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Mãe, posso dormir na sua cama?

É normal querer dormir com os pais, principalmente por volta dos 2 anos

Redação Pais&Filhos

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Cama quentinha, grandona, do lado de pai e mãe: qual criança não adoraria passar todas as noites ali, se sentindo segura e protegida? Sim, todas querem e é totalmente normal. Mas isso não significa que você deva deixar. Até os quatro meses de vida, dormir ao lado dos pais faz bem para a saúde do bebê, mas, depois dessa idade, compartilhar as noites de sono pode trazer problemas para o desenvolvimento emocional da criança.

Uma pesquisa do site Pediatrics mostrou que bebês entre 11 e 15 semanas de vida que dormem com os pais despertam depois de episódios de apneia (interrupção da respiração durante o sono) e têm menos chances de ter a Síndrome da Morte Súbita devido à falta de ar. “Nesta fase, dormir com os pais ajuda o bebê a se adaptar ao novo ambiente em que vive, já que ele ainda acha que a barriga e a mãe são uma coisa só”, diz a psicóloga Lizandra Arita, mãe de Lohan.

A partir daí, é importante que os pais procurem determinar um espaço que seja só do bebê, para que ele passe a perceber que o corpo dele e o da mãe estão separados. Isso não significa deixar o recém-nascido sozinho ou chorando: afinal, ele é pequeno e totalmente dependente dos pais e cuidadores. Mas deixá-lo dormir no berço ou carrinho a maioria do tempo, ou evitar que ele passe a noite toda na cama dos pais, é um bom começo.

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A partir dos 2 anos, a criança passa a ter pesadelos, daí o motivo para querer dormir com os pais: a segurança. Nesta fase, a gente deve ficar ao lado dos filhos, dormindo juntos, mas na cama das crianças. “Os pais devem enfrentar este medo dos filhos e mostrar que o ambiente em que eles dormem é seguro”, diz Lizandra. Apesar disso, há exceções: dormir um dia ou outro na mesma cama, em situações extremas, não traz nenhum problema.
Deixar que a criança perceba que consegue enfrentar seus medos sozinha ajuda no desenvolvimento emocional. “Dormindo sozinha, a partir da idade adequada, eles criam autonomia em casa e na escola, tornando-se adultos mais independentes e seguros no futuro”, explica Lizandra.

Em caso de pesadelo, acompanhar e se deitar com o seu filho, até que ele adormeça, é o ideal. Desta forma, os pais mostram que estarão ali sempre que o filho precisar, mas diferem o ambiente adulto do infantil, que deve ser tão ou mais seguro para a criança.

Para alguns pais, dormir com os filhos na mesma cama é uma maneira de se sentirem mais próximos deles. Muitos acreditam que a cama compartilhada dá mais segurança aos filhos, carinho e proteção, além de não atrapalhar a relação dos pais – desde que haja muita criatividade entre o casal. Para eles, a prática também facilita a amamentação, já que o bebê está ao lado da mãe durante toda a noite.

Já para os especialistas, não querer que o filho tenha um quarto separado é um sinal de que a mãe ou o pai não se sentem seguros em se separar da cria. Entender que o filho está vivendo um momento de confusão de sentimentos ajuda a enfrentar esta fase. “Muitas vezes, a criança querer dormir na cama dos pais demonstra medo, tristeza ou apenas carinho. Entender qual deles é o caso do seu filho e evitar que eles sejam substituídos apenas por dormir na cama dos pais é muito importante”, completa a psicóloga.

Dormir juntinho de vez em quando é bom e todo mundo gosta, desde que fique claro que é exceção. Naquele dia frio, família inteira embaixo da coberta, tem coisa melhor?

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