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Dicas para você aproveitar esta época com a cabeça fresca

Orientações importantes para você aproveitar esta época do ano

Redação Pais&Filhos

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Férias, verão, sol, calor, piscina, praia, areia… Tudo isso pode ser sinônimo de muita alegria e diversão em família, mas também de dor de cabeça, se você não proteger bem o seu filho. Reunimos dicas e orientações importantes para aproveitar essa época com a cabeça fresca!

Por Mônica Krausz, mãe de Vincent

Proteção solar e hidratação são algumas das palavras mágicas do verão para todos, mas principalmente para as crianças. O calor faz com que elas transpirem mais, perdendo muita água. Além disso, nessa época quente e úmida, também há proliferação de viroses por causa da contaminação da água ou de alimentos consumidos, principalmente fora de casa, que provocam diarreias agudas e podem levar à desidratação. Por isso é preciso estar atento à ingestão de líquidos das crianças. Sempre, e muito.

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Os médicos ainda alertam que é importante alimentar-se bem com produtos de procedência confiável, procurar manter as mãos das crianças sempre limpas, proteger os olhos, os ouvidos, e prevenir doenças transmitidas por picadas de insetos, fungos, vírus e bactérias presentes em toda parte. São muitos detalhes, mas você deve estar alerta! Uma consulta ao pediatra, antes das viagens de verão, sempre é aconselhável para tirar dúvidas. Informe-se, equipe-se e divirta-se no verão!

Bebê ao sol

Uma das principais dúvidas dos pais no verão é em relação à exposição ao sol. Segundo a dermatologista Gisele Cristine Teixeira Barbosa, filha de Tânia e Barbosa, é importante que as crianças tomem sol o ano inteiro, inclusive no verão, para que o seu organismo produza a vitamina D ativa, que previne doenças como raquitismo e má formação dos ossos e dos dentes. Pesquisas científicas já provaram que as crianças de países tropicais sofrem menos desses problemas por estarem mais expostas ao sol. Porém, nada de exageros! “O melhor horário é antes das 10 horas da manhã ou depois da 17 horas, quando a intensidade dos raios ultravioletas (UV) é menor. E, para os bebês de até 6 meses, num curto período de tempo, ou seja, de 10 a 20 minutos por dia, nesses mesmos horários”, explica a médica. Além disso, bebês de até um ano não podem usar filtros solares químicos; eles têm de usar filtros físicos, que usam ingredientes que não penetram na pele, mas atuam como uma capa externa e fazem com que os raios ultravioletas batam na pele e sejam refletidos, sem absorção.

O problema é que ainda existem poucos filtros solares físicos indicados para bebês no mercado. Geralmente eles são feitos por indicação médica em farmácias de manipulação. “Antigamente nem tinha no mercado, hoje já é possível encontrar, mas um médico tem de orientar os pais, porque é difícil para o leigo entender quais ingredientes podem e não podem ser utilizados para um bebê de menos de um ano”, avalia Gisele.

Vestidos com proteção

Além dos filtros solares, as próprias roupas (camisetas e bermudas) e acessórios como bonés, viseiras, óculos de sol, sombrinhas e guarda-sol devem ser aliados na proteção contra o sol forte do verão. Gisele explica que roupas e acessórios normais já protegem o equivalente a um filtro solar fator 5, mas gosta de avisar aos pacientes e amigos que já há no mercado roupinhas e acessórios feitos de tecidos com proteção adicional aos raios ultravioletas. Essas roupas chegam a um fator 50. “Atualmente eu sempre presenteio os filhos dos meus amigos com esses produtos protetores que ainda são pouco conhecidos e fazem o maior sucesso”, comenta a dermatologista. “Criança acaba brincando o dia inteiro e fica muito exposta ao sol, muitas vezes sem renovar a proteção solar”, lembra a dermatologista. As roupas, chapéus e bonés podem proteger o dia inteiro.

Outra vantagem dos tecidos com proteção UV é que, ao contrário dos tecidos normais que perdem proteção ao serem molhados, eles continuam protegendo da mesma forma o tempo todo.

