Criança

Dia de vacinação

Nossa colunista Tati Schunck conta como é o Dia D

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Na primeira vez que fui dar vacina ao meu filho, quase me parti ao meio. Um horror. Eu, que sou sensível até demais, que passo da conta, sofri como se estivesse causando algum mal ao bebê. Ou no mínimo propondo uma experiência da qual os seres humanos sensíveis não seriam merecedores. Quase como se vaciná-lo fosse causar um dano a sua sensibilidade, da qual eu – a mãe ideal – não deveria estar lhe oferecendo.

Como se eu pudesse ser maior que essa necessidade de vacinar e pudesse, como uma heroína, prevenir meu filhote dos males da vida. Ai ai ai. Aí já no terceiro mês de vacinação e um pouco mais calejada no assunto, sentei lá, segurei o menino e disse: aguenta aí filho. Depois o chamei carinhosamente, (enquanto chorava) de menino corajoso, forte, especial e sorria sempre em seu ouvido até passar. E passa. Depois, também tive um encontro engraçado com um pai turrão e seus três filhos no posto de saúde. Era um desses homens que jamais se imaginaram ocupando o lugar de suas mulheres, as mães que agora trabalham enquanto os maridos tomam conta de casa e das crias. Até Brutus não escapou da conquista feminina… Sei… Mas enfim, o homem Brutus, quase grosseiro com seus filhos, sentou lá e segurou seu menino bebê com menos força do que eu. Olhou para o lado e quando a injeção terminou, ele quase chorou mais que o bebê. O abraçou e o beijou como se ele mesmo precisasse mais dessa rendição. Bonito e engraçado. Olhava para mim e pedia-me cumplicidade.

Eu dei, sorri de volta e fiz cara de: dói, né? Mais em nós do que no bebê, eu sei, eu sei… E um pouco antes da injeção acontecer, o pai grande ligou para sua mulher e fez a pergunta que não queria calar: ô mulher, quantos meses ele tá mesmo? Assustado diante da possibilidade de dar as vacinas erradas ou a mais do que o filho merecia. Engraçado. Um homem desse tamanho todo, cheio de emoção contida, necessitado do apoio de sua esposa na hora do vamos ver. Bonito e mais uma vez engraçado. Ninguém escapa de um colinho. 

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