Família

Bebê prematura de 1kg viaja em incubadora improvisada com bacia de plástico

A mãe e a filha esperaram cerca de 30 minutos pelos atendimento médico - Reprodução / G1 / Arquivo pessoal
Reprodução / G1 / Arquivo pessoal

Publicado em 27/04/2022, às 10h13 - Atualizado às 10h41 por Redação Pais&Filhos


A Flávia de Sousa Lira, de 23 anos, deu à luz Elisa Vitória, bebê que nasceu com apenas 1 kg aos seis meses de gestação. De acordo com reportagem do G1, a recém-nascida precisou viajar cerca de 8 horas dentro de uma incubadora improvisada com uma boleira, um tipo de bacia de plástico. A criança percorreu quase 600 km, pois, ela saiu de Baixa Grande do Ribeiro, com destino à Teresina.

Em entrevista realizada nesta terça-feira, 26 de abril, a mãe contou sobre os momentos desafiadores que passou ao lado da filha. Situações essas que inspiraram no nome da bebê, que inicialmente se chamaria apenas Elisa – mas dada a situação, ganhou o segundo nome. No relato, a Flávia contou que antes de engravidar, ela sofreu violência doméstica do pai da criança. Por conta disso, ela sofreu um aborto. Quando conseguiu engravidar novamente, soube que sua gestação era considerada de risco.

A mãe e a filha esperaram cerca de 30 minutos pelos atendimento médico
A mãe e a filha esperaram cerca de 30 minutos pelos atendimento médico (Foto: Reprodução / G1 / Arquivo pessoal)

Aos seis meses de gestação de Elisa, a mãe começou a sentir fortes dores. No entanto, os médios a tranquilizaram e disseram que estava tudo normal. Mas com a sensação latente de que algo errado estava por vir, a Flávia pensou que sofreria um novo aborto. “Eu achei que a minha filha também não ia sobreviver. Perdi um filho na barriga há pouco tempo e os médicos falaram que minha gravidez agora era de risco. Até quando nasceu a Elisa, e ela teve que lutar. Não consegui olhar pra ela quando nasceu, pensei que viria morta”, disse a mãe. 

Momento do nascimento 

Na hora do nascimento, só estava ela e o seu filho Jonas Gabriel, de apenas 6 anos. Após duas horas de muita dor, a mãe pediu para que o filho buscasse alguma ajuda. “Ele pegou meu celular e pela foto de perfil reconheceu minha mãe e ligou pra ela. Mas não deu tempo, quando deu 19h eu tive a Elisa, em pé mesmo, e nesse momento uma vizinha entrou na minha casa e me ajudou a segurar a neném”, contou.

A Flávia disse que não conseguiu olhar para a filha, pois imaginou que ela pudesse estar morta. Mas logo em seguida, a bebê começou a chorar. Mãe e filha aguardaram cerca de 30 minutos pela chegada da equipe médica. De lá, se direcionaram ao Hospital Milton Reis, no qual os profissionais disseram que não tinham os materiais necessários para prosseguirem com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Sendo assim, informaram que a criança tinha que ser transferida para o hospital mais próximo que pudesse amparar a família.

A Elisa foi colocada em uma estrutura de plástico até chegar na maternidade neonatal
A Elisa foi colocada em uma estrutura de plástico até chegar na maternidade neonatal (Foto: Reprodução / G1 / Arquivo pessoal)

No caso, a unidade médica que conseguiu proporcionar isso ficava localizada em Teresina. Já que o hospital mais próximo, cujo se chama Hospital Regional Tibério Nunes, também não tinha as condições necessárias para a bebê prematura. A vaga foi encontrada na Maternidade Wall Ferraz, localizada na Zona Sudeste de Teresina. Mas, dessa vez, a única questão era o tempo, visto que, a maternidade ficava há mais de 8 horas de viagem.

Antes de saírem do Hospital Milton Reis e se direcionaram à Maternidade em Teresina, a equipe médica preparou uma incubadora feita com um recipiente para guardar bolo. Foram feitos alguns furos para a saída de oxigênio e a bebê recebeu um tubo de respiração. “As coisas iam acontecendo e eu só tentava ser o mais forte possível. A equipe médica falava comigo toda hora dizendo que estavam tentando dar um jeito, mas mesmo assim várias coisas passavam pela minha cabeça e ao mesmo tempo eu só pensava na saúde da minha filha (…) “.

O médico Rhuan Serra, profissional que atendeu a menina, disse: “Foi feita essa adaptação, com a retirada de um espaço para que o tubo saísse, se colocou o oxigênio aí, garantindo que ela ficasse com a respiração mantida ate chegar em Teresina”. A recém-nascida estava enrolada em um papel alumínio e cobertores para manter a temperatura corporal

Recuperação

Agora, a família respira aliviada ao saber que a filha tem se recuperado constantemente. Aos 14 dias de internação, a Elisa reage positivamente aos cuidados médicos e tem evoluções que surpreender a equipe médica. A Flávia, que também é mãe de Jonas Gabriel, de 6 anos, e de Esther, de 3 anos – conta que não vê a hora da bebê chegar em casa.

“Meu coração está a milhão. Eu não vejo a hora de chegar em casa com ela e ter meus filho perto, ter minha mãe, minha família. Completo ano daqui a três dias e o meu presente eu já ganhei: a vida da minha Vitória. Eu só tenho gratidão. Porque o que Deus fez na minha vida, um milagre acontecer na minha vida, e ter me dado essa oportunidade de viver esse milagre eu só tenho a agradecer”, finalizou.


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