Criança

Educação ao redor do mundo

O que há nas escolas de outros países que poderia ser adotado no Brasil (ou pelo menos na sua casa)?

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Finlândia: liberdade para aprender 

Não parece ser a fórmula para o sucesso: crianças finlandesas começam a escola mais tarde que em outros países – aos 7 anos – e têm muito menos lições de casa do que alunos da Ásia e dos Estados Unidos. Só que eles estão entre os melhores do mundo em leitura, matemática e ciências. Como fazem isso? “Os professores fazem pouca pressão, e têm uma abordagem mais flexível”, afirma o cineasta Bob Compton que fez uma série de documentários sobre educação global O Fenômeno Finlandês: por dentro do mais surpreendente sistema de escolas do mundo. “Nas escolas finlandesas, você vê muitas atividades práticas – pintura, desenhos, trabalhos com argila, músicas. As classes são menores e cada uma tem dois professores”.

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Professores finlandeses possuem licenciatura nas disciplinas que ensinam. Recém-formados, passam um ano inteiro fazendo treinamento prático sob a tutela de um mestre instrutor. Isso ajuda os professores a avaliarem as habilidades e necessidades dos alunos por meio da observação. Seja qual for o tema de estudo – leitura, escrita, matemática – a ênfase está em ensinar as crianças a aprender.

“A questão não é o número de problemas de matemática que eles fazem, mas se os alunos têm uma compreensão do conceito da adição ou da subtração que estão fazendo”, diz Tony Wagner, do Centro de Inovação em Educação Fellow na Universidade de Harvard e autor do livro Criando Inovadores: O Making Of dos Jovens Que Vão Mudar o Mundo.

Singapura: professores com excelente nível de conhecimento

 Ser professor em Singapura significa ter um elevado status em uma nação pequena. Os recrutados são aqueles que se formaram entre as três melhores colocações das salas em que estudaram. Depois disso, eles ainda passam por um programa especial de treinamento. Assim que terminam, as instruções passam a se aprofundar em entender como as crianças aprendem, crescem e se desenvolvem.

Singapura, que pontua em quinto lugar no ranking mundial de matemática, ciências e redação, tem o foco na educação pré-escolar, afirma Elanna Yallow, diretora executiva do Programa de Conhecimento Universal em Aprendizado Inicial, que trabalha com pré-escolas e centros de cuidados com crianças em países como Singapura e Estados Unidos. Testes e monitoramentos rigorosos são a norma para as escolas de lá. Além disso, a língua dos negócios no país é o inglês, mas muitas crianças falam mandarim, malaio e tâmil como segunda língua em casa ou na escola e alguns aprendem uma terceira ou mesmo quarta língua em certas escolas, afirma Yallow. Ainda assim, o sistema educacional do país não é apenas sobre a aprendizagem mecânica e memorização. “Ética e cidadania são temas obrigatórios na escola”, afirma Charles Fadel, co-autor de Habilidade do Século 21: Aprendendo Para a Vida em Nossos Tempos.

China: ligados por longas horas

Na China até mesmo as crianças em idade pré-escolar passam oito horas por dia na escola. Aos 6 anos, as crianças recebem uma rotina intensa de lição de casa. “Os pais aqui fazem de tudo para garantir que os filhos tenham sucesso e entrem em uma faculdade de ponta nessa sociedade supercompetitiva”, afirma Stephanie Giambruno, produtora de TV e mãe de uma criança de 4 anos, que vive em Pequim. “Você não vê os alunos da escola primária na China brincando no playground, porque eles estão em casa fazendo a tarefa. Até mesmo aos sábados, eles estão tendo aulas de inglês ou estudando outras matérias.”

Tamanho empenho garante um bom desempenho acadêmico. Os estudantes chineses com 6 anos ou mais memorizaram os complexos caracteres do Mandarim (são 50 novos por semana), são avançados em uma segunda língua (o mais comum é que seja o inglês) e já se aprofundaram no estudo de ciências, tomando de três a quatro anos em biologia, química e física no Ensino Médio.

Nova Zelândia: compartilhando suas histórias

Na Nova Zelândia, as crianças são encorajadas a postar seus trabalhos online desde cedo. “Os estudantes começam a usar tecnologia aos 5 anos, desenhando com gráficos simples e ditando as legendas para seus professores”, afirma Sarah McPherson, presidente do departamento de tecnologia de instrução no Instituto de Tecnologia de Nova York, que fez uma visita recente às escolas neozelandesas. “Quando as crianças chegam à terceira série, elas já estão postando suas redações e desenhos online, de maneira independente.”

