Família

Os 5 momentos mais estressantes da semana

Se as horas de tensão com os filhos são previsíveis, aprenda a recriá-los

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Os momentos de tensão com os filhos acontecem previsivelmente um atrás do outro toda semana? Isso não tem que ser assim. Se você souber como recriá-los, todo mundo sai ganhando: você vai ficar menos estressado e seus filhos também.

* Segunda-feira, 8h da manhã

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ENTRE NO CARRO. AGORA.

Não importa o quanto você se esforce todo fim de semana, você ainda se flagra martelando: “Vamos! Tênis, agasalho, lancheira, vambora!”. Porém, tudo o que as crianças ouvem é: “blah, blah, blah, blah, blah”.

DESSA VEZ: Faça o oposto de gritar. “Se você sussurrar com calma, voz firme, ‘nós temos que ir agora’, as crianças vão prestar atenção”, aconselha a colunista Carol Weston, que é também autora do livro Garotas falam: todas as coisas que sua irmã nunca te disse.

Seja sua própria treinadora emocional. Diga a si mesma: “eu cometi um erro e assumo, nós podemos tomar o café da manhã e sair de casa em 30 minutos, mas deixe-me ver como eu poderia virar esse jogo”, sugere William Doherty, Ph.D.,professor de ciências sociais da família da Universidade de Minnesota (EUA) e autor do Traga suas crianças de volta.

Controle  a criança frenética. “Se o seu pequeno está fazendo um escândalo com os sapatos errados ou tem que vestir um agasalho, não tente transmitir lições nesse momento”, adverte Denise Pope, cofundadora da Stanford University’s Challenge Success, uma organização que visa melhorar o bem estar de estudantes. “Seu filho não vai processar a informação. Ao invés disso, abaixe-se até a altura da criança, ponha as mãos nos ombros dela e converse em num tom muito abaixo do dela”, ensina dr. Pope. Explique que é isso o que ela vai vestir hoje mas que mais tarde vocês podem conversar sobre o que ela prefere usar amanhã.

NA PRÓXIMA: Suponha que algo vai dar errado. Um estilo de trabalho superprodutivo não é sinônimo de vida doméstica. Se seu filho leva dez minutos para se vestir, sempre calcule 15 minutos, explica dr. Doherty. Dessa forma, você não vai ter que importuná-lo e pequenos contratempos não farão você cair fora da programação.

Desista de ilusões. Se você acha seu filho lento, exigir que ele coma mais rápido para empurrá-lo logo para fora da porta só vai fazer você bancar o papel de chatão todas as manhãs. “As crianças não irão mudar seus hábitos básicos”, afirma dr. Doherty. “Nós podemos modelar o comportamento delas ao longo do tempo, mas não no momento”.

Promova independência. Seu filho sempre quer colocar o cinto de segurança por conta própria, mas você não tem o minuto extra pra deixá-lo tentar? “Explique que há certos dias em que você precisa sair na hora, e que ele pode praticar nos fim de semana – e acompanhe-o na tarefa”, explica dr. Pope. Antes que você perceba, ele já vai estar dominando isso e a missão vai estar cumprida.

* Terça-feira, 6h da tarde

SERÁ QUE DÁ PARA SENTAR E COMER, POR FAVOR?

Você planejou com antecedência fazer um jantar saudável, mas, na hora em que colocou o prato de brócolis sobre mesa, só caras feias. Seu filho não vai querer sentar e o leite vai derramar. Honestamente, você deveria concordar e não se incomodar.

DESSA VEZ: Lembre-se, a hora da refeição é parte da programação. “É bom para as crianças sentirem que a família faz uma pausa e então vocês podem se sentar juntos”, afirma Jennifer Altman, Ph.D., psicóloga infantil em Hastings-on-Hudson, Nova Iorque. Mesmo que eles se queixem da comida, mesmo que isso leve mais de dez minutos, no fundo, eles estão felizes por estarem lá.

Tire o foco da comida. Se seu humor está baixando ao ouvir o choro exigente, mude a conversa. Olhe seu filho nos olhos e descubra uma coisa sobre o dia dele. Divida algo do seu dia com ele. A conversa talvez dê certo, e, olha! Valeu a pena o brócolis que você picou de madrugada para fazer essa refeição acontecer.

