Família

“A palavra-chave da família moderna é flexibilidade” afirma Edimara Lima

Os pais dividem as funções de acordo com a agenda de cada um, não mais segundo o papel

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

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(Foto: Shutterstock)

Os tempos estão mudando, e hoje os pais passam mais tempo de qualidade com seus filhos e assumem tarefas que há 50 anos não eram cogitadas pela figura paterna. No nosso 3° Seminário Internacional Mãe Também É Gente, Patricia Camargo, do Projeto Tempo Junto, mãe de Henrique, Sofia e Larissa, defendeu que o homem não é apenas o ajudante, mas sim um companheiro. “Meu marido abocanhou um pedaço da minha maternidade e tira de letra cuidar das crianças”, disse a jornalista.
Marcos Piangers e Ana Cardoso, nossos colunistas e pais de Anita e Aurora, também reforçaram no Seminário que o casal precisa se apoiar durante o casamento. “O homem tem que fazer mais. Eu costumo dizer que ele deveria fazer 60% e mulher 40%”, afirmou o escritor no evento. A família deles não é a única: muitos pais têm dado um novo significado para a paternidade, bem diferente do que era a figura do pai há 50 anos.
“O pai assume tarefas que antes não eram realizadas por ele, coisas pequenas como levar o filho na escola”, exemplifica Edimara de Lima, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABP), mãe de Cibele. Segundo a especialista, essa decisão não é feita mais pelo gênero, mas pela prática. “Os pais conversam para ver quem tem a agenda mais flexível e decidem quais as funções de cada um. É mais fácil ele dar banho no filho do que lavar a louça de casa. No papel de pai as mudanças são mais efetivas, já no do marido há uma maior resistência”, comenta a especialista.
A palavra-chave da família moderna é flexibilidade. As funções não são engessadas como antigamente, com tarefas específicas de acordo com o gênero. Hoje a mulher é tão provedora quanto o homem, às vezes com o salário maior. Por isso, direitos iguais, divisão de tarefas igual!
Novos tempos
Recentemente um pai de Santa Catarina conseguiu, por meios judiciais, o direito de tirar 180 dias de licença-paternidade para cuidar das filhas gêmeas. Na sentença o juiz destacou que, no caso do nascimento de múltiplos, uma só pessoa (ainda que fosse a mãe) não conseguiria atender às necessidades das duas crianças.
Nesse mesmo cenário uma pesquisa da Catho, empresa para busca de empregos, mostrou que mais de 25% dos pais gostariam de deixar de trabalhar para cuidar dos filhos. Embora o número ainda seja baixo, é extremamente expressivo se comparado com o posicionamento do homem anos atrás. “Se a família tem condições de fazer isso, por que não? Só que algumas pessoas têm o desejo, mas não a estrutura”, afirma Edimara. A educadora contou para a gente que quando se casou, há 40 anos, isso não era nem cogitado pelos maridos. “Nós tínhamos papéis muito rígidos na família, e tudo que é inflexível não é saudável”, comenta.
De pai para filho
Já uma pesquisa feita por dois economistas da Universidade da Califórnia afirmou que, embora os pais estejam trabalhando mais, eles têm passado mais tempo com seus filhos do que as gerações anteriores. O estudo avaliou dados de como as famílias americanas viviam entre 1965 e 2007. Os pesquisadores concluíram que isso se dá porque há uma maior divisão das funções para que todos possam passar mais tempo juntos.
Essa mudança estreita o relacionamento entre pai e filho. “O fruto dessa relação é a criança se sentir mais segura e ampliar a possibilidade de afeto”, comenta Edimara. “Não existe uma fórmula para ser um bom pai, é algo que se adquire com o tempo, por amor ou necessidade. Mas ser presente, dar atenção e amor são coisas essenciais”, afirma Adriano Bisker, 44 anos, advogado e pai de Felipe, André, Nicole, Julia e Sofia.

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