Isso tudo faz parte do objetivo do Ministério da Educação para criar uma geração de crianças que expressam suas vontades e que assumem suas responsabilidades para seu próprio aprendizado. “Blogar é uma forma de dar voz aos alunos”, ressalta a presidente.

Índia: academia de estrelas

Você pode imaginar seu filho entrando em um time que não compete futebol ou vôlei, mas sim charadas? Isso poderia acontecer se ele vivesse na Índia. Elocução, xadrez e torneios de charadas conquistam centenas de espectadores no país, o que reflete a ênfase dada por eles para o pensamento criativo. Desde jovens, os estudantes são encorajados a participar de atividades extracurriculares que reforçam habilidades acadêmicas, como física. “Quando você joga charadas, você está se comunicando não-verbalmente com seus colegas de time e eles precisam interpretar o que você está dizendo”, afirma o cineasta Bob Compton. “Isso requer uma criatividade considerável e resolução de problemas.”

Japão: ordem em sala de aula

Os japoneses têm uma forma própria de fazer com que mesmo salas de aula com um número elevado de alunos sejam efetivas no aprendizado: quando um professor instrui um grupo grande de crianças, ele libera uma parte dos colegas para passarem o tempo na colaboração, planejamento de aulas ou fazendo tutoria para os colegas. “As salas de aula são bem estruturadas e o professor tem total controle”, afirma Verna Kimura, consultor educacional que viveu e ensinou no Japão por mais de duas décadas. “E as crianças competem em todos os níveis, começando com a disputa para entrar nos jardins de infância mais procurados.” Os japoneses acreditam que bons hábitos de estudo logo na infância ajudam a estabelecer um padrão que as crianças levarão para a fase adulta. Aos 6 ou 7 anos, são ensinadas habilidades para fazer testes específicos, como usar o processo de eliminação para achar a resposta correta numa questão de múltipla escolha. “Por mais que essa abordagem possa parecer intensa, a atmosfera ajuda a construir a resistência e responsabilidade”, afirma Kimura.

Canadá: uma maneira suave

Katie York é grata ao governo da província de Ontario. Quando chegou a hora de matricular sua filha, Gemma, agora com 6 anos, ela pode optar pelo ensino público oferecido em sua cidade, Toronto, que engloba inglês e francês. Os pais de Ontario também podem matricular seus filhos no jardim de infância júnior (JK) aos 3 anos e meio; as salas de aula são compartilhadas com crianças de 4 e 5 anos.

Os alunos podem trabalhar em duplas de alunos com um professor ou com alunos voluntários de séries mais avançadas. “É impressionante como tudo isso se encaixa e funciona, e como as habilidades de Gemma aumentaram entre as séries”, conta Katie. Os pais também recebem um currículo detalhado e um plano de ensino, assim eles podem completar a educação das crianças em casa.


O que você pode fazer

Você pode estar pensando que tudo isso soa interessante, mas, enfim, é uma pena que os pais não tenham o poder de mudar os sistemas educacionais e as escolas. Bem, isso é verdade, mas ainda assim você como mãe (ou pai) tem uma grande influência sobre a educação dos seus filhos. “Os pais podemos administrar o aprendizado dos filhos em casa”, afirma Mei-Ling Hopgood, autor do livro Como os Esquimós Mantêm seus Bebês Aquecidos e Outras Aventuras na Paternidade (Da Argentina à Tanzânia e Todos os Lugares ao Redor). Isso é algo do que ela aprendeu em parte das conversas com famílias da Índia, Paquistão, China e Japão sobre seus entendimentos sobre a educação. Quando os pais sentem que seus filhos não estão tendo o bastante na escola, eles podem procurar por formas de impulsionar o aprendizado. Você pode fazer isso!

  • Adicione mais aprendizado ao dia a dia de seu filho: Inscreva-o em atividades extracurriculares como aulas de música ou artes e incentive-o a frequentar bibliotecas.
  • Instigue respeito pelos professores, pela escola e pelo aprendizado: Brinque de escolinha em casa para reforçar as boas maneiras em sala de aula, como ouvir ao professor e transitar de uma atividade para outra.
  • Espere por excelência: Países de alta performance compartilham uma crença nos valores acadêmicos. “Na China, ser inteligente e bom aluno é algo muito valorizado”, afirma Laura Goertzel, americana que morou em Pequim com seu marido quando o primeiro filho nasceu. “A criança mais popular é a primeira na sala de aula, o oposto do que acontece com aquele que tem o objeto de mais alta tecnologia”. Nutra a curiosidades do seu filho, responda com entusiasmo às suas dúvidas sobre como um computador funciona ou a seu pedido para ler a enciclopédia dos dinossauros mais uma vez. Tenha certeza de que você desafia seu filho para que ele continue sempre tentando ir mais alto.