Desligue as tecnologias. Sem textos, sem emails. Se você quer que o jantar seja o momento da família, você tem que moldar isso. “Se eu estou cozinhando com minha filha, eu não vou ficar com o celular em cima do balcão”, afirma Weston. “Eu vejo isso como ‘eu tenho sorte, e estar com ela é um momento especial para se aproveitar’”.

NA PRÓXIMA: Introduza a regra das três mordidas. Ou a regra da uma mordida. Ou a regra “você não tem que comer isso, mas vai ficar no seu prato”. Decida o que é melhor para a sua família. A questão é ter uma regra, afirma dr. Pope, então quando seu filho disser “eu não como espinafre”, você não tem que dizer “isso é bom para você” ou “sua irmã come isso”. Em vez disso, mostre indiferença com o “você sabe a regra”.

Crie rituais. Quer transformar a hora do jantar com seu filho de 3 anos? Acenda uma vela. “Quando nossos filhos eram novos, nós acendíamos uma vela, soprávamos a chama e também deixávamos uma música leve tocando durante o jantar”, conta dr. Doherty. Essas coisas tomam pouco tempo, não custam quase nada e colocam as crianças quase que num transe, ajudam a mantê-las sentadas, a comerem bem e a se engajarem na refeição.

Diga obrigado. Ensine seu filho a expressar gratidão ao fim da refeição. “Obrigado, mãe, obrigado, pai, pela comida”. Isso pode parecer um pouco forçado no começo, afirma dr. Doherty, “mas, a sinceridade vai vir naturalmente se você acostumar seu filho com o hábito de acabar as refeições desse jeito”.

* Quinta-feira, 4h da tarde

PRIMEIRO, BUSCAR NA AULA DE NATAÇÃO, DEPOIS, KARATE, E ENTÃO, UMA PASSADA RÁPIDA NO SUPERMERCADO.

Todo mundo (inclusive você) só quer ir para a casa.

DESSA VEZ: Alivie. “O que eu acho que os pais não se lembram de como é ser criança e como é difícil ficar na escola o dia todo e ser responsável por seu corpo e seus pensamentos por todas essas horas”, diz dr. Pope. “Depois disso, as crianças só querem ir embora”. Então, não espere que seu filho seja capaz de manejar até mesmo uma simples tarefa como quando você vai buscá-lo, especialmente se ele teve alguma atividade depois da escola.

Pular uma aula. Se seu filho diz que quer faltar em uma atividade –  justo quando você já estava indo para lá – explique que vocês irão discutir isso quando chegarem em casa, mas que ele deve ir hoje. “Se você sempre leva seu filho para casa quando ele pede para faltar em alguma obrigação, sua comunicação com ele é clara: ‘Você está certo, é muita coisa para você’”, explica dr. Altman. Mantendo o plano, você vai estar não apenas desenvolvendo a resiliência nele, mas também ensinando-o a tomar decisões importantes pensando as coisas até o fim, ao invés de agir impulsivamente.

NA PRÓXIMA: Compartilhe o plano. De manhã, converse com seu filho sobre o fim do dia. “Primeiro, eu busco você, depois, nós vamos levar seu irmão para o futebol e então vamos parar para comprar algumas coisas e, mais tarde, jantar”. Não assuma que seu filho não se importa com a programação de cada dia. Muitas crianças precisam saber porque isso faz com que elas se sintam mais no controle.

Misture o tempo livre. “Nosso mantra é que crianças precisam de planejamento todos os dias: tempo para brincar, tempo livre, tempo da família”, explica dr. Pope. “A hora de brincar pode ser sozinho ou com os amigos, mas tem que ser de forma livre e da escolha dos pequenos. O tempo livre é diferente para cada criança, ela tirar um cochilo, assistir à TV por um tempo ou ler um livro. A hora da família é para ler juntos, passear ou jantar”. Então, se seu filho foge do planejamento um dia, guarde o outro dia para isso. “Na minha casa, quando meus filhos eram novos, cada um tinha duas atividades por semana, e se o futebol tinha dois treinos, era contado como duas tarefas”, conta dr. Pope.