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Debaixo do guarda-sol

Claro que um guarda-sol comum sempre ajuda a proteger do sol e do calor na praia, mas só eles não são suficientes para proteger a criança do sol forte porque protegem tanto quanto uma roupa comum ou menos. E mesmo que seja um guarda-sol com proteção UV, que tem tecido para absorver 98% dos raios, eles ainda apresentam um problema adicional: “Os raios UV muitas vezes batem na areia e refletem, queimando de baixo para cima”, lembra a dermatologista Gisele.

Evite longos períodos de exposição ao sol em locais que refletem luz, como na água do mar ou da piscina e na areia da praia. Até o reflexo da luz queima!

Hidratação por dentro e por fora

O corpo da criança deve estar hidratado por dentro e por fora. Até os seis meses de idade o bebê estará bem alimentado e hidratado com amamentação exclusiva, de acordo com o pediatra do Instituto da Criança, Roberto Tozze, filho de Dirce e Francisco. Depois dessa idade, o recomendável é uma ingestão de pelo menos um litro e meio de líquidos por dia. Isso inclui água, leite, sucos, água de coco, entre outros líquidos. Sobre os sorvetes, o pediatra alerta: “Pode tomar, mas sem exageros, porque tem muitas gorduras e açúcar. E desde que sejam de marcas conhecidas e controladas; sorvetes de procedência desconhecida podem ser perigosos por usar água ou outros ingredientes contaminados por bactérias que se reproduzem até no gelo”.
Uma boa dica para saber se a criança está bem hidratada é ficar atento para a sua urina. Se a criança começar a urinar menos do que de costume, ou fizer xixi com cor e odor muito fortes, pode ser sinal de que precisa ingerir mais líquidos do que está ingerindo. Se tiver muita sonolência, perder a fome, ficar abatida ou tiver vômitos, é bom procurar o pediatra, pois esses podem ser sinais de desidratação.

De acordo com o pediatra do Hospital São Luiz, Marcelo Reibscheid, pai de Bruno e Téo, quando a criança perde líquidos por diarreia ou vômitos é preciso que esses líquidos sejam repostos por via oral. Geralmente, num quadro de diarreia, além daquele litro e meio de água que a criança deve consumir diariamente, deve-se repor cerca de 10 ml de líquido por quilo da criança sempre que ela evacuar, ou seja, se ela pesa 10 quilos, deve tomar 100 ml de água sempre que for ao banheiro.

Viroses

Os enterovírus são os vilões do verão, de acordo com o pediatra Marcelo Reibscheid. “Causam as doenças diarreicas agudas e vômitos e podem ser transmitidos tanto pela alimentação, quanto pela água contaminada ou pelo contato das mãos com áreas contaminadas”, explica. Por isso, segundo ele, é bom escolher bem o local para onde você vai viajar com os seus filhos. Se for para o litoral, procure se informar sobre as condições de saneamento da praia. Evitar o consumo de líquidos de procedência duvidosa também é dica unânime entre os pediatras. “A minha mãe nunca me deixava tomar raspadinha na praia e eu ficava revoltado”, lembra Marcelo. “Só depois de médico eu fui entender o porquê disso. A gente nunca sabe de onde saiu aquela água que formou o gelo”, explica. Os pais de crianças pequenas devem evitar restaurantes pouco conhecidos, dando sempre preferência a levar a alimentação, principalmente verduras e frutas, de casa. Depois da praia, uma boa dica é dar um bom banho nas crianças com sabonetes bactericidas.

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Pele protegida

Para hidratar a pele depois da praia é sempre bom usar um hidratante para crianças. Se tomar mais de um banho por dia, use sabonete só em um dos banhos porque eles também ressecam a pele, e não use água muito quente. Prefira sabonetes infantis hipoalergênicos e bactericidas.

Se o seu filho ficou muito exposto ao sol e já está queimado, o jeito é cuidar da queimadura. O primeiro conselho de Gisele é redobrar os cuidados para novas exposições ao sol. Além disso, vestir roupas leves, mas de mangas compridas, fazer com que a criança fique na sombra, e passar um bom creme ou óleo hidratante que não arda, são medidas que ajudam.

Na hora do banho, mais uma vez a dica é não usar sabonete e que a água seja bem morninha, quase fria, porque a água quente pode ressecar mais e deixar a pele mais sensível e dolorida. Também não é recomendado usar bucha ou esponja e toalhas ásperas para se enxugar.  

