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Vivemos uma era guiada pelos cronômetros

Até algum tempo atrás, responder a um telefonema no dia seguinte ao recebimento do recado era considerado um retorno rápido e aceitável. Hoje, em tempos de hipervelocidade, demorar mais do que duas horas para responder a um email é quase um pecado. Velocidade passou a ser a medida do sucesso. “Real time” é a ordem do dia e tudo gira em torno desse ritmo frenético.  Produtos são vendidos com a promessa de economia de tempo, as propagandas exaltam ofertas relâmpago, os serviços de delivery disputam quem faz entregas no menor prazo e o “ fast track” dá a tônica da vida. 

Nossas vidas não ficam imunes a esse ritmo. Vivemos em casas equipadas, com produtos modernos, muitos deles que compramos com a ilusão de economizarmos tempo.  Nessa lista de compras incluímos macarrão que fica pronto em menos de 3 minutos, iPads que trazem aplicativos com acesso direto às lojas preferidas, TVs que gravam para vermos depois, quando der tempo! Sem falar na banda larga que antes parecia tão rápida e agora já nos vemos impacientes com sua lentidão em alguns dias. Pensar que já tivemos que nos conectar a internet via “dial up” parece hoje um pesadelo pré histórico. 

Vivemos uma era guiada pelos cronômetros, nossos relógios ficaram obsoletos mostrando as horas, longas horas num mundo que pede a velocidade dos segundos. Muitas vezes me vejo ansiosa “esperando” a inicialização do computador ou à espera da abertura de uma página na web.  Em geral, nessa era em que vivemos, tudo parece mais lento do que gostaríamos. 

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Ufa! Já me canso só de relatar quão refém dessa velocidade estamos nos tornando. É inevitável “gastarmos” um tempo para refletir sobre como esse ritmo intenso está afetando nossas vidas e de nossas famílias. Será que conseguiremos, no meio de tudo isso, dar um “pause” nessa corrida maluca e curtir nossos filhos? Andar pelo lago sem olhar  para o relógio? Sair com o marido sem hora para voltar? Curtir um jantar em família, em volta da mesa, sem a pressão do tempo para levantar correndo e checar o Facebook? Nossa, ainda temos mais isso para consumir nosso tempo!

Muitas vezes me pego acelerada e mal conseguindo ter prazer em coisas pequenas do meu dia a dia. Que pena, não deveria ser assim, certo? Será que com essa fúria do acelerador vai dar tempo de curtir a vida ou vamos ser espectadores de nossa história, vendo-a passar rapidamente, como se olhassemos pela janela de um trem a 200 km/hora?

Também sou refém do tempo, equilibrando muitos pratinhos e creio que exatamente por isso acho que essa reflexão é urgente. Muitas vezes nossas vidas de equilibristas ganham ares de gincana, com sucessivas provas, numa corrida sem fim. Torna-se fundamental abrirmos espaço para essa reflexão, afinal, nada mais verdadeiro que o ditado: “a vida é uma só”.  Certamente pensar e discutir esse tema é um primeiro passo para uma vida melhor, para nós e para nossas famílias. E para isso não pode faltar tempo!

 

 

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