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Babás, sim ou não?

A colunista Cecilia Russo Troiano conta que escolheu ter uma babá quando os filhos eram pequenos, mas nunca aos finais de semana

 

Desde o início, após meu retorno ao trabalho, optei por ter uma babá para me auxiliar com minha primeira filha. Na época, morávamos num apartamento com uma boa área de lazer e, junto com meu marido, decidimos que essa seria a melhor opção para nós e para nossa filha. Além de ter um espaço doméstico bom, achei que o fato da Beatriz estar em casa, conviver com suas coisas e preservar sua rotina seria importante para ela. A maior questão que meu marido e eu consideramos foi: não queríamos uma babá em tempo integral, que dormisse em casa e passasse o final de semana conosco. Nossa decisão foi definida a partir de uma premissa simples: nós queríamos criar nossa filha. Criar em todos os sentidos, nas coisas boas e nos momentos mais chatos, nas madrugadas mal dormidas ou nas limitações à nossa vida pessoal que isso poderia custar. 

Assim, combinamos de ter uma babá que chegasse de manhã, passasse o dia todo com a Beatriz e, assim que um de nós chegasse em casa, ela iria embora. Também definimos que nos finais de semana não teríamos babá. Queríamos estar perto da Beatriz. Com uma babá por perto, até por comodidade, sabíamos que delegaríamos algumas responsabilidades e acabaríamos perdendo um tempo precioso de contato com nossa filha. Confesso que meu marido foi um grande incentivador desse esquema que montamos. Tinha horas que eu estava exausta e sonhava com uma babá no domingo de manhã. Mas, incentivada por ele, fui levando e acho que todos ganhamos com esse esquema.

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Quando nasceu o Gabriel, as coisas ficaram mais apertadas. Eu trabalhava mais e tinha não só um para cuidar, mas dois. Flexibilizei um pouco o esquema e passei a ter uma babá que dormia. Assim, enquanto eu dava banho em um, ela me ajudava a dar comida para o outro. Mas mantive o final de semana só para nós quatro. É claro que cansava, mas acho que esse contato entre nós não tem preço. Foi muito bom mesmo!

Também adotamos como política familiar nunca levar babás em períodos de férias ou viagens. Por quê? A resposta é simples. Para meu marido e para mim, babá é alguém que cuida de nossos filhos no momento que não podemos estar próximos deles, como na ausência em função do trabalho, por exemplo. Nos fins de semana, em viagens e férias tínhamos todo o tempo do mundo e uma vontade enorme de estar perto de nossos filhos. Mais uma vez, é claro que essa “política familiar” cobra um preço. Lembro-me de umas férias que nos alternávamos para correr na praia. Ele ia e eu ficava com as crianças. Ele voltava da corrida e eu ia. Trocávamos o turno. Mas tudo bem, tempo livre, para nós, não era ficar também livre dos filhos. Pelo contrário, era oportunidade de usar o tempo livre para conviver com os filhos, já que na correria do dia-a-dia as horas de contato são mais limitadas.

Bom, mas o grande desafio de quem opta por ter uma babá é a busca da babá ideal. Quantas e quantas horas as mulheres gastam (me incluo nessa também) conversando entre si para discutir o tema das babás. Não é fácil achar uma boa babá, mas também não é algo impossível. Não dá pra pensar que todas as babás são como as que vemos vez ou outra nos noticiários, que espancam crianças, comem a comida do bebê em vez de dar para ele ou outras atrocidades do gênero. 

Em casa tive quatro babás ao longo da minha história com meus filhos. Tereza, Karina, Regina e Rita, nessa ordem. As duas primeiras, com a Beatriz e as duas últimas com o Gabriel também. Meu marido e eu (e meus filhos) somos muito gratos a essas quatro mulheres que, com muito carinho, cuidaram da Beatriz e do Gabriel quando estávamos ausentes. Não sei se tive sorte, se soube escolher, se sou boa patroa, se meus filhos são tranquilos, se meu marido é bom patrão, ou o que é, mas fui privilegiada de ter essas quatro pessoas me ajudando. Duas delas saíram porque foram se casar, outra para trabalhar num escritório e a última acabei dispensando porque achei que o Gabriel, aos 7 anos, já poderia se virar bem sozinho sem precisar de alguém o tempo todo atrás dele.

Sei que não existem regras, cada família se organiza da maneira que melhor lhe parece e também considerando o que cabe no bolso de cada um. Mas se puder dar uma dica, a babá de confiança será apenas um apoio, em nenhum momento deve ocupar o espaço dos pais. Essas horas não voltam mais e depois podemos nos arrepender.


 

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