Criança

Como cuidar e evitar doenças da cabeça dos bebês

Um guia para você ficar atenta a sintomas e garantir a saúde do seu bebê

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

por Jéssika Morandi

“Pode carregar ele, mas cuidado com a cabecinha!”. Quase todas as pessoas que pegam um recém-nascido no colo escutam essa frase. A preocupação não é à toa. A chamada “moleira” requer cuidados especiais.  São partes moles do crânio do bebê que facilitam a saída do pequeno na hora do parto. Os médicos as chamam de “fontanelas”. São seis no total, sendo que as duas principais ficam atrás da nuca e na região central da cabeça. Elas demoram até dezoito meses para fechar completamente. 

Durante esse período, os cuidados que a mãe deve tomar são básicos e as atividades diárias do bebê podem ser realizadas normalmente.  Lavar a cabeça, prender o cabelo e tocar a região não irão prejudicar em nada o desenvolvimento, pois existe uma estrutura fibrosa protegendo o cérebro. Basta evitar gestos muito bruscos.
 
Mas não é apenas a moleira que inspira cuidados. Algumas condições podem afetar a cabeça do bebê e precisam de cuidado imediato. Conheça algumas em detalhes abaixo. 
 
Síndrome do bebê sacudido
 
Essa condição surge quando a cabeça do bebê sofre traumas repetidos e intensos e causa hemorragia cerebral e na retina, fraturas ósseas, fissuras na pele e comprometimento neurológico. “A síndrome surge principalmente em bebês que passam por maus tratos” diz Lívia Lobo, neuropediatra do Hospital Municipal Público de Macaé, no Rio de Janeiro. Além de atrasar o desenvolvimento da criança, a síndrome pode levar à morte. “Se notar qualquer um dos sintomas ou que seu bebê está muito choroso e não quer ficar sozinho de jeito nenhum, procure imediatamente um médico”, alerta a doutora Lívia. 
 
Hematoma subgaleal
 
Partos longos, uso de fórceps e dificuldades devido a posição ou tamanho da criança são situações que podem causar o chamado hematoma subgaleal, uma elevação no crânio do bebê causada por um sangramento interno e que costuma ser identificada ainda na maternidade, até dois dias depois do parto. O hematoma não prejudica o cérebro do bebê e é reabsorvido naturalmente pelo organismo em alguns dias ou semanas, conforme seu tamanho e posição no crânio.
 
Plagiocefalia e craniossinostose
 
Traumas mais intensos durante o parto devido à posição da criança no útero ou ao trajeto pelo canal vaginal podem causar mais que um hematoma. Deformações no crânio ou face da criança podem aparecer nestes casos ou quando se apoia a cabeça do bebê mais de um lado do corpo do que de outro. O primeiro passo é consultar o pediatra. A assimetria pode ser um problema simples como a plagiocefalia deformacional (ou posicional) ou mais grave como a craniossinostose. A primeira condição não causa prejuízos ao funcionamento do corpo do bebê e é causada quando há trauma nas partes ainda moles do crânio. A correção é feita ajustando a postura e revezando seus lados de apoio da cabeça. Na hora de dormir, por exemplo, é preciso deitar a criança de ambos os lados. Já a craniossinostose é o fechamento precoce das partes moles do crânio. A criança deverá ser imediatamente encaminhada a um neurologista para avaliar a necessidade de correção cirúrgica. A craniossinostose pode ser um dos sintomas de diversas síndromes, como o nanismo, por isso é importante descobrir o que a causou.  
 
Outros problemas menos frequentes e mais peculiares que envolvam a cabeça do bebê deverão ser identificados já durante o pré-natal e receber o acompanhamento do obstetra.
 
Consultoria: Lívia Lobo, mãe de Pedro, é formada em neurologia infantil pelo Instituto Fernandes Figueira, no Rio de Janeiro (RJ), atua como neuropediatra no Hospital Público Municipal de Macaé (RJ) e cursa especialização em eletroencefalograma no Instituto Fernandes Figueira – Fio Cruz, Rio de Janeiro (RJ).

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