Mais

Depoimento Elaina Furlan

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Elaina Furlan, mãe de Davi, 6 anos, Daniel, 4 anos e Sara, 8 meses.

 

“A história do meu parto começou no dia em que me descobri grávida, ou acho que até antes. Explico.

Anúncio

FECHAR

Sempre sonhei em ser mãe, já disse isso várias vezes aqui, e dentro deste ‘pacote de ser mãe’ queria ter um parto normal. Não sei porque, inexplicável, mas tinha uma vontade imensa de sentir as dores das contrações e sentir meu filho nascendo. Quando engravidei a primeira coisa que fiz foi conversar com meu GO para ver se ele faria um PN ou se ele era daqueles cesaristas que tem preguiça de trabalhar. Para meu alívio (e não surpresa, pois já o conhecia de longa data e sabia que ele não tem medo de serviço e é um medico excepcional) ele fazia PN sim, apesar de mais da metade ser cesárea, mas não por vontade dele, mas sim das mães que optam por esse tipo de parto.

Fiquei então muito feliz e comecei a ler/pesquisar tudo sobre PN. Assistia feito doida aqueles programas da Discovery Home and Health sobre nascimentos, maternidade…Comprei muitos livros e li tudo que podia sobre PN. E com isso me sentia muito segura em fazê-lo.

Quando estava com 32 semanas de gestação tive as tão temidas hemorroidas. Não doíam um absurdo, mas incomodavam bastante e então liguei para me GO e fui vê-lo. Na consulta ele me examinou, me passou uma pomada para diminuir o incômodo e disse ao meu marido: ‘Se isso não está doendo tanto mostra que ela (eu no caso) é muito resistente à dor, o PN pra ela vai ser moleza!’. Quando ouvi aquilo fiquei radiante! Pelo menos aquela coisa incômoda serviu para alguma coisa, ouvir aquilo do meu GO foi muito bom.

Então quando entrei na 38ª semana de gestação meu GO me perguntou se ainda queria um PN e eu respondi que sim, então teria que vê-lo duas vezes na semana e fazer o teste do Perfil Biofísico Fetal toda semana. E eu não me importei, desde que conseguisse meu PN faria tudo que ele me pedisse.

Então lá fui eu para o primeiro exame. Para quem não conhece, esse exame verifica as contrações, o movimento do feto e faz um ultrassom que verifica movimentos respiratórios do feto, grau da placenta…um monte de coisas, e no final do exame o feto ganha uma nota de 0 à 10, 0 se o feto está morto e 10 se está tudo excelente, e nesse primeiro exame o Davi tirou 10! Fiquei muito feliz ao levar o exame pro meu médico, e olhando o exame ele viu que o Davi estava com o cordão em volta do pescoço. Não era caso de desistir do PN, mas ele deveria ficar mais atento ao andamento do PN (muito atencioso!).

Com 39 semanas fiz novamente esse teste, só que aparentemente o Davi estava dormindo (o que mais pra frente vi que estava mesmo, pois ele foi muito dorminhoco de RN) e tiveram que estimulá-lo com uma buzina, aquelas Air Horn, e os batimentos dele foram para quase 200, fiquei com uma dozinha dele, mas apesar disso também tirou 10 novamente. Só que ele pediu também o exame de urina 24 horas para detectar proteína, e o problema foi que deu positivo leve, como minha pressão já estava um pouco elevada, fui diagnosticada com uma pré-eclâmpsia bem leve, mas já não estava tão tudo bem assim.

Ao levar o exame ao meu médico ele me examinou e percebeu que o Davi estava muito alto e eu não tinha nenhum sinal de trabalho de parto, mas poderíamos esperar mais uma semana devido ao resultado do último exame, e se nada acontecesse até lá ele estaria mais "arisco" quanto à minha decisão.

E lá fui eu fazer novamente o exame, agora com 40 semanas, só que nesse exame o Davi já tirou 8, pois vimos que ele não tinha crescido tanto, o líquido amniótico estava beeem baixo e a placenta tinha envelhecido muito de uma semana para outra (o que não é problema desde que não interfira no crescimento fetal). Com isso saí do laboratório muito nervosa, pois via que um PN poderia não acontecer. 

