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Que meu bebê não voltaria pra casa

Redação Pais&Filhos

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Grayce foi pega de surpresa pela notícia que seu filho tinha um "problema" chamado HCD, e que poderia não resistir após o parto

Descobri que estava grávida em maio de 2010 e poucos dias depois, comecei a ter sangramentos. O primeiro diagnóstico foi baixo nível de progesterona, depois placenta prévia, e ainda colo do útero curto. A cada consulta era uma surpresa. Eu conhecia minha obstetra há 15 anos, então seguia à risca todas as recomendações. Foram 4 meses de repouso absoluto e muito medo de perder o meu João Pedro.

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No 7º mês, fiz a eco 3D, e o médico identificou um “probleminha” e disse que meu bebê tinha Hérnia Diafragmática Congênita, HDC. Mas eu não sabia que esse “probleminha” era na verdade um “problemão”.

HDC é um furinho no diafragma, músculo que separa o tórax do abdome. Por este furinho, os órgãos abdominais sobem e se alojam no tórax, deslocando o coração e não deixando espaço para o desenvolvimento dos pulmões, ocasionando dificuldade respiratória. Bebês com HDC devem permanecer o maior tempo possível em vida intrauterina e nascer de cesariana.

Minha médica disse “isso é uma bucha, e só tem 60% de chance de sobrevida”. Ouvir isso foi horrível, não queria acreditar. Ela não entrou muito em detalhes e só me orientou a encontrar um bom cirurgião pediátrico e um hospital com UTI neonatal.

Iniciamos uma maratona em busca das melhores condições para o dia do nascimento do nosso filho, que foi marcado para dia 3 de janeiro de 2011. Consultamos vários médicos, visitamos vários hospitais até encontrarmos o melhor.

Desde a notícia da HDC, o meu emocional estava em frangalhos. Eu chorava dia e noite, não comia nem dormia direito e rezava o tempo todo pedindo a Deus proteção pro meu filho. Um mês antes da data marcada, minha bolsa rompeu e tivemos que ir às pressas pro hospital. Fui o caminho todo ligando pra minha médica, mas ela não atendeu.

A equipe do hospital também ligou, mas ela nunca atendeu (e não retornou até hoje). Então chamaram outro médico.

O parto correu bem. Assim que ele nasceu, levaram-no para a UTI para entubá-lo. Para nossa surpresa, mesmo prematuro, ele nasceu tão forte, que foi possível trazerem-no para eu ver. Minha emoção foi enorme quando pude dar um beijo nele.

Durante todo o tempo, tentaram adaptá-lo aos aparelhos de respiração, mas o seu pulmãozinho não era maduro o suficiente. O João Pedro resistiu por 28 horas, mas faleceu por hipertensão pulmonar. Ele foi um grande guerreiro, pois lutou desde o início da gravidez pra ficar com a gente.

VIVER SEM ELE É UMA BATALHA DIÁRIA. A CADA DIA VIVO UMA REVOLUÇÃO INTERNA, UM MISTO DE SENTIMENTOS, UMA VONTADE DE QUE ELE ESTIVESSE AQUI E AO MESMO TEMPO O DESEJO DE QUE ELE ENCONTRE O SEU CAMINHO AO LADO DE DEUS.

Jurei pra ele que nunca deixaria ninguém o chamar de fraco. Por isso, criei um blog pra contar a história dele e a luta desse anjo pela vida. Com isso, amenizo um pouco a minha dor e tento ajudar mães que passam pela mesma angústia que eu passei.

No blog, eu também conto um pouco sobre HDC e histórias de sucesso. Talvez esse seja o primeiro passo para a expansão do assunto deste problema difícil e raro (1 em 5000), mas que pode ter um final feliz. 

Grayce Bandeira Pedro, mãe de João Pedro, é autora do blog http://joaopedro-anjoguerreiro.blogspot.com/

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