Criança

Ufa, respirem aliviados!

A asma é uma doença que assusta os pais, mas saiba que seu filho pode levar uma vida normal: basta ser acompanhado por um especialista

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Você percebe que seu filho tem um chiado no peito ou às vezes respira ofegante. Ou ele tem uma tosse, mesmo que fraquinha, mas persistente, e a gripe quando o pega demora pra passar. Fique alerta, porque podem ser sintomas de uma doença muito mais comum em crianças do que em adultos, a asma. Vale ressaltar: isso não é um diagnóstico, apenas uma suspeita, porque em algumas pessoas o chiado simplesmente desaparece com o tempo. Por isso, é preciso investigar. “Na Região Sul, onde a variação do clima é brutal, duas em cada 10 crianças têm asma, e ela pode se manifestar já nos primeiros meses de vida. Geralmente, os asmáticos têm um histórico familiar”, conta o pneumologista Jairo Sponholz Araújo, pai de Mariana e Fabiano e presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% das crianças em todo o mundo sofrem de asma.

Afinal, o que é asma?

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Quando uma criança tem asma, suas vias respiratórias ficam irritadas e inchadas, geralmente como reação a alguma alergia. A asma é uma doença inflamatória crônica nos brônquios, tubos que levam o ar até os pulmões. Daí a dificuldade que ela tem de respirar. “Nem sempre é fácil perceber do que seu filho tem alergia, mas, em caso de dúvida, o ideal é procurar um especialista para que sejam feitos exames de sangue ou de pele. Em muitos casos, a criança é alérgica a algo que ninguém imaginava”, avisa a pediatra americana Claire McCarthy, mãe de um filho asmático (veja depoimento ao lado).

As causas mais comuns de alergias são pelos de animais domésticos, poeira, mudanças climáticas (mais em temperaturas baixas), mofo, pólen, fumo, produtos químicos no ar ou em alimentos. “É fundamental a família ter conhecimento do que causa a alergia e não ter animais, não mexer com pó, com tintas e não fumar”, diz Jairo.

A doença vai e volta

Existem dois tipos de asma: uma que é periódica e intermitente, ou seja, é mais leve e vai e vem em épocas diferentes da vida; e a crônica, que tem fases melhores e piores, mas sempre vai se manifestar. “O primeiro tipo é tratado com corticoides inalatórios, as famosas bombinhas, que agem como broncodilatadores – eles relaxam a musculatura dos brônquios, melhorando a respiração, mas não agem no foco do problema, a inflamação. Já o segundo tipo tem a indicação de anti-inflamatório oral diariamente, sendo que a bombinha é usada apenas para aliviar a crise”, explica o pneumologista.

Outra característica da doença é que ela se modifica muito ao longo da vida. O problema é que quando os pais veem que o filho está bem, tendem a suspender a medicação. “Mas aí voltam as crises”, avisa Jairo. “Metade das crianças deixa de ter asma quando chega à adolescência, mas a doença volta a aparecer na fase adulta.”

É importante que o acompanhamento continue sendo feito por um especialista, que os pais cumpram o tratamento, saibam como agir em situação de crise e avaliem, por exemplo, a necessidade de ir ao hospital numa situação de emergência. “Asma não tem cura, mas ela pode não se manifestar, desde que se trate a causa da doença”, afirma o médico.

Pet

Bichos de estimação não precisam virar um problema. Crianças que nascem em casas que têm cachorros ou gatos têm menos riscos de desenvolver asma. Mas se seu filho desenvolveu a doença depois, você vai precisar achar um novo lar para seus animais.

Você pode evitar a asma

Dicas da pediatra Claire McCarthy para reduzir os riscos de seu filho desenvolver a doença caso tenha algum histórico de asma na sua família

• Evite fumar durante e depois da gestação – e não exponha seu filho à fumaça.

• Amamente pelo menos até os seis meses, e quanto mais for possível, para reforçar o sistema imunológico do bebê.

• Reduza a exposição da criança a alergênicos que estão no ar, especialmente os ácaros. Use capas para travesseiros, tente limitar o uso de tapetes e cortinas e lave a roupa de cama com água quente.

Mãe e médica

A pediatra americana Claire McCarthy tem um filho com asma e conta como aprendeu a lidar com a doença em casa

“Ver uma criança que tem asma lutar para respirar é de partir o coração. Eu presenciei isso como médica e ainda tive a experiência como mãe também, pois meu filho mais velho tem asma e, por isso, dificuldade para respirar quando se exercita. Eu me preocupava toda vez que ele ia nadar e queria muito fazer alguma coisa para que o problema desaparecesse.

Existem medicamentos que agem rapidamente e relaxam os músculos que contraem as vias aéreas, além daqueles conhecidos como medicamentos de controle, os quais tentam reduzir a inflamação. Algumas vezes, os sintomas desaparecem facilmente, com medicamentos, descanso ou evitando aquilo que provoca os ataques. Porém, em outros casos, as crianças precisarão de tratamento adicional.

É um alívio saber que há coisas que você pode fazer para ajudar a controlar essa condição aparentemente fora de controle.”