Se a pele estiver ardendo muito, uma compressa de água fria pode acalmar a situação.  Mas atenção: não coloque gelo porque ele pode queimar mais ainda. Também existem cremes calmantes pós-sol para peles com muito ardor. Os compostos por Aloe Vera são muito eficazes. Cremes para assaduras também podem ser usados para aliviar, porque eles evitam a perda de água da pele.

Em caso de queimaduras com bolhas, que já é um estágio mais avançado, a orientação é procurar um dermatologista para tratamento específico e nunca estourá-las nem colocar nada sobre elas.

Xô Micose

As micoses são infecções causadas por fungos, que se proliferam em locais quentes e úmidos e por isso se espalham muito rapidamente no verão. Elas atingem a pele, as unhas e até o couro cabeludo. “Manchas na pele, alteração de cor nas unhas ou mesmo na pele, coceiras, podem ser sinais de micose”, explica Gisele. A dica é sempre procurar um dermatologista quando esses sinais aparecerem. O pediatra Roberto Tozze também lembra do chamado “bicho geográfico”, aquele que forma um desenho no pé, como se fosse um caminho. É uma doença de pele causada principalmente por contato com fezes de cães. “Infelizmente muita gente ainda leva cães para a praia e os vermes das fezes contaminam a areia e depois os pés das crianças”, conta.

Para a prevenção, o conselho é usar chinelos e sandálias, principalmente nas praias, nos parques e em vestiários e banheiros de clubes e parques aquáticos. Mantenha as crianças calçadas até debaixo do chuveiro. Na praia, evite que as crianças se sentem diretamente na areia.

Brotoejas

As brotoejas são bolinhas vermelhas na pele. Elas podem ser causadas por alguma alergia alimentar ou até por muito suor e por isso são comuns no verão, de acordo com a dermatologista Gisele. Algumas pessoas acham que precisam agasalhar as crianças mesmo quando está quente, mas o ideal é que o bebê use apenas uma peça de roupa a mais do que o que estão usando os adultos. Se a criança estiver transpirando muito é bom tirar as peças até que ela fique confortável. Quando as brotoejas são causadas pelo suor, geralmente aparecem apenas em algumas partes do corpo que estavam mais aquecidas. Se vierem acompanhadas de febre ou mal estar, podem estar relacionadas a alguma infecção e devem ser observadas por um pediatra.

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Olho vivo!

Os olhos também precisam de proteção extra no verão. Em um passeio na praia é comum ver pai e mãe de óculos de sol e o filho usando no máximo um boné. De acordo com o oftalmologista do Hospital das Clínicas, Fabio Hanania, pai da Leticia, bonés e viseiras ajudam a proteger os olhos tanto quanto o guarda-sol comum. Porém, da mesma forma que os raios de luz queimam a pele mesmo embaixo do guarda-sol, os mesmos raios refletidos de baixo para cima também são prejudiciais aos olhos da criança. A partir dos 3 anos, quando o pequeno começa a ficar mais exposto às brincadeiras ao ar livre e já pode entender que precisa proteger os olhos, o ideal é procurar uma boa ótica que trabalhe com óculos infantis e encomendar um modelo. Se a criança usar óculos de grau desde pequena, prefira os modelos com proteção UV.

Outra dica do Dr. Fabio é ter cuidado com a higiene das mãozinhas em ambientes públicos, pois nesta época é comum que as crianças peguem conjuntivite, infecção nos olhos causada por vírus ou bactérias que se proliferam em locais quentes e úmidos. Oriente seu filho a não coçar os olhos com as mãos. Se os olhos começarem a ficar vermelhos, inchados e lacrimejantes, isto pode ser um sinal de que a conjuntivite se instalou. Nesses casos, evite o contato do seu filho com outras crianças porque é uma doença muito contagiosa, e procure um oftalmologista.

Importante: não compre óculos de sol na praia ou de camelôs. Esses óculos não costumam ter proteção UV e em vez de ajudar podem até fazer mal aos olhos. Isso porque fazem escurecer a visão, dilatando a pupila e, como não há a proteção UV, os olhos acabam absorvendo mais raios do que se a criança estivesse sem óculos. Procure óticas especializadas!

