Família

Silêncio e barulho das emoções

O transtorno seria a falta de emoções dos filhos ou o excesso dos pais?

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

25/10/2012

Em sua coluna diária para o jornal Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris, traz um questionamento sobre o peso das emoções. Seríamos bombardeados por emoções excessivas que funcionariam como uma caricatura de referências teatrais de amor, sofrimento e afins?

O psicanalista mostra que na década de 60 assistimos a uma supervalorização das emoções, como se sua livre expressão fosse a marca da autenticidade. “Sem suspeitar que talvez estejamos expressando emoções muito além do que realmente sentimos, consideramos a ausência de emoções como um defeito, num arco que vai da frieza (considerada dissimuladora) até verdadeiros transtornos, como atimia (falta de emoções) ou alexitimia (incapacidade de expressar emoções)”.

Anúncio

FECHAR

Em uma realidade na qual a expressão dos sentimentos é primordial, pessoas irão se surpreender e estranhar ao se depararem com a atimia. Calligaris observa que essa falta de emoções é, provavelmente, uma falha de comunicação entre os hemisférios do cérebro. Há, ainda, quem afirme que seria causada por pais frios e distantes, que desejam aumentar a autonomia dos filhos.  O psicanalista contrapõe: “constato que há adolescentes que fogem para a aparente "frieza" da alexitimia porque, de fato, eles não aguentam o excesso de emoções teatralizadas pelos pais”.

Por isso, ao invés de buscarmos uma justificativa para entender um possível transtorno para a falta de emoções para os filhos, pode-se passar a questionar se há, na realidade, e um excesso de emoções dos pais ‘baby boomers’ (nascidos entre 1945 e 1965).

“A máscara que pesa e nos sufoca talvez não seja (no estilo 1960) a cara impassível que esconderia nossas emoções reprimidas. As máscaras que pesam e nos sufocam talvez sejam as que vestimos para expressar e teatralizar emoções excessivas e obrigatórias, que todos esperam de nós”, finaliza.

 

 

Pais&Filhos TV