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Nos EUA, amamentar é uma opção

Na Terra do Tio Sam, os manuais de gravidez chegam a ensinar como secar o leite,

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

28/09/2012

Meus filhos nasceram em Nova York. Lembro bem do nascimento do segundo, pois fiquei bem incomodada porque a ala da maternidade estava em reforma quando cheguei e não haveria quartos privativos se aquele dia acabasse se tornando uma data popular para nascimentos.  A maternidade ficou abarrotada, para meu azar. Lá pelas tantas da noite, eu com meu bebê no peito, chegam uma russa e seu menininho. A enfermeira, com a mesma tranquilidade que me fez as mesmas perguntas quando cheguei ao quarto, dirigiu-se a ela: “vai circuncidar seu bebê?”.

Respondeu negativamente. “Vai amamentar?” Ela também respondeu que não e, tranquilamente, virou para o lado e fechou os olhos para descansar. Amamentar, em terras de Tio Sam, é uma opção pessoal. Assim como tem gente que só come comida orgânica ou acha que o homem ter pisado na Lua não passa de uma conspiração do governo, amamentar ou deixar de fazê-lo é problema de cada uma e é uma opção respeitada.

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Quando li o livro “Bump it up”, de Amy Tara Koch, sobre moda gestante nunca me esqueci do trecho em que ela fala sobre os seios, primeiro se a mulher for amamentar e depois no caso de não optar pela amamentação, como foi o caso da autora.

“If you’re not breastfeeding, you need to bind your breasts until the milk dries up…. Having decided not breast-feed, I bound my aching breasts in a Ace bandage and then put a skintight jogging bra over it.” (Se você não está amamentando, você precisa atar seus seios até que o leite seque… Como decidi não amamentar, apertei meus seios com uma bandagem da Ace e aí coloquei um sutiã de corrida sobre ela).  

Pronto, assunto resolvido como a mesma naturalidade de quem opta pela cor da calça que vai vestir naquele dia. O trecho acima aqui seria considerado, no mínimo, politicamente incorreto.

Optei pela amamentação prolongada, mas conheci inúmeras mulheres que não amamentaram por opção e mesmo outras que não gostaram nem um pouco da experiência. Não deixei de ser amiga delas por isso, ao contrário, procurei entender e respeitar as suas decisões. Assim como elas entenderam a minha de não dar suco de caixinha para meus filhos.

Mamãe Conta Tudo, de Flavia Fiorillo, Dash Editora (www.editoradash.com.br), R$ 39

Flavio Fiorillo morou quase 20 anos em Nova York, onde teve dois filhos de parto natural induzidos e hoje, de volta a São Paulo, é autora do blog http://mamaesabetudo.blogspot.com.br/ e do livro Mamãe conta tudo.

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