Gravidez

Durma com uma barriga dessas

Saiba o que se passa com seu corpo e como ter horas de sossego na cama mesmo quando você está enorme

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

como dormir na gravidez

Depois de arrumar os travesseiros pela cama, ajeitar-se da melhor maneira possível, levantar, ir até o armário para pegar mais travesseiros, se esquecer da dor nas costas e conseguir dormir um tempinho… bum! Lá está você de olhos arregalados de novo, em plena madrugada, justo no finalzinho da gravidez. Nem parece que poucos meses atrás, no início da gestação, você sofria do contrário (ah, que delícia!): vontade de dormir o tempo todo.

Os nove meses de gestação propiciam à mulher dois momentos diferentes em relação ao sono. No primeiro trimestre, os bocejos chegam até antes do resultado positivo do teste de gravidez. Dá vontade de dormir muito – se não o tempo todo, pelo menos várias horinhas espaçadas ao longo do dia, para quem pode se dar a esse luxo, claro. As pernas pesam, os olhos idem e, quando você menos percebe, está pescando. “Senti um cansaço enorme num domingo de outubro e notei que aquilo não era normal”, conta a secretária mineira Patrícia Aparecida Mariano, mãe de Isabela. “A única coisa em que consegui pensar foi: na gravidez da minha primeira filha, havia passado pela mesma coisa”. Bingo. Ela estava grávida de novo, agora, de um menino.

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Ter muito sono nos primeiros meses de gestação é normal. O aumento dos níveis de progesterona, uma espécie de sedativo natural, ajuda a provocar a sensação. “Nessa fase, o bebê está na chamada embriogênese (processo de formação do embrião), que ‘puxa’ muita substância materna”, explica o médico Mário Antônio Martinez Filho, chefe de equipe de ginecologia e obstetrícia do Hospital e Maternidade São Luiz/Itaim, filho de Mário
e Daria.  “Por isso, mesmo que a mãe se alimente corretamente e use suplementos de vitaminas, acaba se sentindo muito mais cansada que o normal.”

Portanto, nada de pânico: a saída é conversar com o chefe e procurar tirar cochilos rápidos ao longo do dia sempre que possível. E se, no trabalho, não dá nem para piscar o olho, em casa, deite mais cedo, acorde mais tarde e se for dessas privilegiadas que moram perto do escritório ou trabalham em casa, tire uma sonequinha na hora do almoço. Fique alerta, no entanto, se o cansaço aumenta progressivamente e você se sente cada vez mais indisposta – pode ser sinal de anemia. A solução é, sempre, conversar com o médico. E ficar, na medida do possível, bem tranqüila e calma. De preferência deitada. E dormindo.

 

Vira-vira na cama

Também é no comecinho da gravidez que a futura mamãe, provavelmente, terá de modificar um de seus hábitos mais arraigados: a posição para dormir. Os seios ficam muito sensíveis desde os primeiros dias, o que é má notícia para as que sempre pegaram no sono de bruços. “Deitar de barriga para cima também não ajuda as que têm tendência ao ronco ou à apnéia (parada da respiração durante o sono)”, diz a neurologista Rosana Cardoso Alves, filha de Antônio e Conceição.

O melhor é ir se acostumando com a posição ideal para gestantes: o decúbito lateral esquerdo. Traduzindo, goste ou não, será melhor deitar-se sobre o lado esquerdo do corpo. Essa acomodação deixa livre a veia cava, que devolve o sangue da parte inferior do corpo para o coração. Conforme sua barriga vai aumentando, o útero pressiona mais e mais essa veia quando você se deita do lado direito, o que pode trazer falta de ar. “Nas grávidas com hipertensão, dormir do lado esquerdo é obrigatório”, alerta o obstetra Mário.

Depois de um período de calmaria no segundo trimestre, quando o sono se regulariza, o terceiro volta a abalar as noites da gestante. “Eu dormia às 22h e, por volta de 2h da manhã, acordava e ficava assim até lá pelas 5h, quando o sono voltava com força total”, conta Jeanne Macedo, de Manaus, que fez um diário dos nove meses. “Os movimentos do bebê, a falta de ar, a vontade de urinar várias vezes durante a noite graças à compressão da bexiga pelo útero, a compressão da veia cava, a ansiedade com o futuro, tudo pode dificultar o sono no final da gestação”, diz Mário.

