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Sophia Reis, filha de Nando Reis e Vânia Reis

Redação Pais&Filhos

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Filha de um músico e uma psicóloga, a apresentadora leva o exemplo dos pais para traçar o próprio caminho

É difícil citar alguma frase que os meus pais sempre falavam, lá em casa não tinha muito isso de eles ficarem falando sempre a mesma coisa. O que eu guardo deles é tudo o que me passaram ao longo da vida, desde o jeito como conviviam entre eles, até a maneira como eram com os filhos. Lá em casa somos em cinco: o mais velho, Théo, tem 25, e o mais novo, Ismael, tem 4. Eu gosto bastante de ter irmãos de idades tão distantes, é bem interessante porque as relações com cada um deles é de um jeito.

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Como sou a segunda filha, sou bem próxima do meu irmão mais velho, que tem só dois anos a mais que eu. Quando éramos pequenos tínhamos uma brincadeira: eu era a maluca e ele, o maluco. A gente brincava normal, o nome era só uma coisa que a gente tinha inventado, não queria dizer nada.

Moro sozinha há quase dois anos, mas percebo que as coisas mudam quando você sai de casa, a relação com os pais se transforma. Continuo tendo bastante contato com eles e com meus irmãos, estamos sempre na casa da minha mãe ou do meu pai. Procuro ajudar a minha mãe sempre que dá, convido meus irmãos para dormirem na minha casa. Existe uma cumplicidade com os pais, mas acho importante que sejam sempre pais, que não tentem ser amigos dos filhos.

Lembro que a minha mãe costumava dar mais broncas, mas quando a coisa ficava feia mesmo, meu pai também ficava bravo. Minha mãe dava broncas relacionadas ao que acontecia no dia a dia, às vezes eu tinha um pouco de medo da reação dela, dependendo do que fazia.

É complicado pensar nessa situação de ter um pai conhecido. Eu nunca tive muito problema em relação a isso. Eu não sei como é ter um pai que não é conhecido, sempre foi algo natural para mim porque quando eu nasci ele já era famoso. Isso nunca foi uma questão na minha vida, nunca me atrapalhou.

No que diz respeito à música, meu pai e eu temos algumas coisas em comum. Nós dois gostamos muito de Beatles e Led Zeppelin. Até temos uma tatuagem igual, que é o símbolo que representa o Jimmy Page, o guitarrista do Zeppelin. Mas tem uma banda que eu gosto muito e ele não, o AC/DC.

A gente sempre conversa muito sobre música. Ele me mostra um som e eu falo o que eu achei, mas ele faz isso só para dividir, não espera crítica ou aprovação. É engraçado, porque ele nunca mostrou muito em que estava trabalhando, e agora mostra mais. Eu fiz uma participação no penúltimo trabalho dele, Drês, álbum que saiu em 2009.

Como família, sempre que dava, em feriados ou nas festas de final de ano, íamos para a casa do meu pai em Ubatuba, era bem gostoso. Uma das minhas primeiras lembranças é de andar no porta-malas do Fusca do meu pai.

Eu, meus pais e meus irmãos somos bem próximos e convivemos bastante até hoje.  Cresci em uma família de são-paulinos, todos os meus irmãos são são-paulinos e o meu pai também. Então cresci indo ao Morumbi e tinha aquela pressão. Não foi nada fácil me assumir como santista, mas eu e meu pai nos respeitamos bastante como torcedores e até assistimos a alguns jogos juntos. E não estou sozinha – tenho duas primas santistas como eu.

Sophia Reis, filha de Nando Reis, é atriz e apresentadora.

Para saber mais


Meu Pequeno São-Paulino, de Nando Reis
O autor faz uma viagem pela própria infância e fala sobre o menino que nasceu tricolor: pele muito branca, olhos pretos e cabelo vermelho.
Ed. Belas Letras (www.belasletras.com.br), R$ 19,90

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