Família

Saiba como proteger seu filho contra a pedofilia

Nem sempre é fácil descobrir se seu filho está vulnerável

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Pedofilia é assunto sério. Todos os dias lemos nos jornais notícias sobre abuso sexual contra crianças e adolescentes, casos horríveis que envolvem pais, padrastos, professores e até líderes religiosos. A violência pode vir de qualquer lugar e é isso que mais assusta.

Os pedófilos sabem agir de uma forma bem discreta, por meio de presentes e agrados, sem deixar rastros. Por isso, todo cuidado é pouco, o adulto costuma identificar o que a criança quer, o que ela gosta e do que ela precisa. Assim, se aproxima lentamente, criando a imagem de uma pessoa cooperativa, participativa e disposta a ajudar. Quando finalmente ganha a confiança da criança (e dos pais dela), parte para o “ataque”.

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Não é de hoje que existem pedófilos e estupradores. Isso sempre existiu, mas antes as histórias ficavam entre quatro paredes ou eram abafadas pela família. De uns tempos para cá, as vítimas resolveram colocar a boca no mundo. Quanto mais denúncias aparecem, mais gente se sente encorajada a denunciar. E, claro, quanto mais esse assunto aparecer na mídia, mais as crianças ficam informadas e atentas.

A apresentadora Oprah Winfrey fez um a série de matérias sobre o assunto em seu programa, durante os meses de abril e maio de 2010. Nelas foi mostrado que meninos e meninas que reagiram ao ataques – gritaram, fugiram ou contaram aos pais – não sofreram abuso. Essas crianças escaparam porque sabiam o que estava acontecendo.

Há duas medidas fundamentais que os pais devem tomar. Em primeiro lugar, é muito importante conversar.

A melhor forma de prevenir é o diálogo. Claro que o tom da conversa vai depender da idade da criança. Se ela for pequena, diga que ninguém pode tocar em determinadas partes do corpo. Fale sobre o que é aceitável e o que não é. Assim, quando acontecer alguma coisa inaceitável (beijar na boca, tocar nos genitais), ela vai se manifestar.

Quanto maior a criança, mais aberto pode ser esse diálogo. Diga que ninguém é obrigado a fazer nada e trabalhe a auto-estima. Algumas meninas e sentem constrangidas em dizer ‘não”. Deixe claro que ela pode e deve estabelecer limites em relação ao seu corpo. O resto, “não converse com estranhos” e “não aceite nada de desconhecidos”, é óbvio! Diga, repita e insista nisso.

Em segundo lugar, preste atenção. Observe a relação de seu filho com outros adultos e fique de olho no comportamento dele. Se perceber alguma coisa diferente, como irritabilidade, ansiedade, tristeza ou comportamento sexualizado que não combina com a idade, você deve procurar um especialista. Um psicólogo vai identificar o problema.

Na maioria dos casos, a criança demora a falar do que aconteceu porque tem vergonha, acha que ninguém vai acreditar ou tem medo de levar uma bronca. É importante que aquela conversinha seja reconfortante para ela.

Um dos meios mais comuns de aproximação é a Internet. Por isso, lugar de computador é na sala. Como a criança sempre pode acessar da casa de um amigo, sem você por perto, oriente. Se estiver bem orientado, não vai deixar que estranhos se aproximem. Caso você desconfie de algum abuso, faça uma denúncia anônima pelo Disque 100. A ligação é gratuita.

É nosso dever proteger as crianças!

Para saber mais:

O Menino do Capuz Vermelho, de Marília Pirillo
Conta a história de Gustavo, um menino que é abordado por um adulto desconhecido enquanto atravessa, sozinho, o parque da cidade.
Editora Prumo (www.editoraprumo.com.br), R$ 14,90

Consultoria: Ana Maria Drummond, filha de Aracy e José Augustinho, é diretora executiva da Childhood Brasil. www.wcf.org.br
Denise Cesáreo, filha de Geraldo e Nathalia, é gerente executiva de programas e projetos da fundação Abrinq. www.fundabrinc.org.br
Liliam Sá, mãe de Orion, é vereadora e presidente da Comissão da Criança.

Veja um bate papo entre especialistas comentando o tema: