Família

Alerta! Conheça o ‘desafio’ de fumar ‘cotonete’ que está rolando nas redes sociais entre os jovens

Vídeos e mostram jovens acendendo uma das pontas do ‘cotonete’ e inalando a fumaça na outra ponta - Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

Publicado em 01/11/2022, às 14h41 - Atualizado às 15h53 por Jennifer Detlinger, Editora-chefe | Filha de Lucila e Paulo


Vídeos recentes em que crianças e adolescentes aparecem ‘fumando cotonetes’ começaram a circular nas redes sociais e acender um alerta. Trata-se de um novo ‘desafio’, que já tomou uma proporção maior na Europa, em países como Portugal e França, e também chegou ao Brasil. Os vídeos mostram jovens acendendo uma das pontas do ‘cotonete’ com um isqueiro ou fósforo e inalando a fumaça na outra ponta.

Segundo especialistas, é uma tendência perigosa tanto para a saúde física, quanto mental de crianças e adolescentes. “A necessidade de chamar a atenção, de ser visto, faz com que alguns jovens sem conhecimento tomem atitudes que para os mais sabidos parecem imbecis. Mas temos que levar em consideração a imaturidade, assim como a educação em casa. E os que seguem, também estão na mesma vibe dos que fazem, mas com menos coragem”, defende Fabiano de Abreu, neurocientista e mestre em psicologia, pai de Gabriela e Nicolau.

Perigo para a saúde

Entre os danos causados ao corpo de adolescentes e crianças, especialistas destacam problemas no pulmão. “Ao se fumar um ‘cotonete’, ocorre a combustão do plástico da haste e do algodão, o que leva à liberação de substâncias nocivas que podem afetar o pulmão, tanto de a curto quanto a longo prazo. De forma imediata, pode causar tosse e hiper-reatividade brônquica, o que é prejudicial para as crianças e adolescentes que já tenham doenças respiratórias, como a asma, pois poderá desencadear mais crises. E ainda causar a inflamação da vias aéreas, o que pode levar à quadros de insuficiência respiratória aguda e, quando mais grave, à morte. Se o hábito de fumar ‘cotonete’ persistir por muito tempo , no futuro pode levar a um câncer de pulmão, igual ao cigarro comum”, explica Dra. Brunna Santana, pneumologista pediátrica do Grupo Prontobaby.

Vídeos e mostram jovens acendendo uma das pontas do ‘cotonete’ e inalando a fumaça na outra ponta (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Segundo Dr. Fabiano, fumar um ‘cotonete’ ainda pode trazer danos para o cérebro. “A inalação de fumaça causa danos cerebrais caracterizados por ativação de astrócitos, danos neuronais e axônicos mielinizados e hemorragia. Partículas nos pulmões ou na corrente sanguínea podem alertar o sistema imunológico e desencadear inflamação no cérebro”, indica.

A pneumologista ainda alerta que essa prática é ainda mais perigosa que o fumo de cigarros comuns: “O cigarro comum é prejudicial pela nicotina, que causa dependência e pela combustão das substâncias tóxicas presentes nele. Porém, ele possui filtro que controla as substâncias tóxicas, enquanto o ‘cotonete’ não possui, aumentando os malefícios deste”.

Os riscos dos “desafios”

Não é de hoje que esses tipos de desafios são espalhados pelas redes sociais. Em 2017, o “jogo da Baleia Azul” foi tão sério, que ficou associado diretamente com o aumento de casos de suicídio entre crianças e adolescentes, causando preocupação em famílias do mundo tudo. Em 2018, foi a vez da Momo, outro desafio online que usava a imagem de uma obra de arte japonesa para assustar crianças, criando conversas ameaçadoras no WhatsApp e em outras redes sociais.

Portanto, a culpa não é exclusivamente de uma rede social ou de um só desafio. É fundamental saber o que seu filho está consumindo no meio digital, mas sempre com equilíbrio. “O maior desafio para os pais que descobrem que o filho está participante desse tipo de desafios é aceitar que não há culpados a serem identificados. Ao invés disso, é preciso assumir a responsabilidade por resgatar o filho e conseguir, aos poucos, entender quais são os ajustes necessários para reconstruir a conexão em família”, explicam Roberta e Taís Bento, mãe e filha, especialistas em educação e neurociência cognitiva, fundadoras do SOS Educação, colunistas e embaixadoras da Pais&Filhos.

Para Andrea Ramal, consultora em Educação, Doutora em Educação pela PUC-Rio e autora do livro Educação na Cibercultura, os pais precisam estar conectados e participar ativamente do mundo digital para conseguir monitorar a atuação dos próprios filhos nas redes sociais. “Eles precisam se informar cada vez mais sobre as novas tecnologias e aprender a usar os dispositivos e mídias que os filhos dominam. Só assim, vão conseguir saber o que está acontecendo e agir de forma preventiva sempre que uma possível ameaça for detectada”.

Mas tudo deve ser feito com consciência, não vale entrar com uma postura de somente vigiar e controlar. É preciso construir um diálogo em família sobre o uso da internet, para que a criança ganhe autonomia e aprenda aos poucos o que pode ou não fazer nas redes.  “A melhor estratégia é sempre garantir oportunidades de relacionamento olho no olho com os filhos. Isso significa estabelecer alguns inegociáveis, como refeições em família, sem presença de telas. Outro momento valiosíssimo, geralmente desperdiçado na correria do dia a dia, é o trajeto de casa para a escola e o retorno no final da aula. Mesmo que os filhos reclamem, essas são oportunidades de ouro para estreitar vínculo, conseguir que os filhos se abram e identificar quando algo não está indo bem”, explicam Roberta e Taís Bento, mãe e filha, especialistas em educação e neurociência cognitiva, fundadoras do SOS Educação, colunistas e embaixadoras da Pais&Filhos.

