Família

O significado do presépio

Conte a história para seus filhos

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

23/12/12
 
Por Thaís Furtado, mãe de Lucas e Sofia
 
Bonecos, fantoches e outros brinquedos são aliados importantes dos pais quando querem explicar alguma coisa aos filhos. A Barbie ajuda a mãe a convencer a filha a pentear o cabelo. O voo do Super-Homem é fundamental para que o filho, durante o banho, erga a cabeça, impedindo que o xampu faça arder seus olhos. O ursinho certamente já está imune a todas as doenças, inúmeras foram as vezes em que já tomou remédio. Contar histórias com personagens que fazem parte da vida de uma criança é uma forma fácil de tornar prazerosa alguma coisa de difícil compreensão. É aqui que entra a história do presépio. A maioria das famílias monta uma árvore de Natal, mas o presépio, antes comum, anda esquecido… Pena. Ele é um símbolo superbacana que, entendido e curtido por todos, faz com que a festa de Natal ganhe o seu verdadeiro sentido. O Natal virou o dia de “dar presente” e pronto. Alguém se lembra, na boa, sem caretice ou preconceito, o motivo da comemoração da data? Pois é, teoricamente nos reunimos para comemorar o nascimento de Jesus. Simbolicamente, o nascimento de todos nós, o renascer da vida, a alegria da vida! Se o Natal é inevitável e todo mundo acaba entrando no clima, por que não fazer dele um lance mais legal, com significado? Natal com criança já é bem mais bacana, ganha outra alegria. Tem Papai Noel, que eles amam… Mas não vamos só ficar na do presente, e reforçar o lado do consumo, não precisa! O mundo inteiro – vitrines, TV, tudo! – conspira por aí: comprar, comprar! Com toda a farra que nossos filhos possam fazer e a alegria que com certeza eles têm abrindo presentes que, claro, acaba nos deixando superfelizes, mas não pode ser só isso… E aí, de novo: resgatar a história do presépio ganha mais sentido. “O hábito de dar presentes no Natal é uma forma de reconhecer que, naquele dia, Deus se deu de presente para a humanidade através de seu filho”, explica padre José Ivo Follmann, filho de Ana Maria, doutor em Sociologia. Mas esse deveria ser um presente qualquer, uma lembrança… Mais vale dar um desenho feito com carinho para cada um da família, por exemplo, do que um presente “caro”, uma coisa de obrigação, quando o valor do tal presente passa a ser mais importante que o gesto. Que pena! Então, vamos ao resgate! Sabia que quem inventou o presépio foi São Francisco de Assis? Pois é! Em 1223, lá na Itália, onde morava, ele sacou que esse era o melhor jeito de contar às crianças como Jesus havia nascido. Era véspera de Natal. Durante a celebração, São Francisco começou a modelar em barro as figuras e assim, aos poucos, foi criando as imagens e contando a história. Estava nascendo o primeiro presépio da humanidade.
 
Era uma vez…
 
A história do nascimento de Jesus pode encantar qualquer criança. O imperador César Augusto havia conclamado os moradores do império para um recenseamento. Cada família deveria se dirigir a sua cidade de origem para registrar-se. José e Maria, grávida, saíram de Nazaré, onde moravam, para Belém. Quando estavam chegando, Maria entrou em trabalho de parto, e os dois pediram hospitalidade numa estalagem. Não foram aceitos, e assim foram obrigados a refugiar-se onde os animais dormiam, ao lado da hospedaria. Maria deu à luz o seu filho e o colocou numa manjedoura, o cocho utilizado para dar comida aos animais. A palavra presépio significa estábulo e, por isso, quando se monta a cena do nascimento de Jesus, estão alguns animais, como a vaca e o burro. Diz a lenda que naquele momento alguns pastores ouviram anjos cantando no céu. No início, se assustaram, mas os anjos pediram que eles não tivessem medo e anunciaram o nascimento do Salvador ali perto. Os pastores correram até o local indicado e encontraram o recém-nascido. Alguns dias depois, chegaram a Jerusalém três magos do Oriente que diziam ter visto no céu uma enorme estrela que anunciava o nascimento do Messias. Os magos queriam saber onde ele estava e foram informados pelos sacerdotes que Jesus havia nascido em Belém. Entre os gregos, magos eram sábios que estudavam os astros, as coisas divinas e naturais. Naquela época, havia um rei chamado Herodes, que vivia em Jerusalém. Quando ele soube da história, teve medo de perder seu poder para o recém-nascido. Chamou os magos e pediu que descobrissem o local exato do nascimento, mentindo que também gostaria de adorá-lo. Na verdade, queria matá-lo. Os três magos enxergaram novamente a estrela e a seguiram, até que ela parou no alto do estábulo onde estava Jesus. Para presentear o bebê, Melchior ofereceu mirra. Balthasar ouro e Gaspar, incenso. A mirra representa o lado humano de Cristo, o ouro, sua realeza e o incenso, a divindade. Os magos foram avisados em sonho que não informassem onde estava Jesus e partiram. O dia da visita deles foi 6 de janeiro, quando se comemora o Dia de Reis e o presépio deve ser desmontado. Quando foram embora, um anjo apareceu para José e disse para ele fugir com a família para o Egito. Foi assim que Jesus escapou da morte, pois Herodes, furioso com o desaparecimento dos magos, mandou matar todos os meninos de Belém que tivessem até 2 anos de idade. Só depois que Herodes morreu José voltou com a família para Nazaré.
 
Monte o seu
 
“Quando eu era garoto, o presépio e a árvore eram montados na véspera do Natal. As crianças ficavam na rua enquanto os adultos arrumavam tudo. Era uma grande expectativa”, lembra Follmann. Pois é, agora é com você. Tem gente que vai montando o presépio durante todo o mês de dezembro. Cada peça vai “chegando”, uma por dia: uma vaquinha, uma ovelha…Pouco a pouco, vamos reproduzindo a história, deixando a criançada participar, até o dia que “chega” o bebê. Só se coloca o menino Jesus na sua manjedoura no dia do Natal, e aí é outra farra. Pode experimentar, a gente recomenda. Depois que São Francisco fez o primeiro presépio, aos poucos o hábito difundiu-se, tornando-se uma das grandes manifestações artísticas em Nápoles a partir de 1700. Naquele período, eram construídas peças belíssimas que retratavam todos os tipos físicos da época. Havia, inclusive, competições para ver qual o presépio mais realista e mais bonito. Você também pode reunir sua família e, como São Francisco, construir seu próprio presépio, usando massa de modelar, sucata, ou até os brinquedos das crianças.
 
Consultoria
 
Pe. José Ivo Follmann, sociólogo
Museu de Arte Sacra de São Paulo

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