E lá fui eu para o consultório do meu médico novamente, e como ele mesmo disse, ele estava mais arisco quanto minha decisão de PN. O que foi maravilhoso foi que meu GO dizia que essa era uma opção minha (ter PN) até que ele começasse a encontrar riscos, a partir daí tomaríamos decisões juntos e eu também teria que esta disposta a correr riscos. E quando ouvimos "correr riscos" em relação ao filho, a coisa muda de figura. Então ele me explicou que eu não tinha absolutamente nenhum sinal de trabalho de parto, o Davi continuava muito alto e ele estava bem grande, aí ele me deu as opções, poderia me internar para indução, mas não me aconselharia pois como não tinha nada de dilatação poderia demorar dias (e não horas…) e no decorrer da indução poderia ocorrer algum problema (por causa da pré-eclâmpsia que poderia piorar muito) e aí teria que partir para uma cesárea de emergência, o que nunca é bom; ou então poderia marcar a cesárea, já que eu estava com 40 semanas e 4 dias, seria mais seguro para mim e para o Davi.

Com essas informações em mãos acabei sim optando por marcar a cesárea. Isso foi numa terça-feira e ele ainda me deu uns dias de lambuja, pois só agendou para a sexta (quando completaria 41 semanas) e quem sabe até lá algo não mudaria e eu entraria em trabalho de parto (ele foi muito atencioso e maravilhoso, pois viu como eu fiquei chateada com a cesárea então ainda quis tentar esperar mais um pouquinho, é aí que vemos a competência e amor à profissão de um médico).

Porém chegou a sexta-feira e eu não tinha sentido absolutamente nada! Então lá fui eu para o hospital para a cesárea agendada (que para mim isso soava como uma sentença de morte de tão ruim). Ao chegar lá fiz minha ficha de internação e tive que ficar esperando meu médico na recepção, pois o hospital estava lotado.

Quando ele chegou colocaram em mim aquela camisolinha transparente de centro-cirúrgico horrível, me colocaram em uma cadeira de rodas e me fizeram esperar quase 1 hora dentro do centro cirúrgico! Achei um absurdo! E meu marido com as bagagens na recepção, pois ainda não tinha quarto…

Nesse tempo que fiquei sozinha no centro cirúrgico esperando começou a passar um monte de coisas (bobagens claro) na minha cabeça. Entrei em pânico quase que não queria mais ter filhos, já que não podia ter parto normal, não queria mais nada (olha que horror!).

Então quando (finalmente) me levaram para a sala de cirurgia mediram minha pressão e estava 18/10! MUITO ALTA! Isso causou uma preocupação geral nos médicos que acabaram colocando um sedativo mais forte no meu soro, conclusão, depois disso eu mal me lembro do que aconteceu. Lembro de meu GO falar comigo (mas não o que ele falou), a anestesista também, do momento que estavam tirando o Davi pois senti uma falta de ar absurda e achei que fosse morrer (dramática!) e de me mostrarem o Davi, só. Depois me lembro de estar na sala de recuperação e aí subi para o quarto.

E foi aí que eu fiquei sabendo realmente de tudo como tinha sido meu parto. Assim que começaram a tirar o Davi viram que ele estava com duas voltas do cordão no pescoço e já estava estrangulando, tanto que ele tinha uma marca roxa no pescoço devido ao início do estrangulamento, ou seja, se eu tivesse entrado em TP ou mesmo tivesse uma única contração, meu menino podia não ter aguentado…

Ao ouvir aquilo fiquei muito assustada e ao mesmo tempo muito aliviada por saber que tudo correu bem, e se eu tivesse sido mais teimosa e insistido mais no PN, eu poderia ter perdido meu Davi. Eu estava tão longe do TP que aquele tampão que recobre o colo do útero estava ainda tão preso que meu médico teve que retirá-lo por dentro do útero, segundo ele eu só entraria em TP dali a uns 3 meses!

Foi aí que percebi que não importa o modo como ele nasceu, o que importava era que meu filho estava ali forte, saudável e que teríamos a vida inteira juntos.

Sei que o meu Deus faz todas as coisas perfeitas, ainda não entendi o porquê de eu não ter tido um PN que eu tanto queria, mas o que eu sei é que Ele cuida de nós mesmo sem sabermos do que precisamos, e isso é maravilhoso.

Hoje olhando para trás não me arrependo de nada que fiz, pois vejo que fiz de tudo para conseguir o que queria, mas por algum motivo não pude ter PN, tinha (tenho) um marido que me apoiava em todas minhas decisões e um médico super competente que me deixava tranquila em tudo que estava acontecendo (confiava cegamente nele), eu sabia que tinha suporte de todos os lados e foi por isso que tudo correu da melhor maneira possível. 

E quanto à recuperação? Dizem que a cesárea dói depois não é? Pois bem, senti um pouco de dor no segundo dia pós-cirurgia, mas depois disso foi amenizando e com dez dias eu já estava zerada! Isso mesmo, não sentia mias absolutamente nada de dor da cesárea, em compensação para amamentar foram 3 meses de sofrimento, mas consegui 6 meses de amamentação exclusiva e fomos até 1 ano e meio”.

Pais&Filhos TV