Criança

Como ajudar seu filho a estudar

É uma luta a hora da lição de casa? Mude o foco. O essencial é mostrar a seu filho como é bom aprender – e dar alternativas a ele.

Redação Pais&Filhos

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Quando as crianças começam a ter lição, começa um drama em muitas casas. “A lição, que deveria ser interessante e instigante, pode virar um martírio”, fala Anna Penido, diretor executiva do Instituto Inspirare e mãe de Joana.

Muitos pais, querendo acompanhar de perto a vida escolar dos filhos, acabam exagerando na cobrança da tarefa. “Valorizar a educação é conseguir despertar no seu filho o prazer da aprendizagem, fazer com que ele tenha interesse pelas coisas.” Isso se faz com conversa. Anna salienta que a melhor maneira de estabelecer esse diálogo é pensar que, assim como os pais, os filhos também têm coisas para contar sobre o seu dia. Assim, as conversas sobre “como foi a escola hoje” podem ser até mais importantes que a lição em si. “Não é uma burocracia ou uma prestação de contas. A ideia é transformar isso num compartilhamento de vida”, diz.

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Um estudo de dois pesquisadores norte-americanos, Keith Robinson, da Universidade do Texas, e Angel L. Harris, da Duke University, publicado no livro The Broken Compass: Parental Involvement With Children’s Education (em tradução livre, “A Bússola Quebrada: Envolvimento Parental na Educação), apontou que o estudar junto nem sempre beneficia o desempenho acadêmico dos filhos no que diz respeito às notas. Pelo contrário: em coluna publicada no jornal norte-americano The New York Times, os pesquisadores afirmam que crianças que recebem ajuda regular para fazer a lição de casa tiram notas piores do que aquelas que a fazem sozinhas. Para Anna, isso se explica porque, quando os pais sempre sentam ao lado do filho para ajudá-lo com as tarefas, eles não desenvolvem autonomia.

E, se for levado em conta o conteúdo em si, é possível até que os pais mais confundam do que ajudem a criança, seja por insistir numa maneira de ensinar diferente da usada na escola, seja por terem aprendido com outro método, como acontece com matérias como Matemática, em que hoje se utilizam novas abordagens.

Bons pais, maus professores

Uma pesquisa do Instituto Ayrton Senna apontou nessa mesma direção: mostrou que a influência dos pais no desempenho dos filhos está em ajudá-los a ter posturas que os permitam enfrentar os desafios da educação com mais desenvoltura.

Segundo Anna, é muito importante que os pais tenham tato para diferenciar situações diversas: a falta de responsabilidade ou de compromisso da criança com a escola, as dificuldades  de aprendizagem e, ainda, o desinteresse com a forma que o conteúdo foi apresentado. “Em vez de forçá-lo a ficar na escrivaninha até ele fazer o dever, talvez resolva mais assistir a um filme, bater um papo ou jogar um game sobre os assuntos que ele está estudando”.

Anna ressalta que falta de entusiasmo nem sempre é falta de responsabilidade, e que, para distinguir os dois casos, basta observar a atitude da criança em relação às coisas da vida como um todo. Se o desinteresse for ligado à escola, é possível que a abordagem esteja desajustada. “Às vezes as pessoas mais geniais estão sentadas no fundo da sala tirando as piores notas”, comenta Anna. “Por isso os pais têm que ser sensíveis e criativos nas abordagens da questão”.