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Mãe fala da importância de acompanhar de perto a alimentação do filho

Evelyne, mãe de Enzo, deixou o trabalho porque queria cuidar do bebê

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

17/12/2012

Evelyne Ofugi, mãe de Enzo.

“O Enzo foi um sonho concretizado. Quando soube que estava grávida, tive duas preocupações: a primeira foi o tempo que ficaria com o meu filho se continuasse trabalhando e a outra a alimentação, caso eu continuasse trabalhando tanto, como acompanharia? Como eu poderia ser o exemplo e referência para ele? Então optei por deixar o trabalho (a escola) e cuidar em tempo integral do Enzo enquanto neném. Falando desse jeito, parece que foi uma decisão muito fácil, mas não foi. Hoje a mulher é independente e trabalha como qualquer homem no mercado de trabalho, e acho que o mais importante é que gostamos disso, mas não podemos esquecer que somos além de mulheres, esposas, trabalhadoras, somos MÃES e esse foi um ponto muito forte para me fazer largar a escola.

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Compreender que esses primeiros anos da vida do meu filho são os mais importantes para a formação dele como pessoa me fizeram compreender também coisas mais profundas que a gente só se dá conta quando passa pela dificuldade. Alimentação e escovação dos dentes, desfralde, viroses, comportamentos, birras sem fim e me perguntam, o que isso tem a ver com alimentação, eu explico. Quando acompanho meu filho em tudo, tenho mais conhecimento sobre tudo em relação a ele. Não só almoçar com ele, mas preparar o almoço dele com ele perto de mim brincando com as panelas, vasilhas, água, legumes e frutas foram de fundamental importância para que ele aceitasse melhor os alimentos, além de trabalhar a coordenação motora e outras partes do cérebro quando organizava as panelas por tamanho, falava as cores das frutas, o salgado, doce, azedo, o empilhar das vasilhas e leve ou pesado dos materiais.

 Então, a alimentação saudável tem tudo a ver com o desenvolvimento de uma criança e o contato da mãe incentivando e acompanhando e ensinando tudo de perto tem outro sentido e gosto pela criança, tornando as frutas, legumes e verduras mais atrativas e com um gosto especial. O mundo de hoje não nos permite (nós mulheres) fazer o que nossas mães e avós faziam. Ter um filho hoje em dia falando: ‘nossa a minha mãe é a melhor cozinheira do mundo’, é raro. Todas nós queremos dar o melhor para nossos filhos, manter nossos padrões de vida ou melhora-los para que eles tenham tudo do bom e do melhor. Ser dona de casa é uma tarefa muito difícil, ter jornada dupla ( trabalhar fora e em casa), tripla ( trabalhar fora, em casa e cuidar dos filhos e marido), quadrupla ( trabalhar fora, ter renda extra, cuidar da casa, dos filhos e marido) é a tarefa de muitas de nós, então eu pergunto, onde fica o tempo para cozinhar? Quem vai querer cozinhar, não é mesmo? Realmente é difícil. Lavar e passar roupa então, nem se fala.

Já estou cansada só de pensar, mas penso também em outras coisas, o que de fato é real, importante e essencial para os nossos filhos? Ter os pais, ter SAÚDE, amor e atenção. A alimentação sempre foi muito importante para mim, pois ela é o centro que liga todos os outros pilares que uma criança necessita. Meu filho aos 11 meses já comia brócolis crú e não é por isso que aconselho que todos deem brócolis cru aos seus filhos, isso seria loucura. Cada criança tem seu tempo, sua essência e seus gostos, bem como nós adultos. Tratar com respeito e escutar as crianças faz parte da boa alimentação. Oferecer cenourinha a tarde, descer para o parquinho com seu pequeno e com um pepino cortadinho não é esquisito. Esquisito é ver crianças de 2 anos brincando no parquinho com pirulito, balinha, chiclete e olhando com nojo para meu filho. Então chego ao ponto onde queria. Quem está educando os nossos filhos? Quem está o dia todo com eles, o que eles escutam o dia todo, que comportamento eles presencial o dia todo e que comportamento eles não presenciam e qual a alimentação que eles acompanham? É um assunto polêmico que traz culpa e dor! Mas como a própria campanha diz CULPA, NÃO! Me senti por muitas vezes culpada em abrir uma empresa, voltar a trabalhar e deixar de cozinhar algumas vezes na semana para o meu menino, mas percebi que hoje somos mães e mulheres guerreiras muito mais fortes e batalhadoras e damos conta de muito mais do que imaginamos. Não se sinta culpada por nada do que você faz por amor aos seus filhos, simplesmente deixe-os saber que você faz isso por que os ama, oferece um alimento saudável porque o quer ver forte e saudável e porque não fazer uma papinha de neném e colocar no pão com peito de peru, queijo e salada como se fosse um patê? Alimente-se junto com seu filho sempre que puder. Cozinhe junto com seu filho sempre que conseguir! Faça-o sentir que isso é importante não só para ele, mas para você também! Converse com eles quando puder. Aproveite o tempo ao máximo com os filhos, mas com responsabilidade! Sabedoria é a chave de tudo nessas horas. Só nós mulheres sabemos como o nosso mundo muda ao gerar uma vida! Somos únicas!  

Ps: O Enzo não come mamão, então eu faço picolé e coloco suco de mamão, faço salada de frutas e coloco o suco do mamão, faço creme de papaia. Existem alternativas! Sempre tem um jeito, mas todos nós temos alguma preferência e restrição, só devemos respeitar com sabedoria e sem agressão”.

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