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Não tome partido

A política na escola, sem imposições

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A política é um assunto cada vez mais presente na vida das crianças e as escolas precisam se adaptar, mas sem impor uma posição, claro.

 
Em 2010, as eleições foram acirradas e não se falava em outra coisa na mídia. Neste ano, alguns assuntos dividiram as manchetes dos jornais: a briga entre os estudantes da USP e a reitoria e o câncer do ex-presidente Lula. Em meio a tantas discussões, é normal as crianças ficarem confusas e cheias de perguntas, e a gente se vê precisando simplificar as coisas para que elas entendam o que está acontecendo. Mas esse papel não é só nosso. De acordo com a terapeuta familiar e psicopedagoga Quézia Bombonatto, mãe de Rodrigo, a política é um assunto que deve, sim, ser tratado nas escolas.
 
Antigamente, política não era assunto de criança e ponto final. Mas hoje, como elas acessam cada vez mais cedo a internet, é de se esperar que saibam muito mais do que nós sabíamos nessa idade. Por isso, é dever da escola (e nosso também, claro) informá-los o melhor possível sobre o funcionamento da democracia.
 
A Escola Santi, de São Paulo, realiza pequenas atividades sobre o assunto. Na exposição de artes que aconteceu em outubro, os alunos utilizaram seus trabalhos para expor suas inquietações com a política do Brasil e fizeram releituras de obras de artistas procurados pela ditadura. Além disso, sempre que há um assunto gerando muita polêmica na mídia, eles realizam debates em que os estudantes mais velhos apresentam os dois lados da questão e os mais novos assistem e participam. Na escola, os pequenos começam a ter a política introduzida nas matérias desde os 10 anos. Para o professor de história Lucas Oliveira, filho de Priscila e Pedro, “a política é a base das nossas vidas na sociedade, e precisamos definir nossos posicionamentos e ajudar os alunos a definirem o deles”.
Já o Colégio Renovação, também de São Paulo, promove uma ida à Assembléia Legislativa do Estado, para que os alunos possam entrevistar os deputados. Além disso,  nas aulas de ciências sociais, os pequenos têm os conceitos de política apresentados às situações cotidianas.
 
Você sabe se na escola do seu filho são tratados esses temas? Se não é comum por lá, sugira discussões sobre os assuntos principais que andam circulando por aí e incentive o pequeno a levantar suas questões em sala.
Quézia ressalta que o importante é que você verifique se as crianças são estimuladas a chegaram às suas próprias conclusões e terem suas opiniões formadas. Nenhuma posição política por parte da escola é considerada positiva. “Os alunos precisam problematizar as questões e é por isso que as informações não podem ser passadas de forma superficial e parcial.” Afinal, queremos que nossos filhos tenham opinião e saibam o que estão fazendo, daqui a alguns anos, ao digitar o número de seu candidato na urna eletrônica.
 
Consultoria: Lucas Oliveira, filho de Pedro e Priscila, é professor de história do Colégio Santi. Tel.: (11) 3884-0566 (www.escolasanti.com.br). Viviane Madrigali Fidalgo, mãe de Augusto e Mariana, é professora de história do Colégio Renovação. Tel.: (11) 5058-6994 (www.renovacao.com.br). Quézia Bombonatto, mãe de Rodrigo, é terapeuta familiar e psicopedagoga presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (www.abpp.com.br).

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