Alguns livros para gestantes, daqueles que provavelmente você pega para folhear enquanto não consegue pregar o olho, afirmam que essa falta de sono é uma espécie de treino para as noites em claro que você vai passar depois que seu filho nascer: amamentando quase de hora em hora nas primeiras semanas, acalmando seu bebê que chora de cólica um pouco depois, esperando ele voltar da balada depois de alguns anos… É um pouco como dizer que fazer regime é uma forma de preparo para passar dias de fome, mas a verdade é que a vida mudou e seu relacionamento com o sono nunca mais será o mesmo.

Passar algumas horas rodando na cama não prejudica a mãe ou o bebê – desde que, é claro, ela consiga dormir em algum momento. Caso a insônia vire um transtorno incontornável – como passar a noite toda em claro –, é bom pedir ajuda de algum medicamento fitoterápico para o médico. Não tome nada sem a autorização dele.

Quando a causa da insônia é a ansiedade, a psicoterapia pode ajudar. A administradora de empresas paulista Simone Laporta, grávida de sete meses, buscou esse caminho. “Por volta do quarto mês de gravidez, eu já não dormia direito, ficava pensando mil coisas”, conta. “Além de passar por um psiquiatra, que receitou um remédio inócuo para o bebê, estou fazendo terapia para vencer a ansiedade. Tenho dormido muito melhor.” Agora feche esta revista, pegue suas almofadas e vá descansar um pouco.

Para uma noite tranquila

  • Durma com travesseiros extras onde sentir necessidade, como entre as pernas, sob a barriga ou atrás das costas. Existem modelos especiais para grávidas, procure em lojas de artigos para bebês.
  •  Durma sobre o lado esquerdo do corpo. Caso sinta muito desconforto na coluna, vire-se por alguns segundos, mas volte à posição.
  •  Atenção à temperatura do quarto. A gestante geralmente sente bem mais calor que o normal, e uma colcha a menos pode fazer muita diferença.
  •  À noite, faça refeições leves. Evite carnes, alimentos de difícil digestão e aqueles que lhe dão azia.
  •  Um copo de leite morno ou um chá de ervas pode ajudar você a pegar no sono mais facilmente (já que levantar para urinar é mesmo inevitável).
  •  Pratique exercícios físicos durante o dia, mas somente aqueles indicados para gestantes, como hidroginástica, ioga, alongamento e caminhadas curtas.
  •  Mantenha a regularidade.  Dormir e acordar sempre no mesmo horário irá ajudar tanto o seu sono como, futuramente, o do bebê.

FONTE: Neurologista Rosana Cardoso Alves

 

Livre-se dos pesadelos

Muitas futuras mamães sofrem com pesadelos nas últimas semanas de gestação. Em parte, os sonhos ruins são resultado da posição desconfortável na cama – quantas vezes você já acordou de um pesadelo e estava de barriga para cima, quase sem ar? Mas a responsabilidade é também da cabeça da grávida, que vai somando preocupações na mesma velocidade que evolui a gestação. É normal ter medo do parto, de o bebê ter algum problema, de não saber cuidar do bebê, de não poder amamentar, de deixar o companheiro de lado, de não retornar ao peso normal, de perder a vida social… Os temores variam de mulher para mulher. Para não deixar que eles virem imagens horríveis, só há uma receita: expôr seus medos. Converse e desabafe com seu companheiro, com uma amiga ou com outras grávidas. Caso nem assim você consiga se livrar dos fantasmas, a terapia com um psicólogo pode ajudá-la. É um momento de grande transformação, que assusta mesmo, e a gente precisa de todo o apoio que puder conseguir.

Consultoria: Rosana Cardoso Alves, neurologista, tel.: 3083-6427; Mario Antonio Martinez, ginecologista e obstetra, 5908-8711.