramente mãe.