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Maternidade real

Você é a melhor mãe que você pode ser. Não se espelhe no que vê por aí. Afinal, mães perfeitas não existem

Eu estava fechando um texto para a próxima edição da Pais&Filhos quando li uma frase num livro que eu amo, e que sempre me presenteia com lágrimas e pauladas sobre a minha realidade materna:

“A fada é uma mãe sob medida, de um tipo que só poderia ser mesmo uma fantasia infantil.” (Fadas no Divã, editora Artmed)

A maternidade ideal é mesmo um conto de fadas. Ela só existe na nossa cabecinha boba – e quando ainda não temos crianças em casa. Quantas vezes você jurou que seu filho teria rotina, que comeria de tudo, que você não levantaria a voz, que castigo… ahhhhh o castigo passaria bem longe da sua porta, porque na sua casa o diálogo é tudo? A vida real engloba gritos, castigos, choros, manhas, fraldas descartáveis e papinhas de potinho. Vem no pacote a chantagem para comer tudo que está no prato, descontrole com as birras no meio do shopping e uma semana sem videogame de brinde. E eu aprendi na marra que isso não faz de mim uma má mãe. Ou uma mãe pior do que aquela que eu sonhei ser.

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Talvez faça de mim uma mãe real. Bem longe daquela dos contos de fada. A mãe que perde a cabeça está dentro de todas nós, sejamos realistas. Afinal, o sangue de barata também é coisa de história infantil. Sangue de mãe ferve com parede riscada, com comida no sofá, com celular afogado na privada. E é errado isso?

O que eu quero dizer? Que precisamos vestir o nosso uniforme de mães reais. E aprendermos a ser felizes com isso. Na coluna passada eu escrevi sobre mães que trabalham fora. Um dos comentários: “Ser mãe é uma opção, você não foi obrigada a colocar seus filhos no mundo. Se você não quer largar a sua profissão, não tenha filhos. Mas, se optar por tê-los, você tem de se dedicar mais a eles”.

Opa, opa, opa! Quem disse que papel de mãe não pode ser bem feito se conciliado com uma jornada profissional? O que a faz mais mãe? Passar o dia inteiro grudada em seu filho (ou com um olho nele e o outro no smartphone) ou ter uma, duas, três horas por dia dedicadas integralmente à criança, após um dia produtivo (ok, cansativo às vezes) de trabalho?

Você é a mãe que você pode ser. E será sempre a melhor mãe para seus filhos. A sua rotina é aquela que a faz feliz. Tenha ela trabalho fora de casa ou não. A educação que você dá para seus filhos é aquela que você tem como referência, seja nas pesquisas, como viveu ou no que ouviu falar. Mas é aquela que você acredita ser a melhor (tenha nela castigo ou não). A comida que está na mesa é aquela que você considera ser a melhor naquele momento.

Pronto, essa é a sua receita. Aquilo que você pode fazer bem será a sua forma de viver bem.

Esqueça a “mãe fada” ou a fada madrinha. Esqueça a grama do vizinho. Esqueça a mãe feliz em praias paradisíacas do Facebook. Seja a mãe que você nasceu para ser. E aprenda a ser feliz com isso.

(Esse é meu mantra diário. Estou conseguindo, aos poucos, me valorizar e gostar de mim como mãe. Com base no que eu faço, e não no que os outros dizem!)

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