De olho no seu filho

Para proteger sua família de desafios online desse tipo, que nada têm de brincadeira, é essencial observar comportamentos que fujam do normal. “Os pais geralmente sentem quando há alguma coisa fora do normal acontecendo se têm esse padrão diário de foco total no filho. E a dica é acreditar no seu feeling e investigar mais de perto ao mínimo sinal de que o filho não está bem”, indicam Roberta e Taís.

Não existe fórmula mágica ou pronta para saber o que seu filho está assistindo ou fazendo nas redes sociais. Mas o melhor caminho é o diálogo e a presença. “Não existe prevenção mais eficaz do que as conversas francas e abertas. Mas essas conversas precisam ser diálogos. O que implica em se abrir para ouvir seu filho, sem julgamentos. Ao demonstrar interesse pelos assuntos que estão rolando entre os grupos da faixa etária dele, os pais abrem caminho para conversas sem filtros e sem receio de punição”, explicam Roberta e Taís.

No momento em que você ouvir do seu filho sobre algum desafio que viralizou na internet, é o momento para perguntar o que ele acha sobre o assunto. “Depois de ouvir a resposta, aí sim é sua vez de se colocar. Essa é a hora de ser firme e usar a relação de confiança que vocês construíram, o respeito que você ensinou pelo exemplo e sua responsabilidade de pai ou mãe. Você pode dizer que não quer seu filho envolvido com isso: seja assistindo vídeos ou participando de grupos que estimulam o envolvimento dos colegas no desafio da vez. E quanto mais vocês falarem sobre o assunto, mais seu filho vê em você um suporte. Além disso, fica mais fácil resistir à tentação de não decepcionar os ‘amigos’ quando o que está em jogo é a relação de confiança com os pais”, defendem as especialistas.

Meu filho participou do desafio, o que fazer?

Antes de qualquer coisa, é importante ter calma e pensar o que pode estar por trás de uma atitude como essa. “Sou sempre a favor da conversa. Do diálogo com um bom raciocínio e exemplos. Exemplos com imagens causam maior impacto. Estudar antes de conversar sobre os riscos e as consequências. A criança quer ser vista, em muitos casos, pois não recebem atenção dos pais. Dedique mais tempo com os filhos, ensine-os, desde pequeno”, aconselha Dr. Fabiano.

“Adolescentes e crianças que entram para esse tipo de atividade precisam de ajuda para reequilibrar a autoestima. E nada impacta mais o sentimento de pertencimento e de autoconfiança do que a relação com os pais. Trocar o pedido repetido milhares de vezes para o filho desligar a tela e conviver mais com a família por combinados com horários e tempo de tela já estabelecidos ajuda bastante. Fazer cumprir os combinados e não se deixar abalar por argumentos bem construídos dos filhos ou pelo medo de não ser amado também é fundamental”, completam Roberta e Taís.

Para elas, também é fundamental conversar com a equipe de coordenação da escola, caso seja um comportamento que venha também de outros colegas do seu filho: “Conversar com a equipe de Coordenação da escola, buscando alertar para que toda a turma receba também dos profissionais especializados um apoio preventivo, é um caminho bastante eficaz.

Em relação à saúde física, a pneumologista destaca a importância de desestimular esse tipo de prática e deixar claro que ela causa tantos danos quanto um cigarro convencional — ou seja, não é uma simples brincadeira. “Outros tipos de práticas que devem ser desestimuladas são o uso do narguilé e dos cigarros eletrônicos (vapes), que também possuem substâncias nocivas  que prejudicam os pulmões. É importante procurar o pneumologista pediátrico se a prática for recorrente mesmo com o alerta dos pais, principalmente em pacientes que já possuem doenças pulmonares. O mesmo vale para o uso crônico do tabaco, cigarro eletrônico e narguilés”, explica.

Segurança no TikTok

A reportagem captou esses tipos de vídeos em diferentes plataformas. Entramos em contato com uma delas, o TikTok, que informou que estão avaliando os vídeos internamente para aplicar a política adequada: “O TikTok proíbe conteúdo que promova ou incentive atos perigosos, e removemos vídeos que violam nossas Diretrizes da Comunidade a fim de desencorajar esse tipo de comportamento. Incentivamos toda nossa comunidade a ter cautela em sua conduta, seja online ou offline”. O TikTok também informou sobre a política de segurança para crianças e adolescentes no aplicativo:

  • O TikTok é um espaço para criatividade e expressão, que oferece várias ferramentas e controles para ajudar a comunidade a controlar sua experiência. Recomendamos que todos consultem nosso Guia de Pais e Responsáveis para saber mais sobre nossa abordagem para privacidade e segurança no TikTok.
  • O guia foi elaborado para oferecer uma visão geral do TikTok e das várias ferramentas e controles para preservar a segurança de nossa comunidade. O documento também oferece informações gerais sobre preocupações comuns referentes à segurança na Internet.
  • Também contamos com um Centro de Segurança online, que traz mais recursos para que a nossa comunidade avalie se determinada conduta pode colocá-la em risco ou não.
  • Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar os vídeos que violam nossas políticas. Caso alguém veja algum conteúdo que acredite que esteja violando nossas Diretrizes da Comunidade, temos ferramentas para que os usuários possam reportar.
  • Como informado em nosso último Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade, entre 1 de abril e 30 de junho de 2022, removemos proativamente 95,9% dos vídeos que violaram nossas Diretrizes. Sendo que 93,7% foram removidos dentro de 24 horas.

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