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Dilemas do segundo filho

Enxoval reduzido, amor compartilhado e tudo para o terceiro trimestre. A chegada do segundo filho é tão aguardada quanto a do primeiro, mas a vida se torna muito mais prática

“Você vai fazer chá de bebê?” “Não!” “O quarto deles já está pronto?” “Não!” “Já escolheu a roupa da maternidade?” “Não!” Sim, é assim que funciona a cabeça de uma mãe na beira da trigésima semana, no auge do calor paulistano, na véspera da formatura do filho mais velho e à espera do segundo. Tudo certo, nada preparado!

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Verdade seja dita: no segundo filho a gente tira muito o pé do acelerador quando o assunto são inutilidades gravídicas. Com o dinheiro do chá de fraldas, faço um estoque para mais de seis meses de uso de fraldas descartáveis. Se o berço entrega em 15 dias, não preciso comprar com seis meses de antecedência. E a roupa da maternidade, estou pensando em usar uma linda que o mais velho usou (uma única vez, obviamente) e comprar roupinhas mais levinhas. Sem a frescurice fofa das linhas e linhos.

Ah!, sem contar com o enxoval, que está sendo reduzido para o estritamente necessário após o desperdício de bodies, mantas e macacões adquiridos na primeira gravidez.  Prometo aqui, aliás, a minha lista compacta de enxoval do segundo filho em algum dos próximos posts.

Sabe que até a expectativa muda? Na primeira gravidez eu ficava marcando na folhinha quantos dias faltavam para o ultrassom. Fiz uma amiga trazer dos Estados Unidos um aparelho para escutar o som do coraçãozinho, fazia contagem regressiva para o dia do parto e qualquer indisposição ou contração deitava de repouso com as pernas para cima. Na segunda barriga você já sabe que o bebê só vai mexer no quinto mês, que ele não vai sair escorregando pelo vaso sanitário a cada ida ao banheiro e namorar o seu marido não vai machucar o menino. E entende também que os sintomas, como as dores, os enjoos e as mudanças de humor são mesmo sinal de que está tudo bem. Aí a gente relaxa. E curte os nove meses. Bem, eu curto.

A ansiedade existe, claro! Não dá pra fingir que nada está acontecendo. A gente conversa com o bebê do mesmo jeito, coloca músicas para ele escutar e fica horas imaginando como será a carinha, a boquinha e a cor dos olhos, olhando feito boba aquele borrão da ultrassonografia. E eu ainda tenho um mini-irmão dentro de casa que dá bom dia, boa noite, bronca e carinho para a minha barriga, numa mensagem fofa e telepática de amor. Acho que o fato de ter essa fofurice do lado faz a gente mudar o foco da barriga para o todo. Para o relacionamento. Para os dois e não apenas para um.

Será que isso já é sinal do amor compartilhado? Será que isso já é um start materno de que chegou a hora de não pensar apenas em um, mas nos dois filhos, um que está por vir e outro que está por receber o irmão – e todas as mudanças que virão com ele? Veremos…

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