Mais

Depoimento Bianca Simões Cardoso

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

29/01/2013

Bianca Simões Cardoso, mas podem me chamar, mãe de Manuela, 1 ano e quase 2 meses

“Desde que descobri a gravidez, minha intenção era fazer parto normal. Mas conforme o tempo foi passando, comecei a ter um certo medo, pois na minha última consulta no cardiologista, ele me disse que eu tinha Prolapso. Confesso ter tido medo com o passar do tempo, pois normalmente meu coração já é acelerado…e ficava pensando se a força do parto normal seria bom pra mim e para o bebê. Então, decidi pela cesárea.

Anúncio

FECHAR

Como minhas amigas, em sua maioria, tiveram parto Cesárea, me disseram que era super tranquilo, com recuperação rápida e dor suportável. Eu não tinha medo do pós-parto. E a cada vez que ouvia elas dizendo desta forma de suas experiências, eu ficava mais e mais certa de que esta era a opção correta.

Minha gestação foi muito tranquila….não tive complicações e o parto foi marcado para 25/11/2011, quando eu já estaria com 39 semanas. Chegou o grande dia, e fui às 7 da manhã, em jejum, para ganhar a minha filha às 14hs. Mas minha médica estava viajando e chegaria neste dia. Então, ela se atrasou e o parto começou às 17hs. Eu já estava "morrendo" de fome, mas muito ansiosa pela chegada da minha princesinha.

Me lembro que pela demora, minha mãe e meu pai resolveram esperar um pouco lá na cantina do hospital quando o maqueiro chegou para me buscar e eu disse que sem dar um beijo nos meus pais eu não iria a lugar algum…rsrs. Assim, meu marido ligou para eles, que vieram na hora para um abraço apertado, já que quem iria assistir meu parto seria meu marido.

Entrei na sala de parto…estava um pouco tensa… sem saber o que esperar…mas confiante que daria tudo certo! Pedi muito à Nossa Senhora para estar comigo e que nada de ruim acontecesse! Me sentia bem! Então, depois da anestesia, meu marido entrou na sala…como foi bom vê-lo ali ao meu lado!

Começou o parto e como em um passe de mágicas, a médica falou: "Olha, ela é cabeluda…vamos contar até 10!". Só que aí começou meu desespero… a médica contava bem devagar, tipo: 1, 1.2, 1.3, 1.4 e assim por diante…e o clima estava ficando tenso. Minha filha assim que a minha barriga foi aberta, ela subiu e ficou presa em minhas costelas. Nossa…A equipe tentava não demonstrar, mas as coisas já não estava muito bem. Meu marido nem piscava…e eu não estava entendendo nada! Foi preciso fazerem muita força sobre meu peito para que ela se soltasse. A médica praticamente "mergulhou" com as duas mãos dentro de mim… e a pressão era demais. Mal conseguia respirar. Enfim, às 17:57hs minha filha nasceu.

Não chorou. E eu estava uma pilha já… o que estaria acontecendo? Ninguém falava nada…e meu marido continuava sem piscar. Estava branco, e segurava com força minha mão. Então, às 18hs em ponto (na hora do terço), ouvi um choro bem fraquinho e logo me mostraram ela… Foi muito rápido…o tempo de uma foto e a levaram para fazerem os primeiros procedimentos. Eu estava feliz! O parto tinha acabado e minha filha estava ali. Nossa família estava completa!

Saí dali e fiquei um tempo no pós parto… sozinha…com medo, mas feliz! Quando fui para o quarto, meus familiares estavam lá. E logo minha filha chegou e já começou a mamar! Nossa… como eu estava radiante!

Mas conforme a anestesia foi passando, as dores começaram. E eu não aguentava nem mover minha cabeça. A pior parte foi levantar da cama, pois estava com meu corpo todo dolorido e era uma dor cada vez maior.

Me falaram que depois do banho a gente fica novinha em folha…mas comigo não foi assim! Eu estava com tanta dor que não conseguia erguer meu tronco e nem respirar direito. Tive muitos, mas muitos gases e isso dificultava tudo. Tomei até morfina, mas as dores eram muito grandes.

Tive alta… e mal conseguia andar com minha filha nos braços… e passei a primeira semana na casa da minha mãe. Que semana terrível. Não conseguia deitar e nem andar direito. Não conseguia rir e nem tossir…foi brabo! Achei que nunca mais voltaria ao normal. Minha barriga estava horrível…e eu só chorava! Ninguém entendia nada…e achava que eu estava fazendo charme…. mas não era bem assim, era realmente uma dor insuportável.

Quando vim para casa, precisei da ajuda de amigos, que se revezavam para me ajudar. Meu marido trabalhava e eu me sentia um lixo por não fazer nada, porque até em dar um banho na minha filha, me incomodava. Não tinha posição para fazer nada! Então o tempo foi passando e eu não parei de menstruar, não conseguia colocar a cinta, meus pontos pareciam que iriam abrir a qualquer momento e meus seios estavam super doloridos…

Comecei a sentir uma dor bem na altura das costelas…a médica disse que não era nada, me pediu uma ultra da mama que deu normal. E assim fui levando. Alguns dias me sentindo um pouco melhor, outros não queria ver ninguém.

Depois de 1 ano, resolvi procurar um ortopedista para relatar estas dores e ele me pediu um raio X. E o resultado não poderia ter sido diferente, 2 costelas quebradas durante o parto.

Meu Deus! Então este era um dos motivos das minhas dores… por isso não conseguia nem respirar fundo. Eu fiquei chocada. Mas depois de pensar a respeito, cheguei a conclusão de que teve a mão de Deus nesta história. Se eu não tivesse sentido tanta dor nos pontos, eu teria talvez abusado fazendo coisas de casa…e aí, poderia ter tido algo pior devido às costelas fraturadas. Mas eu evitava fazer esforço e com isso já está calcificado. Torto, com calo ósseo. Mas tudo bem…não tem mais o que fazer. Já aconteceu, e não tem como mudar isso.

A minha filha é meu maior presente, e confesso que por ela, este parto, mesmo complicado, valeu a pena”.

Pais&Filhos TV