Repelentes e inseticidas

O melhor para proteger as crianças das picadas de mosquitos e pernilongos é o tradicional mosquiteiro de berço e a tela na janela do quarto. Porém, antes de usar, verifique se não há nenhum pernilongo do lado de dentro do mosquiteiro para que o seu bebê não durma com o inimigo.

Também existem dispositivos que emitem ondas de ultrassom ou eletromagnéticas para repelir insetos. Mas, claro, é preciso haver uma porta ou janela aberta para os insetos saírem do quarto.

Em uma viagem para a praia ou para o campo, é possível usar uma loção repelente para crianças maiores de 6 meses, tomando cuidado para não passar em partes que elas possam colocar na boca. Entre os inseticidas, o de tomada é o menos danoso, mas mesmo assim não é muito aconselhável porque será liberado no ar e suas substâncias químicas podem causar alergias respiratórias. Se for usar o aparelho de tomada, é melhor que seja num momento em que a criança não esteja no quarto. Mesmo os produtos naturais, como velas de citronela, não devem ficar muito próximos da criança e, de preferência, devem ser usados quando ela não está no quarto.

Ouvidos Sequinhos

Como no verão é mais comum que as crianças fiquem expostas à agua nas piscinas e no mar, também é muito frequente que aconteça a otite externa, uma infecção no conduto auditivo, parte mais externa do ouvido, de acordo com o otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas, Bruno Peres Paulucci, filho de Guaraci e Daisy.  Para evitar esse problema, a primeira recomendação é não usar cotonetes para limpar a cera dos ouvidos da criança. “Quando você usa o cotonete você retira a parte mais superficial da cera, mas acaba empurrando uma parte dela mais para dentro. Lá no fundo, esta cera vai formar uma espécie de rolha que acaba obstruindo o ouvido da criança e ainda ajuda a acumular água favorecendo as infecções”, explica.
Então, seque bem os ouvidos, a cabeça e os cabelos assim que sair do mar ou da piscina com uma toalha bem limpinha para que a água dos cabelos não escorra para dentro dos ouvidos.

Os ouvidos também devem ficar sempre bem ventilados para evitar a umidade, portanto evite usar toucas nesta época. Não é raro que pequenos insetos entrem nas orelhas das crianças e fiquem presos lá dentro, causando dores de cabeça e irritação, porque o conduto auditivo das crianças é muito estreito, então verifique sempre os travesseiros antes da criança dormir. E se perceber que ela sente alguma coisa no ouvido, leve imediatamente ao otorrinolaringologista.

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O fim da picada
• Mosquitos se reproduzem na água parada. Troque sempre a água das tigelas dos animais domésticos e coloque areia nos pratos dos vasos.
• Não deixe alimentos descobertos em casa, principalmente doces.
• Os insetos são atraídos por cores vivas, por isso em locais de muita infestação é bom apostar em roupas de cores claras.

Se já é tarde demais…
• Consulte o seu pediatra sobre o melhor creme para picadas de insetos e tenha um potinho na sua farmacinha caseira para qualquer emergência.
• Compressas de água fria também reduzem o inchaço das picadas e aliviam a coceira.
• Não estoure as bolhas de picadas de formigas.
• Vista a criança com roupas que cubram as picadas para evitar que ela se machuque ao se coçar.
• Mantenha as unhas da criança bem curtas, pelo mesmo motivo.

Algumas dicas para um verão mais tranquilo
• Aumente a ingestão de frutas na alimentação das crianças, já que elas contêm vitaminas e muita água.
• Prefira uma dieta mais leve, sem gorduras e frituras e sem muitos condimentos.
• Prefira os produtos naturais aos industrializados, que contém muito sódio.
• Vista o bebê com roupas leves e de algodão, o ideal é que ele tome sol apenas nos braços e nas pernas que têm a pele mais resistente.
• Nos passeios com o bebê, tire colchões ou colchas do carrinho para que a temperatura dentro dele não fique muito quente.

Consultoria: Bruno Peres Paulucci, filho de Guaraci e Daisy, otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas. Fabio Hanania, pai da Letícia, oftalmologista do Hospital das Clínicas. Gisele Cristine Teixeira Barbosa, filha de Tânia e Barbosa, dermatologista. Marcelo Reibscheid, pai de Bruno e Téo, pediatra do Hospital São Luiz. Roberto Tozze, filho de Dirce e Francisco, pediatra do Instituto da Criança.

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