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Cura do coronavírus? Anvisa nega que remédio para malária tenha efeito positivo contra doença

A melhor saída ainda é a prevenção - Getty Images
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Publicado em 20/03/2020, às 13h23 - Atualizado em 16/01/2023, às 08h53 por Yulia Serra, Editora de conteúdo especializado | Filha de Suzimar e Leopoldo


A hidroxicloroquina, droga medicinal originalmente feita para combater a malária foi vista como uma possível cura para o coronavírus, de acordo com uma pesquisa norte-americana. Na última quinta-feira, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, comentou que a droga estava aprovada para ser aplicada em pacientes comCovid-19. “Podemos disponibilizar esse medicamento quase imediatamente. Já passou pelo processo de aprovação, foi aprovado. Reduziram muito o tempo, muitos meses”, disse em coletiva de imprensa.

Mas novas informações alertam que isso não é verdadeiro. Segundo a Anvisa, o medicamento não cura os pacientes com coronavírus. “Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação. Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde”, dizia a nota. 

A Agência também complementa que entende o motivo da pesquisa, mas que é algo muito recente para ser afirmado: “Há evidência pré-clínica da eficácia e evidência de segurança do uso clínico de longa data para outras indicações, o que justifica a pesquisa clínica com a cloroquina em pacientes com COVID-19. A conclusão dessa revisão foi que dados de segurança e dados de ensaios clínicos de maior qualidade são urgentemente necessários”.

Na China, o tratamento recebeu inúmeras advertências, já que pode levar a morte com doses pequenas como dois gramas. Em um primeiro momento, o país também havia permitido o uso para pacientes em coronavírus, mas depois da divulgação de um estudo do Instituto de Virologia de Wuhan, que mostra que a droga pode matar um adulto com o dobro da quantidade diária recomendada para o tratamento, que é de um grama, suspendeu a recomendação.

Tem gente que realmente precisa do remédio

A informação falsa, contudo, já vem causando estragos, uma vez que além de tratar a malária, a hidroxicloroquina também é utilizada para combater artrite reumatoide e o lúpus, e as pessoas que realmente precisam da medicação não encontram nas farmácias. 

A farmacêutica Bianca Trindade, mãe de Gabriel e Gustavo, comentou a questão: “É um medicamento desenvolvido para malária e lúpus, muito antigo. Eu não posso afirmar que faz ou não efeito contra coronavírus. A Anvisa está agindo com um pouco de cautela, porque foram feitos testes, mas lá fora. Precisa de mais embasamento para afirmar. Precisamos de mais estudos no Brasil“.

A especialista complementa: “Pelo que eu vi do relatório da pesquisa dos EUA, ele mostra evidentemente uma boa melhora das pessoas. É muito cedo para dizer que cura tudo, mas eu acredito que se de repente mostrou eficácia lá, o Brasil também deveria liberar para fazer testes”. Para ela, o fundamental é ser um “consumo consciente”, ou seja, oferecido apenas em hospitais e não vendido em farmácias.

“A gente não pode incentivar a automedicação, porque uma pessoa pode tomar por pânico e medo e prejudicar a saúde, que estava normal. É preciso conscientização de que o remédio está sendo estudado, mas precisa de uma orientação médica. Caso contrário, irá acontecer igual o álcool gel e máscaras“, justifica.

Daniela Grecchi, mãe de Maria Eduarda, Manuela e Mariana, também mostrou o impacto disso para quem realmente precisa. “Sempre tive dificuldade pois é tudo muito demorado e sempre acabava comprando em farmácia com a receita. Nunca comprei muito. Nunca passou pela minha cabeça estocar o remédio em casa. Eu tenho Lúpus, fibromialgia, atrite, artrose, síndrome de Reynolds e Espondilite anquilosante. Além da Hidroxicloroquina, tomo Metotrexato, sulfassalazina, prednisona e ácido fólico”, explica.

Ela conta que nunca se adaptou muito bem aos tratamentos e nem medicações por conta dos efeitos colaterais. “Essa semana já tive dificuldade de encontrar nas farmácias que comprava com frequência e deixei de tomar. Continuo com os outros medicamentos. A curto prazo, não sei o que pode acarretar para minha saúde. Não sei se a parada brusca pode agravar a situação”, desabafa.

Mas acrescenta: “Não sou egoísta ao ponto de desejar que o medicamento seja vendido só com Cid da doença ou que deixe de ser testado para o coronavírus, desejo que seja útil e que possa ajudar milhares de pessoas. Apenas gostaria que todos tivessem acesso. Que pessoas como eu, que usam a tempos e que dependem desse medicamento para manutenção da saúde não sejam esquecidos e prejudicados pela falta dele”. Até o momento, o Covid-19 continua sem tratamento e vacina confirmados. O melhor caminho, assim, é a prevenção.

Cada um faz a sua parte

Confira as dicas da Sociedade Brasileira de Infectologia para reduzir o risco de infecção:

  • Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar;
  • Usar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar nas mucosas dos olhos;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • Sono em dia: criar uma rotina e respeitar o corpo é fundamental para fortalecer o organismo.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem até o momento 621 casos confirmados de coronavírus e oito mortes decorrentes da doença. O estado mais afetado é São Paulo, assim como a região Sudeste.

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