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Doenças de inverno: saiba quais são os riscos e como prevenir

O inverno chegou em muitas regiões do país e trouxe com ele doenças causadas pelo clima frio e seco, que exigem atenção especial para não se agravarem

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

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Desde 21 de junho estamos enfrentando a estação mais fria do ano. Em muitas cidades, como São Paulo, as pessoas já passaram por tardes geladas e madrugadas mais frias ainda. É hora de tirar os casacos e luvas dos armários e voltar a usar toda noite os cobertores e edredons mais pesados. Mas o inverno é também a estação mais seca do ano, na qual diminuem a umidade relativa do ar e a ocorrência de chuvas. Estação ideal para que as doenças respiratórias, principalmente as transmitidas por vírus, cheguem com tudo em nossas famílias. De acordo com o DATASUS – Departamento de Informática do  Sistema Único de Saúde – essas doenças são umas das principais causas de internação do país, afetando mais de 1 milhão de pessoas por ano.

Como sempre, as crianças são as mais afetadas pelas doenças de inverno, principalmente porque o sistema imunológico delas ainda não está totalmente formado. É bastante comum que, quando as crianças ficam doentes, os pais demorem mais para ficar também. Quando os pais ficam doentes primeiro, é quase certo que as crianças vão apresentar sintomas em seguida. “O sistema imunológico das crianças é mais fraco naturalmente, por isso o organismo delas demora um pouco mais para criar anticorpos”, explica a pneumologista do Hospital 9 de Julho e mãe de José Eduardo, Suzana Pimenta.

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Por isso, de acordo com a médica, os cuidados precisam ser redobrados para nossos filhos. Se forem recém-nascidos ou bebês de até 1 ano, a atenção tem que ser maior ainda, porque ainda são muito frágeis e estão expostos a doenças com as quais não tinham contato enquanto estavam no útero da mãe. Lembrando que a maioria das vacinas, incluindo a vacina contra gripe, só pode ser aplicada nos bebês depois dos 6 meses de idade. Às vezes, algumas doenças afetam um número tão grande de pessoas que causam surtos e até epidemias.

A maior parte das doenças de inverno é transmitida pelas vias respiratórias superiores, ou seja, pelo nariz e pela boca. Espirro, tosse, beijo e até mesmo um aperto de mão de uma pessoa que esteja contaminada pode transmitir as mais diversas doenças, mas cada uma delas tem uma causa. O clima instável do início do inverno também contribui para isso. Às vezes, em um mesmo dia, temos uma variação térmica de mais de 10 graus: acordamos e está fazendo 15°C lá fora, e, já no meio do dia, a temperatura chega aos 28°C e a noite, cai de novo para os 15°C. Existem dois tipos de doença que adoram essa instabilidade: as alérgicas, que, como o nome diz, acontecem por uma reação alérgica da mucosa respiratória, e as infecciosas, que são causadas por vírus ou por bactérias.

Ai, como coça meu nariz

As doenças alérgicas afetam cerca de 30% dos brasileiros e a tendência é que essa porcentagem aumente ainda mais. Vivemos em cidades cada vez mais poluídas, com um ar pouco saudável para se respirar e com as mudanças climáticas que têm deixado o clima cada vez mais seco. A poluição é outro fator que tem aumentado a incidência de doenças respiratórias, principalmente as alérgicas.

Além disso, o inverno é o momento perfeito para desempacotar os casacos e cobertores que não foram usados por muito tempo e fechar as janelas de casa, o que aumenta o número de ácaros, que causam muita alergia. Quanto mais você conseguir manter sua casa arejada para as crianças, melhor, claro. E, na escola, converse com os professores e coordenadores para saber se eles têm o mesmo cuidado em manter os ambientes fechados com janelas e vitrôs abertos, para que o ar circule melhor. Se não, já viu, é aquela velha história de que, quando uma criança da escola fica doente, todas ficam também.

No geral, as alergias são uma resposta exagerada do sistema imunológico a alguma coisa estranha ao organismo e causam reações bem específicas dependendo do que a desencadeia. Por exemplo, uma criança que é alérgica a poeira só vai começar a espirrar, coçar o nariz e lacrimejar se for exposta à poeira. É comum que as alergias diminuam ao longo da vida, mas não podem ser curadas. Por isso, até nossos filhos desenvolverem os anticorpos necessários, é bom prestar bastante atenção no que pode desenvolver reações alérgicas.

