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Depoimento Vanessa Alviani

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

23/01/2013

Vanessa, mãe de Maria Eduarda, 1 ano e 8 meses.

“Estava casada há exatamente 1 ano e resolvi que queria engravidar. Por sorte, conseguimos a proeza na primeira tentativa… Nossa, aquilo me levou às nuvens, era uma mensagem dos céus afirmando que realmente era o momento. Que sensação incrível! Posso dizer, inclusive, que algo me dizia, lá no fundo, que eu já estava grávida, e esperar a confirmação do exame de farmácia e, depois, do exame de sangue era apenas questão de tempo… E foi exatamente o que aconteceu.

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Desde então várias pessoas perguntavam como eu queria que fosse o parto. E de bate-pronto eu respondia, NORMAL! Eu queria que a experiência da maternidade fosse completa e, para mim, somente o parto normal representava isso… Na minha cabeça, cesárea era apenas uma cirurgia, diferente do momento mágico do parto normal, com suas contrações, bolsa rompida espontaneamente e aquele corre-corre pra maternidade.

Bom, na verdade eu não era tão inconsequente a ponto de exigir um parto normal caso não fosse indicado pelo médico. Eu sabia que se a saúde e o bem-estar da minha filha dependessem de uma cesárea, abriria mão do parto normal sem problemas. Minha filha era a prioridade, não o meu desejo.

Por volta de 30 semanas descobri que estava com pouco líquido, o que os médicos chamam de oligoâmnio. Ficamos preocupados porque havia feito uma tentativa de ultrassom 3D uma semana antes e o líquido estava normal e uma semana depois caiu drasticamente, chegando muito próximo ao limite mínimo. Precisei me afastar do serviço, fazer repouso e tomar muita, muita água. O acompanhamento médico era essencial, pois dependendo de como a situação estivesse, se o líquido baixasse muito, uma cesárea precisaria ser feita com urgência.

Decidi que faria de tudo para segurá-la no ventre o quanto fosse possível. Sabemos que hoje em dia, com a modernidade da medicina, muitos bebês nascem prematuros e se desenvolvem bem, mas também ouvi certa vez que a melhor UTI neonatal que existe é o ventre. Se fosse necessário não sair da cama e tomar uma caixa d'água por dia para que ela se desenvolvesse o quanto precisasse na minha barriga, eu faria.

Minha médica chegou a comentar que eu não conseguiria segurá-la até 37 semanas, se chegássemos a esse ponto já seria um grande feito. O tempo passou, muito repouso, muita água, muito carinho de quem estava perto e por uma graça chegamos às 37 semanas. Chegamos ao dia da consulta, e a médica, surpresa pelo fato de ter dado tudo certo até então, não quis arriscar e preferiu marcar a cesárea. Minha filha deveria nascer dia 03 de maio, era a data final. Enquanto a médica ligava para sua secretária para marcar a cesárea no hospital que eu queria, percebi, então, que o hospital não aceitava o mesmo plano de saúde que a médica aceitava. Resultado, ou teria que fazer o parto em outro hospital, ou faria onde eu queria, mas teria que pagar o parto. Até que surge uma terceira opção: eu poderia ir para o hospital que eu queria e passar a ser atendida pelo pronto-socorro e, em caso de parto, ser atendida por um plantonista.

E essa foi a opção escolhida, o hospital maternidade era extremamente conceituado, daria certo, a única insegurança era não saber quem faria o parto da minha filha, mas algo me dizia que tudo ficaria bem, nada acontece por acaso.

Saí da minha médica com a orientação de que deveria avisar ao hospital que minha filha “tinha que nascer no máximo até dia 03/05”. Já no hospital, fui atendida pelo pronto-socorro, fiz exames de avaliação e ao comentar com o plantonista sobre a ordem extrema da minha médica, fui informada de que o hospital costuma fazer o parto somente quando necessário, pois os exames estavam ótimos. Nossa, quase enlouqueci. Deveria ouvir minha médica ou o plantonista. Bom, eu não tinha saída, era ter fé.

