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Dividir para somar

A colunista Nanna Pretto decidiu compartilhar o quarto dos filhos, não só para minimizar o efeito da diferença de idade, como também para incentivar que eles cresçam unidos

Moramos num apartamento de três quartos. Em teoria, temos um cômodo para cada filho, além do nosso. Mas mesmo assim decidimos que quando eu engravidasse, independente de ser menino ou menina, o início da vida deles seria em quarto compartilhado. A principal razão? Bem, a diferença de idade, de 5 anos e meio, já os distanciaria. Essa seria uma forma de mantê-los sempre próximos. 

Como veio outro menino, Gabriel ficou muito animado com o fato de ter um irmãozinho dividindo o quarto com ele (não tenho ideia de como seria a reação se fosse uma menininha). Desde o início ele falava em dividir o quarto, de como seria o processo, a decoração, o que ficaria onde. Durante os nove meses ele arquitetou a relação dele com o irmão mais novo dentro de um ambiente unicamente deles. 

Isso me ajudou muito no quesito ciúmes. Incluir o filho mais velho em absolutamente tudo relacionado ao quarto deles gerou um conforto surpreendente. Foi Gabriel que escolheu a decoração de Safari, com animais mansinhos de um lado (do irmão, claro) e ferozes do lado dele. 

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Na loja linda Dip En Dap (indicação do meu querido amigo e colunista da Pais & Filhos, Ike Levy, que decorou lindamente o quarto da Nina e do Tony), eu consegui reproduzir exatamente as ideias de Gabi, que selecionou os bichos e a localização de cada um. A cor do quarto também foi definida por ele, assim como o posicionamento das camas e a decisão dos armários. “Se são três portas, uma é minha, a outra do meu irmão e a terceira é dos nossos brinquedos”, determinou. “Os brinquedos de peças pequenas precisam ficar no alto, mamãe. Para o meu irmão não engolir.” E assim foi durante os nove meses de planejamento do espaço. 

“É muito importante você incluir Gabriel em todas as escolhas e decisões que envolvem os espaços dele. Assim a criança sente menos a chegada de um bebê que vai dividir tudo que, até então, é só dele”, explicou Luciana Taliberti, minha médica ginecologista que fez o meu parto e tem dois filhos, então sabe bem como lidar com esse tipo de situação. 

Foi dela também o conselho de Gabriel dormir do quarto da maternidade (lembra que comentei no post do nascimento?), assim como a entrada dele no centro cirúrgico para ser o primeiro a ser “apresentado” ao irmãozinho. “Quanto mais incluirmos o Rafael na vida de Gabriel de forma não competitiva, mais fácil para ele aceitar o irmão”, disse. 

O quarto é a prova disso. Gabi, que fugia para nossa cama quase todas as noites, agora faz questão de dormir a noite inteira no quarto para “proteger o irmão”. É dele também a ideia de pequenas luzes espalhadas para não ligarmos a principal e “doer o olhinho.” Ah, e foi ele que ligou a música clássica pela primeira vez na troca de fralda para “acalmar o irmãozinho”. De lá para cá a sinfonia de Bach está presente em todas as trocas e antes deles dormirem. 

Para quem pergunta se o choro noturno incomoda e prejudica o sono do mais velho, eu digo que não. Quer dizer, espero que não esteja prejudicando o sono –e sonhos-, porque ele não acorda e não se incomoda com as minhas entradas durante a madrugada. Então, incomodar, eu acho que não incomoda! 

A maior prova da tranquila convivência deles é a primeira mamada do Rafa, que eu dou na cama de Gabi, assim que acordamos. Ele, ainda sonolento, dá um bom dia incrivelmente lindo ao irmão, às 6 horas da manhã. E faz carinho com beijinhos nos pés, enquanto o pequeno mama desesperadamente seu leitinho. Sem ciúmes e sem reclamações ficamos nós três, ali juntinhos, antes da nossa corrida rotina começar! 

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