Criança

Óculos de sol só é recomendado a partir dos 10 anos

Antes, uso pode prejudicar o desenvolvimento da visão, diz especialista; melhor é recorrer a bonés e viseiras

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Quem tem filho sabe o quanto é difícil manter boné, chapéu ou viseira nas crianças nos dias de sol. No fim, a gente acaba deixando pra lá, é ou não é? Porém, os olhos das crianças são mais sensíveis que os nossos e por isso é muito importante protegê-los.  

O especialista explica que, na infância, a pupila é maior, e o cristalino, mais transparente, filtrando apenas 25% da radiação ultravioleta (UV). Além disso, a absorção do UV pelo nosso organismo é cumulativa, e 80% do tempo que passamos em ambientes externos ocorre até os 18 anos. Por isso, crianças devem usar e abusar do uso de barreiras físicas como viseira, chapéu de aba larga ou boné, que conseguem bloquear 50% da radiação UV. A regra também vale para os dias nublados, quando, mesmo sem o sol, a radiação chega a atingir até 70% da radiação dos dias ensolarados.

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Em primeiro lugar, é preciso evitar a exposição no período e maior radiação, das 11h às 17h.

“Permanecer longos períodos em atividade ao ar livre sem algum tipo de proteção ocular durante a infância pode acarretar deficiência visual grave na idade adulta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 20% dos casos de catarata resultam da excessiva exposição ao sol”, alerta o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, pai de Thiago e Thais.

O oftalmologista explica que os óculos de sol devem ser usados só a partir dos 10 anos de idade porque o escurecimento das imagens pode comprometer o desenvolvimento da visão das crianças. “Embora o sistema ocular esteja completamente desenvolvido aos 3 anos de idade, a visão é moldada até os 10 anos. Isso significa que, nesse período, o estímulo visual de cores, formas e brilho contribuem para perfeita moldagem da visão que está associada à capacidade de aprender”, explica o dr. Leôncio.

Como escolher os óculos de sol

– Os óculos de sol devem ter lentes com 100% de proteção UV. A Associação Brasileira de Produtos  e Equipamentos Ópticos (Abiótica) recomenda que os consumidores exijam o certificado do filtro anti-UV do fabricante.

– As melhores opções para crianças são óculos com lentes de policarbonato, que são inquebráveis e, por isso, evitam acidentes em caso de quedas.

– As armações flexíveis são as mais adequadas.

– Deve-se evitar comprar óculos de sol de camelôs e ambulantes. Apesar de também possuírem os selos UV e serem mais em conta, os óculos de camelô não têm a garantia de que o filtro realmente existe, e o material das lentes e das armações pode não ser de boa qualidade, o que oferece risco para a visão.

Problemas causados pelo sol

Alguns problemas causados pela exposição excessiva dos olhos ao sol podem ser sentidos imediatamente como é o caso das queimaduras, escurecimento e degeneração da pele das pálpebra, o que eleva o risco de contrair câncer de pele na região.

Outra alteração imediata é a fotoceratite, uma inflamação da córnea por queimadura de primeiro grau, que geralmente ocorre após 6 horas ininterruptas de exposição dos olhos ao sol sem proteção. Os sintomas são olhos vermelhos e ressecados.

O problema é que a fotoceratite não é levada a sério por muitas pessoas porque, depois de 48 horas de afastamento do sol, os sintomas desaparecem. A falta de sintomas não significa que o problema foi resolvido. A inflamação provoca o desprendimento de células do epitélio (camada externa da córnea) e por isso leva ao envelhecimento precoce da membrana.

Existem outros problemas oculares decorrentes do efeito acumulativo da radiação ultravioleta emitida pelo sol e que, portanto só são sentidos a longo prazo são: pterígio, catarata senil e degeneração macular, como o pterígio, forma de defesa contra o ressecamento provocado pela radiação UV em que há o espessamento da conjuntiva, membrana que cobre a parte branca do globo ocular e a superfície interna das pálpebras. Quando pequeno é tratado com pomadas antiinflamatórias, mas se cresce e atrapalha a visão deve ser necessária uma intervenção cirúrgica.

A catarata senil torna o cristalino opaco, devido ao envelhecimento ocular. A falta de proteção aumenta em 60% a chance de o problema surgir precocemente. A doença responde por 48% dos casos de cegueira no mundo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil a estimativa é de que a doença cresça 20% ao ano.

A degeneração macular é a maior causa de cegueira irreversível e pode estar relacionada  à radiação solar que provoca a oxidação das células. Trata-se  de uma lesão nas células da mácula, área da retina responsável pela visão central.

Consultoria: Leôncio Queiroz Neto, pai de Thiago e Thais, é oftalmologista, diretor do Instituto Penido Burnier, preceptor da Residência Médica na Fundação Dr. João Penido Burnier, fellowship pela Bascom Powmer Eye Institute (University of Miami), membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), PAAC (Associação Panamericana de Oftalmologia ), SBC (Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa) e da ASCRS (Sociedade Americana de Catarata e Cirurgia Refrativa dos Estados Unidos).