O plantonista pediu então que eu voltasse três dias depois, que seria exatamente dia 03/05, para realizar novos exames. Preparei tudo, levei todas as malas, lembrancinhas, tirei fotos antes de sair de casa, tudo o que a situação exigia, porque, afinal, era bem provável que ela nascesse naquele dia. Mas não foi o que aconteceu, todos os exames estavam perfeitos, tudo certo. O nível do líquido estava satisfatório, minha filha estava bem, ativa, logo não havia razão para fazer o parto. Saí de lá com a orientação de voltar três dias depois ou caso notasse algo diferente ou alguma dor. Fomos embora, levando tudo de volta. E assim foi minha vida, fizemos toda essa preparação nos outros dias em que estivemos lá, pois voltamos ao hospital dia 06, dia 09, dia 12, dia 15… A essa altura, imaginem, as enfermeiras, plantonistas, seguranças, todos me cumprimentavam, me conheciam… eu era a grávida que aparecia de mala e cuia a cada três dias e voltava pra casa…rss

Estava ficando chateada com aquilo já, eu via as mães chegando, empurrando seus carrinhos com seus pertences, indo para seu quarto… e eu sempre chegava com tudo em mãos e voltava pra casa…

Mas aquele dia foi diferente, saí de casa totalmente relax, esperando que daqui três dias seria a mesma rotina… Chegamos ao hospital, fiz os exames e soube então que o líquido tinha caído muito, e então, tive a certeza, uma cesárea precisaria ser feita. Aí nem pensei em parto normal, eu queria ver minha filha bem, queria vê-la logo. Eu estava tranquila, achei que teria tempo de avisar os familiares, achei que o parto seria dali a algumas horas. Que nada! Assim que soube da notícia, os médicos e a equipe já estavam se preparando e em poucos minutos eu já estava no centro cirúrgico.

Mal deu tempo de avisar a família, cheguei a pensar que não daria tempo do meu marido entrar comigo. Mas no final deu tudo certo. Ele conseguiu entrar, com a câmera, já tinha avisado as avós e tios e a expectativa era grande. Era o momento. Deus colocou um anjo chamado Messias para fazer meu parto, um anjo especial para trazer minha filha ao mundo. Era dia 18 de maio de 2011, eu estava com 39 semanas e 5 dias de gestação. Foi quando ouvi seu choro, vi sua luz e conheci a pessoa mais importante da minha vida. Era ela, minha filha, minha Maria Eduarda tão sonhada e tão aguardada!

Ali eu percebi que a cesárea não mudou em nada a expectativa que eu tinha. Descobri que a maior expectativa não é o meio, é o fim, um fim que na verdade é o grande início de uma vida. Na cesárea tudo pode ser mágico também, pois a magia está no nascimento, na alegria, na vitória, na certeza de que tudo valeu a pena.

Minha filha nasceu 15 dias depois do estipulado como máximo, nasceu com quase 40 semanas completas, cheia de saúde. Como eu havia dito anteriormente, nada acontece por acaso… esse era o plano de Deus para nós…

Então não posso sentir nenhuma culpa. Culpa eu teria se tivesse insistido em algo que não fosse para o bem da minha filha. E no final das contas, a minha cesárea teve um gostinho de parto normal, sabia? Todas aquelas mães que chegavam com seus carrinhos e malas já tinham sua data e horário marcados. Já sabiam quando seus pequenos viriam ao mundo. Comigo foi diferente, a cada ida ao médico havia a expectativa em saber se seria aquele “o dia”. Ao descobrirmos o baixo líquido, foi aquela correria toda no hospital para preparar quarto, equipe, avisar família, pegar câmera, a sensação era como se minha bolsa tivesse rompido pelo corre-corre que foi… Por isso, minha cesárea teve cara de parto normal, foi cheia de emoções!”.

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