Família

Grito de independência

Entre os 2 e os 3 anos, seu filho passa a querer fazer tudo sozinho.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

07/09/2012

Ainda ontem, seu filho precisava de você para tudo. Agora, ele acha que é gente e quer fazer tudo sozinho. E ainda fica bravo se você resolve ajudá-lo. Calma. Ele é gente mesmo, óbvio, só que você demora a se tocar disso. Nesta fase, ele está entusiasmado com a quantidade de coisas que aprendeu a fazer em tão pouco tempo: falar, andar, relacionar-se com outras pessoas… Se já consegue tudo isso, nada parece impossível, basta tentar. Claro que muitas vezes dá errado. Ele põe a calça ao contrário, esquece de escovar os dentes do fundo… E você lá, claro, querendo facilitar tudo. Aí, seu pequeno Dom Pedro se irrita e dá o grito de independência. E como grita!  Dá trabalho dobrado acalmar o sujeito. Ele acaba ficando com a calça do avesso e pronto, não tem conversa.

Claro que, às vezes, é chato. Você está com pressa e colocar o sapato você mesmo adiantaria bastante o expediente. Mas você quer um filho autônomo, não quer? Então, tem de ter um pouco de paciência. Se ele insistir que quer comer sozinho, libere. Ele vai demorar um tempão e vai fazer uma sujeira danada, mas também vai treinar a coordenação motora e se sentir mais confiante. Coloque um babador; é só dar um bom banho depois e pronto. E é melhor não reclamar da sujeira – pelo menos na frente dele. Essa é a hora certa para elogiar. Quanto mais confiante ele for, mais coisas vai querer tentar. Conseqüentemente, mais independente vai ficar, é claro.

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FECHAR

Fernanda, 3 anos, é pequenininha, mas decidida. Ela não aceita que os adultos a ajudem para nada. Se alguém insiste, ela volta ao ponto onde tinha parado e continua a tentar sozinha. Foi assim quando ela quis sair do sofá, por exemplo.

"Ela já sabia subir, mas não conseguia descer. Se alguém a ajudava a descer, ela subia no sofá de novo”, conta a mãe, Ana Rela. E é assim que as coisas funcionam até hoje. “Quando estamos no supermercado, ela dá bronca nas pessoas que a ajudam a alcançar coisas da prateleira”, diz Ana.
Em vez de ficar impaciente, Ana aproveitou a autonomia da filha e elas viraram um time. “Se não for nada perigoso, eu deixo a Fernanda fazer até aprender. Aí, a gente faz as coisas em conjunto”, diz ela. Se seu filho insistir em tentar amarrar o sapato bem quando vocês já estão atrasados para a escola, explique firmemente que essa não é a hora. Assim que vocês voltarem para casa, ele vai ter todo o tempo do mundo para tentar. E fim de papo. Depois que ele aprender, arrumar tudo vai ser ainda mais rápido do que quando você tinha de fazer as coisas pra ele.

Mas não é tudo que a criança pode tentar, claro. Não dá para deixar seu filho pequeno cortar uma maçã, por exemplo. A criança sabe que o adulto está ali para protegê-la e a palavra final é dele. Então, delimite os papéis: é você quem corta a maçã. E ela pode comer sozinha. Quando ficar maior, vai poder fazer mais coisas.
É importante não bancar o perfeccionista, daquele tipo que interrompe a criança a cada cinco minutos para dizer que não é assim que se faz. Se a intromissão for demais, seu filho pode acabar se convencendo de que não consegue fazer as coisas direito. Deixe que ele sinta dificuldade, quebre a cabeça, tente mil vezes. A vida é assim. E, se ele pedir sua ajuda, ótimo. Mostre que pai e mãe são pra isso mesmo. Agora, se você não souber fazer alguma coisa, reconheça. Quer melhor maneira de seu filho perceber que ninguém é perfeito e sempre tem alguma coisa que a gente pode aprender?

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