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Filha deu sorte para o Corinthians

Laura mudou a vida de Guilherme - e do time dele - para a melhor antes de nascer

Redação Pais&Filhos

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Eu tinha 18 anos, estava no primeiro ano de faculdade, ganhava R$100 por mês dando aulas de inglês, meu pai estava desempregado, o carro estava quebrado e para piorar, o Corinthians disputava a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, quando… BOOM! “O quê? Serei pai?”

Isso provavelmente seria o fim de jogo para uma pessoa sem estrutura familiar. Mas eu tive meus pais comigo. Quando souberam, eles me abraçaram (depois do susto e da bronca, claro) e deram todo apoio de que eu precisei para iniciar uma vida nova. “O resto a gente dá um jeito, filho. Você precisa primeiramente dar amor para a criança”, dizia minha mãe. Esse conselho ficou na minha cabeça e eu prometi a mim mesmo que seria o melhor pai do mundo para a pequena Laura. Sempre com amor.
 
Logo depois, quem diria, as minhas turmas de inglês aumentaram de uma para dez e consequentemente estava ganhando bem mais. O papai já havia arrumado um trabalho bacana e estava de bom humor. O efeito Laura na nossa vida já estava aparecendo e ela ainda não tinha nem nascido. Mas para que tudo desse certo, eu precisava ter concentração. Li vários livros sobre paternidade e outros textos diversos, diminuí o número de baladas, comecei a guardar dinheiro, e até mesmo ir menos ao estádio…
 
Quando nasceu, em janeiro de 2009, Laura não só trouxe alegria à família, mas também um novo emprego para mim, como estagiário de jornalismo no canal BandSports. E, de quebra, o Ronaldo chegou ao Corinthians. Assim como mudou minha vida, a minha filha mudou a do Coringão também. Naquele ano, a “pé quente” Laura deu dois títulos ao clube. Como se não bastasse, no mesmo ano eu fui efetivado, ganhei mais estabilidade e benefícios para garantir a ela uma vida melhor.
 
Em 2010, o Fenômeno se lesionou e se afastou dos gramados, e o destino também quis que eu e a mãe dela nos separássemos. Em um acordo amigável, decidimos que era melhor que a Laura morasse comigo. Eu penso que, da mesma maneira que meus pais são exemplos pra mim, e estão do meu lado, eu quero estar sempre com ela e ser um espelho pra baixinha. Cara, ser pai solteiro é tão difícil quanto ganhar a Copa Libertadores da América. Pai de menina, então, é mais ainda. Poxa, eu sou jovem. Não tive tempo nem de aprender as coisas de menino direito. Vivo me cortando ao fazer a barba!
 
Enfim, olha o drama. Primeiro: você não manja de nada sobre coisas de mocinha. Roupas, acessórios, sandálias, sapatinhos. Demorei para aprender, e ainda ralo muito para prender o cabelo dela. Que coisa difícil, rapaz! Segundo: você também não entende nada sobre higiene feminina. Não preciso dar detalhes das aulas que minha mãe, irmã e namorada me dão diariamente. Mesmo assim, eu tento. E sempre tentarei. Porque, parafraseando um canto da torcida mais linda, eu digo: Laura, minha filha, eu nunca vou te abandonar, porque eu te amo. Você é a solução da minha vida.
 
Guilherme Fuoco, pai de Laura, de 3 anos, é jornalista do BandSports.

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