Pegue leve. É maravilhoso expor seu filho a atividades variadas, mas de vez em quando você tem que deixá-lo descobrir quais são seus verdadeiros interesses e apoiá-los. “Não force a barra e então você ficará orgulhoso dele um dia”, explica Weston. “Orgulhe-se dele agora, e esse ciclo positivo vai encorajá-lo a buscar o que ele gosta de fazer”.

* Sábado, 1h da tarde

Ensaio de dança, festa de aniversário e uma feira voluntária, tudo ao mesmo tempo! Você mentaliza esse dia durante toda a semana. Por que é que ele parece tanto com uma segunda-feira?

DESSA VEZ: Reconheça os bons problemas. Ok, verdade, isso não é nenhuma maravilha, mas tente ver um dia atribulado como um estresse positivo, como “nós temos mil compromissos hoje, uma festa de aniversário e um recital – mas isso não é exatamente uma tragédia”. Os pais definem como enxergar o lado positivo do bom estresse.

NA PRÓXIMA: Conduza uma entrevista casual. “Eu ouvi de algumas crianças que elas se sentem invisíveis em casa, especialmente se são os caçulos, sempre na cola das atividades dos mais velhos”, diz Weston. Enquanto caminham para o auditório da escola, ao invés de dizer “eu espero que sua irmã lembre as falas”, interaja: “Como você está? É muito legal estar aqui com você. Você acha que você vai querer fazer isso um dia?”. Uma rápida e  descontraída conversa vai te fazer um pai brilhante e vai desenvolver confiança em seu filho caçulo.

Faça o tempo valer. “Eu aprendi que a proximidade para crianças importa mais do que muita gente imagina”, afirma Weston. “Então, eu procuro desligar o radio no carro. Se estiver ligado, tento cantar junto com as crianças”. Quando você planeja com antecedência se divertir com seu filho, com o tempo isso vai se tornar natural. Você vai se se divertir e baixar seu estresse.

* Domingo , 7h da noite

Ai… TENHO MUITA COISA PARA FAZER…

Roupas sujas, saquinhos-surpresa de festa e trabalhos escolares espalhados por todos os cantos das casa. Tem almoço para fazer, banhos para supervisionar, uma cozinha para limpar e brinquedos para guardar.

DESSA VEZ: Separe o preciso X quero. Sim, seu filho precisa de uma roupa limpa planejada para o dia seguinte. Porém, isso não significa que todas as roupas na lavanderia precisam ser dobradas e guardadas. Isso é um ideal, com certeza. Mas, se surgirem tarefas de última hora depois de você chegar tarde em casa, deixe essas obrigações para as tarefas de segunda-feira.

Pratique aceitação. “Emoções são contagiantes em família, e as mães são a peça central das emoções”, afirma dr. Doherty. Aceitar o inevitável – ao invés de ficar reclamando – faz você baixar o estresse de qualquer um.

NA PRÓXIMA: Planeje o domingo ainda na sexta-feira. Ou, até no máximo sábado de manhã. Faça as crianças esvaziarem suas mochilas e diga a eles exatamente quando eles irão fazer alguma lição de casa. Faça os almoços no sábado de manhã depois de tomar seu café. Eliminando as tarefas de domingo todo fim de semana com antecedência, você irá criar um clima relaxado em que todos vocês serão beneficiados.

Traga sua família para o plano. Manter sua casa organizada sozinho não é uma boa ideia, talvez você precise listar a ajuda de todos. Ensine um filho mais velho a guardar a louça. Faça com o menorzinho a brincadeira do “colocar tudo no lugar” e o recompense: prometa ler para ele durante o tempo extra que você economizou não tendo que arcar com todo o trabalho pesado. 

Evite seu próprio nervosismo. “Seu estresse com relação à próxima semana pode afetar sua paciência com os filhos”, afirma dr. Doherty. Para se livrar desses sentimentos, reserve 30 minutos do início do seu fim de semana para dar uma olhada em seu calendário, fazer listas de tarefas e responder emails. Saber que você já está preparado para a segunda-feira vai te acalmar no domingo à noite.