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Filha de filósofo, publicitária é!

A filha não seguiu a mesma carreira, mas foi influenciada pelos ensinamentos

Redação Pais&Filhos

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Dafna Pondé, filha de Danit e do filósofo Luiz Felipe Pondé, é estudante de publicidade

A filha do Luís Felipe Pondé pode não ter seguido a carreira do pai, mas foi muito influenciada pelos ensinamentos dele.

Meus pais se divertem muito juntos. Minha mãe, Danit, sempre sorrindo; e meu pai, Luiz Felipe Pondé, sempre querendo fazê-la sorrir, me ensinaram muito sobre fazer o que te deixa feliz.
Já ouvi falar de pais que incentivam daquele jeito forçado, que escolhem um caminho para os próprios filhos e nunca os deixariam seguir um outro sonho; os meus nunca nem mesmo consideraram essa possibilidade.
Meu pai – que desistiu da medicina, no sexto ano, pela filosofia – e minha mãe – que fez três faculdades até se apaixonar pela psicologia – sempre me deixaram livre em todas as decisões que diziam respeito ao meu futuro. Admito que a publicidade veio como um susto, em uma época que eu não sabia quase nada sobre mim. Mas acertei e fui muito incentivada a encontrar o que me deixaria feliz profissionalmente.

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Como irmã mais nova, sempre fui muito mimada. Meu irmão mais velho, Noam, nasceu nove anos antes de mim. Ele sempre conta como eu aprontava, fingia passar mal para conseguir o que eu queria. Eu e o Noam nunca fomos daqueles que brigam; no máximo, uma vez por ano, e olhe lá. Ele sempre cuidou de mim. Prezo muito a relação de total confiança e liberdade que os meus pais cultivaram em casa, onde nenhum assunto é tabu e tudo merece ser discutido.


Meu pai e minha mãe sempre se completaram muito. Minha mãe nunca atende o celular, meu pai liga o dia inteiro. Minha mãe gosta de dançar, meu pai gosta de cantar. Isso me ensinou muito sobre a dinâmica de um casal; um casamento que completa 31 anos só é alcançado com esforço, mas ele vale a pena por esses momentos, como quando os meus pais fazem um dueto com alguma música da infância deles e eu fico dolorida de tanto rir.


Hoje em dia, escuto muito uma pergunta “como é ser filha do seu pai?”. Sinceramente? Acho que é como ser filha de qualquer pai coruja. Desde a primeira vez que eu fui no shopping com as minhas amigas na sétima série, até hoje, no terceiro ano de faculdade, ele nunca deixa de falar “não vai me dar susto”, na hora que eu estou na porta. Com o meu irmão, que casou recentemente e agora está no Texas, foi a mesma coisa: ele ofereceu um álbum do Batman para ele não ir embora.
Algo, porém, sempre me incomodou muito nessa pergunta. Um pai filósofo não se vê todo dia e, por algum motivo, as pessoas ao meu redor acham que a inteligência passa pela genética e eu seria uma pequena filósofa. Apesar de me interessar muito por humanas, nunca pensei em me formar na área. Porém, sempre considerei esse tipo de conhecimento como uma forma de aperfeiçoar o meu trabalho como publicitária.
Tanto na minha casa, quanto no meu ex-colégio, pelo qual sempre fui apaixonada, aprendi que é preciso saber como o mundo e as pessoas funcionam para conseguir se inserir nele direito. Nisso meu pai me ajudou muito, sempre me guiando e me mostrando como as coisas são. Mas antes de tudo isso, ele se esforçou para criar uma filha que pode até ser chamada de “minha princesa”, mas que sabe lutar e conseguir o que quer sozinha, sem deixar que ninguém interfira em um futuro que, querendo ou não, é apenas meu.

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