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Roupa de batismo era uma tradição, diz Costanza Pascolato

Redação Pais&Filhos

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Costanza Pascolato, mãe de Consuelo e Alessandra, chegou ao Brasil vinda da Itália aos 5 anos, com a família que fugia da Segunda Guerra Mundial. Seus pais, Michele e Gabriella, fundaram a tecelagem Santaconstancia no final da década de 40, e foi nesse mundo de tecidos que Costanza cresceu. Agora, o maior ícone da moda no Brasil conversa com a gente sobre um assunto que você nunca imaginou: moda infantil

Por Mônica Figueiredo, mãe de Antonia

O que você acha da moda infantil hoje?
Acho que tem muito mais oferta e as marcas se esforçam para ter variedade. Posso falar o que eu penso? Eu acho essa “moda” para criança uma coisa meio artificial, é como você vestir uma boneca. Não que não seja uma gracinha num casamento, por exemplo, ver as meninas de vestidinhos bonitinhos para uma cerimônia, porque é uma cerimônia, portanto, muito mais formal do que essa vida que a gente leva hoje… Mas acho que a criança, mais do que qualquer pessoa, tem que viver de forma confortável.

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Pois é, primeiro o conforto!
Começando pelo tênis… A criança tem que ter é essa casualidade que a gente conquistou nos anos 70. Como diz o Gilles Lipovetsky naquele livro dele, O Império do Efêmero, baseando-se na moda masculina. Nos anos 70 se começou a pensar a roupa para a vida diária, não mais o homem que vinha da cultura burguesa do terno escuro…

Um pouco de história…
Sim, porque os burgueses do século XIX foram os primeiros a ter emprego independente, ou seja, não eram nem aristocracia nem herdavam nada, eram as novas profissões que surgiam, os banqueiros ou médicos. Então eles fizeram o quê? Uma espécie de uniforme da conformidade, para que se confiasse neles. A mulher meio que não saía de casa nesse período, quando saía tinha que estar bem vestida, mas era outra história. O homem tinha a questão de mostrar que era bem-sucedido. Mas então, só na década de 70 que o homem começou a usar malha, tipo moletom, que começou a se valorizar a coisa do esporte como roupa do dia a dia, por causa principalmente do conforto. A moda de criança, hoje, é o auge desse raciocínio. E é assim que ela tem que viver: confortável.

Você gosta da moda para criança que se faz hoje? Eu pessoalmente detesto essa moda que faz a criança parecer mini adulta. Detesto meninas pequenas de salto, por exemplo. Gosto de criança que sabe brincar, que sai fantasiada de verdade, no lúdico, não na cópia do adulto…
Eu não gosto disso, não. Primeiro de tudo, porque faz mal… Eu tive a chance e a oportunidade de fotografar com a Katie Holmes, então conheci a Suri Holmes. Fiquei 16 horas seguidas com a Suri, que é a menina mais fotografada do mundo, não é? Eu estava ali, olhando para ela, sabia o que ela estava usando aquele dia e fiquei impressionada: no mesmo dia saía na internet a foto dela e onde achar aquelas roupas, como copiar o look… Uma loucura.

É uma loucura, mas estimulada por todos, né?
É, e ela foi uma das primeiras a usar o tal do salto de criança… E a Suri que é uma garotinha… Primeiro, ela tem o caráter do pai. E ela meio que é o brinquedo da mãe dela… Acho terrível, e não é que eu ache terrível pela questão em si, mas obviamente é uma criança especial, não é uma criança normal. As crianças que abreviam a própria infância fazendo coisas que são adultas são de uma tristeza absoluta. Porque como vai ser legal sem ter tido todas as fases?

Pois é, viver cada etapa da vida! E a infância passa muito rápido, né? A gente não precisa correr com nada! Pelo contrário! E você tem na sua família – que é tão cheia de história e tradição – alguma roupa que passou de pai para filho, alguma coisa assim, especial, que as crianças usaram por gerações?
Tinha a roupa do batizado. Que foi meu e depois passou para as minhas filhas e pros meus netos.

E acabou? Onde está isso?
Não, está lá. Mas, você acha? Meus netos não vão mais querer aquilo, não. Meu neto vai vestir seus filhos com a roupa do Mickey!

Você se lembra de você menina, como era com relação à moda? Você se considera uma mulher vaidosa?
Sempre tive muita noção da coisa da moda e eu sinto isso na pele. Lembro-me de estar em Veneza, com uns 3 anos e meio, com um maiô de tricô vinho. Ele era muito pequenininho aqui e aqui (mostra o peito), e eu ficava puxando assim e assim, porque não queria ficar com o meu peito de fora. E eu com 3 anos, era um bebê ainda. Então, se naquela época eu era assim, imagina… Devem ter meninas hoje, muito novas, com 2 anos, que já estão assim olhando em volta, preocupadas com os outros e tal.

Você tem duas meninas. Brincou muito de boneca com elas?
Eu gostava de vesti-las iguais. Comprava a minha roupa e comprava a delas, e elas gostavam, elas se divertiam comigo porque a gente fazia uma coisa meio lúdica, sabe?  A gente saía para pegar chuva, a gente se divertiu muito. Adorava aquelas roupas dos anos 60, as flores enormes, sabe?

Você que é um ícone da moda, é uma referência para todos, como é isso para as suas filhas? Tem alguma herança?
Elas cresceram vendo que eu já trabalhava. Nunca vou esquecer uma matéria que fiz para a revista Claudia, a Consuelo e eu. Ela tinha 14 anos e estávamos com a mesma roupa, mas cada uma vestia de um jeito. Mais do que moda, fiz como a minha mãe fez comigo: eu tinha que ser a melhor dentro daquele negócio, e as minhas filhas eu queria que fossem as melhores. Eu nem percebia que elas eram as primeiras da classe porque estava longe do que me ocupava na época, que é uma coisa horrível quando você olha para trás. Mas vou ficar culpada o resto da vida? Nunca. Elas iam bem, não tinham problema nenhum, eram as primeiras da classe, o que eu queria mais? Iam e voltavam de ônibus; às vezes pegavam o ônibus para ir para a Paulista, até que uma foi assaltada. Daí eu fico pensando nos meus netos e fico feliz que eles estejam num lugar mais calmo do que aqui. Eles moram em Florença. Mas o que eu acho mais legal é que cada uma das minhas filhas tem uma personalidade absolutamente independente uma da outra e da minha, quer dizer, aí foi mérito delas, mas também não fui uma mãe tão horrível a ponto de apagar tudo isso.

Santaconstancia para pequenos

A Santaconstancia também faz tecidos especialmente para crianças. São daqueles deliciosos de tão macios e que a gente não cansa de passar a mão, além de serem lindos de morrer.

Foi super difícil escolher só oito para a nossa moda monocromática desta edição. As malhas são confeccionadas em fios de poliamida e fios de modal, não recebem tingimentos com corantes que podem causar alergias e garantem o mais importante na hora de fazer tecido para criança: a maleabilidade, que é para nossos filhos poderem dar cambalhotas, pularem, correrem e ficarem de ponta-cabeça à vontade, sem apertos e repuxões aqui e ali.

Outro detalhe superbacana dos tecidos é a boa absorção do suor, o que evita que a criança fique com as roupas úmidas. A linha de malhas tem toda a preocupação ambiental, utilizando fibras de celulose certificadas.

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