As rinites, a asma, a bronquite e as sinusites, por exemplo, são doenças crônicas agravadas por reações alérgicas e muitas vezes desencadeadas por causa de doenças mais simples como a gripe. De acordo com o pneumologista, atual coordenador da Comissão de Infecções Respiratórias e Micoses da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Mauro Gomes, filho de José Antenor e Eunice, a ocorrência de gripes e resfriados causados pelo vírus Influenza é maior, assim como a pneumonia, doença um pouco mais grave que precisa de tratamento médico imediato.

Não é só o nariz que começa a coçar quando o inverno chega. Outra doença cuja transmissão passa a ser muito mais rápida durante o inverno é a conjuntivite, uma inflamação que afeta a membrana que envolve o globo ocular e causa coceira, vermelhidão e até a produção de secreções pelos olhos. Essa doença pode ser causada por fatores alérgicos, irritativos ou infecciosos, e cada um deles precisa de um tratamento específico, por isso, se você perceber que seu filho está coçando os olhos sem parar, dizendo que eles estão cheios de areia e vermelhos, leve-o ao pediatra.

Cada doença, um sintoma

As doenças de inverno têm várias características diferentes entre si. Mas todas elas podem ser agravadas por causa de duas outras doenças que conhecemos bem: a gripe e o resfriado. “Existem vários vírus respiratórios que podem causar gripes e resfriados, pois eles sofrem mutações e se tornam diferentes com o tempo. O vírus mais conhecido é o Influenza”, explica Mauro Gomes. O pneumologista diz que os portadores de doenças crônicas precisam ter alguns cuidados a mais, principalmente nessa época do ano.

A asma, por exemplo, é uma doença inflamatória das vias aéreas, que pode ser estimulada por poluentes ambientais ou domésticos, como ácaros, animais de estimação ou fumaça do cigarro. Por isso, consulte o pediatra antes de comprar o gatinho que seu filho tanto quer. Os sintomas clássicos da asma são o chiado no peito e a falta de ar, e o tratamento normalmente é feito à base de anti-inflamatórios. A asma é uma doença que tem afetado cada vez mais pessoas, principalmente crianças. Já a bronquite é uma inflamação das principais passagens de ar diretamente para os pulmões, os brônquios.

A doença pode ser aguda (de curta duração) ou crônica (de longa duração e alta frequência). Geralmente, a aguda é causada por vírus, e no início afeta o nariz, a garganta e depois se espalha para os pulmões.

Outra doença que afeta muito mais as crianças do que os adultos é a otite, uma infecção nos ouvidos que causa bastante dor por causa do acúmulo de fluidos no aparelho auditivo. Começa com uma infecção respiratória e é tratada com antibióticos, mas muitas crianças precisam fazer lavagens. Se não tratada, pode causar problemas de audição e outras complicações graves. Se a criança reclamar de dores de ouvido, zumbidos, dores de cabeça, tonturas e problemas para dormir, leve-a ao pediatra.

Saiba como evitar
As doenças típicas do tempo frio e seco, mesmo as crônicas, podem ser prevenidas. De acordo com a pneumologista Suzana Pimenta, evitar aglomerações e espaços muito fechados com as crianças é o ideal. A partir dos 6 meses, uma forma de prevenção é a vacinação oferecida pelo Sistema Único de Saúde e por clínicas particulares, que protege contra os principais tipos dos vírus da gripe. “Em casa, você pode colocar uma toalha molhada no quarto para deixar o ambiente mais úmido”, indica a pneumologista.

Entenda a diferença entre a gripe e o resfriado

Fonte: Delboni Medicina Diagnóstica

GRIPE
• Causa: É causada pelo vírus Influenza
• Duração: Dura de 7 a 10 dias
• Vacina disponível: Sim
• Sintomas: Há febre alta, tosse, espirros e coriza
• Complicações possíveis: Pneumonia

RESFRIADO
• Causa: É causado por mais de 20 tipos de vírus respiratórios
• Duração: Dura de 2 a 4 dias
• Vacina disponível: Não
• Sintomas: Febre baixa, com espirros
• Complicações possíveis: Otite, sinusite ou bronquite