Gravidez

Cesárea e problemas de saúde

Parto cirúrgico aumenta chance de obesidade e diabetes no bebê

Redação Pais&Filhos

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Pesquisas revelam que crianças que nasceram de cesárea podem ter diversas complicações na vida adulta

Por Marianna Perri, filha de Rita e José

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Se antes o parto natural era a única forma de tirar o feto na barriga da mãe, atualmente as cesáreas ganharam espaço nas maternidades, principalmente no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam que as cesáreas representam 80% dos partos realizados na rede particular. Entre todos os partos feito no Brasil, 42% deles são feitos cirurgicamente.

Isso ocorre porque as mães já têm uma idéia pré-concebida de que tipo de parto querem, além de terem medo das dores do parto. Mas o que poucas delas sabem é que a cesárea não só traz mais chances de infecções e complicações para a mãe, como também pode prejudicar a saúde dos filhos.

Diversas pesquisas apontam que os partos cirúrgicos, principalmente aqueles com hora marcada, podem ser feitos antes da hora e deixar seqüelas nas crianças.

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Um estudo divulgado pela Universidade de São Paulo apontou que a cesárea aumenta em 58% os riscos de obesidade. O estudo acompanhou 2.057 pessoas do dia do nascimento aos 25 anos e descobriu que 15,2% dos bebês nascidos por cesariana estavam com o Índice de Massa Corpórea acima de 30 – o que indica obesidade. Entre aqueles que nasceram de parto normal, apenas 10% eram obesos.

Mas os quilos extras são apenas um dos problemas causados pela cesárea. Segundo dados coletados pela Queen"s University em 2008, os bebês nascidos por cesariana tem 20% mais chances de desenvolverem diabetes tipo 1. Isso ocorre pois estes bebês entrariam primeiro em contato com as bactérias do hospital, e não da mãe, o que prejudicaria seu desenvolvimento.

Os bebês nascidos cirurgicamente também apresentam mais problemas respiratórios, já que o sistema é o último a ser formado. A cesárea com hora marcada pode ser feita antes do processo completo de desenvolvimento dos pulmões, uma vez que é difícil especificar a data certa da concepção.

Normal ou cesárea?

Encarar uma cirurgia sem dor ou seguir a natureza e fazer um parto normal? É uma dúvida que assombra muitas mães durante a gestação, ou até mesmo antes da mulher engravidar. Segundo o obstetra Sérgio Toledo, pai de Rodrigo e João, grande parte delas chegam no consultório com uma ideia formada sobre o parto. E, para ele, é papel do médico “desmistificar estas idéias” e optar pela via mais segura de parto, mostrando os prós e contras de cada opção e respeitando a mulher.

Mas, apesar da campanha do governo pelo incentivo ao parto natural e a presença maior das doulas durante o nascimento de bebês, a cesárea ainda está na lista de “desejos” das futuras mães.

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É o caso de Raquel Kuhn, mãe de Leonardo. Mesmo com as explicações da obstetra, ela não mudou de idéia sobre o parto. “Desde o primeiro momento a minha opção era cesárea. Sempre achei que não precisava sofrer tanto para ter um filho.”

No caso de Fabiana Rodriguez, mãe de Bruno, o parto natural era uma vontade, mas a cesárea foi inevitável. “Aguardamos até a 40ª semana, mas eu não tinha dilatação ou contrações. Decidimos fazer cesárea e foi uma decisão acertada, já que meu filho pesava mais de 4 kgs e estava em início de sofrimento fetal”, conta.

As mães que têm medo do parto natural, mas também receiam fazer uma cirurgia para a retirada do bebê devem saber que é possível entrar em trabalho de parto e partir para uma cesárea. Ou até mesmo passar um pouco da data prevista para dar mais segurança sobre o desenvolvimento do pequeno.

Foi o caso de Thais Scavassa, mãe de Eduardo, que desistiu da cesárea por medo das dores do pós-operatório. Segundo ela, a obstetra influenciou na sua decisão, dando liberdade para a escolha do parto e tirando dúvidas. “Ela me deixou muito tranquila para tentar o normal, me explicou que eu poderia sentir a dor para saber se suportaria e, caso contrário, faríamos a cesárea”, disse.

Antes de optar pela cesárea, conversa com seu médico. A cirurgia só é indicada quando a mãe ou o bebê correm o risco de uma complicação maior ou quando a mãe já realizou duas cesáreas anteriores.

A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo divulgou um vídeo sobre os riscos da cesárea com hora marcada. Veja aqui.

Consultoria: Sérgio Floriano de Toledo, pai de Rodrigo e João, professor de Obstetricia da Faculdade de Ciências Médicas de Santos e diretor da Associação de Obstetricia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP)

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