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Olívia queria parto normal, mas teve que optar por cesárea no 9º mês

Conheça a história dessa mãe que aprendeu a lidar com a culpa

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

28/11/2012

Olívia Anjos, mãe de Catarina.

“Eu sempre quis ser mãe, planejávamos a gravidez quando tivéssemos estabilidade financeira, mas sabe como é a vida, uma caixinha de surpresa. Em julho de 2011 perdi o ovário direito devido um cisto, então, decidimos que não esperaríamos ter a nossa casa própria casa ou qualquer outra coisa, estávamos prontos para sermos pais.
Os primeiros meses de espera foram carregados de desejos e também de ansiedade, com a virada do ano, relaxei, desencanei e simplesmente deixei que Deus se encarregasse de realizar o nosso sonho.

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Seis meses após a retirada do ovário eu estava gravidíssima, por coincidência do destino, engravidei no meu aniversário, quer presente melhor? Fomos tomados por uma imensa felicidade. Mesmo antes da gestação eu já queria o parto natural por vários benefícios para mim e para o bebê, a recuperação rápida, já tinha vivenciado a cirurgia para retirada do ovário e sabia que não era fácil, o bebê é preparado para chegar a nosso mundo e vem de maneira mais calma, além disto, eu nasci em casa com ajuda de parteira, queria viver esta experiência de ser mãe.

Com orientação da Dra. Adriana Lippi continuei fazendo atividade física adaptada, fiz musculação até o 8º mês e hidroginástica até a última semana antes do parto, sabia que estas atividades ajudariam para parto normal. Vivi intensamente cada momento da gestação, fiz todas as consultas de pré-natal, exames, o meu digníssimo esposo (Rafa) que acompanhou tudo, sempre ao meu lado agüentando a minha variação de humor. Cuidei da minha alimentação, fiz tudo direitinho. Com todos os cuidados ganhei 9 quilos, por incrível que pareça não tive retenção de liquido, não senti dores nas costas, foi uma gestação muito tranqüila, porém no 9º mês a Catarina deixou de ganhar peso, então, fique em casa, desde então, descobrir que a gravidez dura 8 meses e um ano, porque o nono mês parece uma eternidade, a ansiedade me consumia e a família inteira, o tempo não passava, era um misto de alegria, felicidade, mas que vem acompanhada daquele friozinho no barrigão.
 
A data prevista para o parto e nada de dilatação, a Catarina estava encaixada, mas não o suficiente para nascer, fiquei mais de 15 dias com apenas 1 cm de dilatação, nada de aumentar, nada de sentir dor, nada da bolsa estourar…Conseguiria dançar, dar cambalhota, nem parecia grávida.  Mesmo sem nenhum sinal de parto normal, não perdia a esperança, a cada semana que passava a medica estendia a espera e me deixava segura.

Passou-se a data prevista do parto, eu comecei a perder peso, a dilatação não aumentava, a bebê não descia, tínhamos duas opções, tentar uma indução que não garantia que o parto seria normal, poderia resultar numa cesárea, que não era o meu desejo.  Recebi todos os esclarecimentos quanto às duas opções e estado da minha gravidez, em nenhum momento fui forçada a escolher a cesárea, escolhi porque vi que era a melhor opção para mim e para a minha filha, queria um parto normal e não forçado.

Agendamos a cesárea para dia 09/10/2012, às 21h30, a caminho da maternidade eu chorava como uma criança, o meu esposo perguntou se eu não estava feliz porque a nossa filha estava chegando.

Eu estava feliz, pois era o grande dia da nossa vida, o dia tão esperado, mas confesso que estava desapontada, que no fundo estava triste, não imagine ter que escolher um dia e um horário para a minha filha nascer, o que imaginei é que ela nasceria o dia e horário que estivesse preparada, imaginava bolsa estourando e nós correndo pra maternidade, mas foi tudo diferente do planejando, não senti uma dorzinha sequer, nenhuma contração, nada.

Naquele momento me senti frustrada, foram tantos sentimentos, tantas emoções, mas o meu digníssimo como sempre ali do meu lado me confortando, me apoiando.
Horas antes do parto, durante o meu último banho com aquele barrigão conversei com Deus, percebi que maior o presente estava ali na minha barriga, a cesárea era plano dele e não o meu, ele sabia o que era melhor para nós duas. Conversei com a Catarina, pois eu havia feito a minha parte, atividades físicas, alimentação balanceada, fiz tudo direitinho,fiz minha parte, infelizmente não seria possível. Naquele momento desejava mandar toda a Culpa, a frustração que estava sentindo pelo ralo.

Na sala de espera havia várias grávidas, a grande maioria tinha optando pela cesárea, sem nem sequer esperar pelo parto normal, simplesmente porque queriam a cesárea, estavam ali tranqüilas e sem culpa, confesso que isso serviu para diminuir a frustração.

Às 23h11 saiu de dentro da minha barriga a Catarina, que já nasceu chorando. Choro este que ficou na minha memória, muito antes de ver o seu rostinho. Nem preciso dizer que as lágrimas desceram dos meus olhos e o meu coração pulou de felicidade.
Quando a enfermeira trouxe aquela menininha chorando, já com laçinho rosa, encostou no rosto, eu beijei e o berreiro cessou. Fiquei ali sentindo aquela pele lisinha, rosinha, naquele instante o mundo parou e pouco importava se ela tinha vindo ao mundo através de uma cesárea.

A cesárea foi à opção certa, uma vez que o liquido já estava pouco, o que explica a perca de peso que tive, além disso, eu não tinha passagem, a tentativa de indução era  em vão e se esperasse mais tempo colocaria em risco a vida dela, com estes fatos culpa aos poucos foi embora, eu fui tomada por um amor incondicional, diferente todos os amores que já senti.

Hoje sei que o melhor aconteceu, não me culpo, não me sinto menos mãe por não ter conseguido ter um parto normal, não me sinto menos mãe por não senti dor do parto, sou uma mulher realizada, quem sabe numa futura gestação eu consiga viver essa experiência. Sinto uma gratidão enorme por ter recebido uma filha perfeita e saudável, consegui amamentar e continuo amamentando, a recuperação da cesárea foi melhor que esperava, cicatrizou rápido e ela cresce saudável, isto é que importa”.

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