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Criando filhos e expectativas

Lidar com a expectativa do filho de 5 anos para a chegada do irmão não é nada fácil

“Mãe, papai já colocou a sementinha. Agora quando vocês tiram?”

“O quêêê???? Eu vou ter quase 6 anos?!”

“Mas se a sementinha não crescer, a gente pode pôr de novo? Eu vou ficar muito triste…”

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“Posso pedir pro Papai do Céu proteger vocês?”

“Mamãe, você pode engolir um Hot Wheels? É que eu quero brincar com meu irmãozinho de carrinho…” 

Tá fácil, não, gente! Eu nunca achei que meu filho mais velho fosse ficar numa expectativa tamanha pela chegada do bebê. Quer dizer, saber, eu sabia, só não tinha visto a coisa concretizada por aqui. 

Imaginem que na semana passada eu quebrei o pau na escola dele por criarem expectativa com relação a um passeio ao zoológico, sendo que não havia vaga pra todas as crianças, e ele não foi. 

Aqui em casa a questão da expectativa é sempre tratada com muito cuidado, porque Gabriel é uma criança ansiosa e se frustra facilmente. Já tive briga com a tia que marca e não vem pegá-lo, já me culpei inúmeras vezes por prometer algo e na hora H não conseguir cumprir. É complicado demais lidar com essa frustração infantil. 

Por isso mesmo, quando descobrimos que estávamos grávidos, pensei um milhão de vezes antes de contar ou não ao Gabi que aqui na minha barriga tem um bebê. E se perdermos? E se não der certo? E se ele sentir ciúmes? Como será a reação dele? Meu miniadulto entende tudo. Questiona e argumenta como ninguém. Dá medo de não ter uma resposta à altura.

É aí que vem a figura do pai, o lado racional desse turbilhão de hormônios e emoções da mamãe, para colocar a gente na linha e me fazer entender que não precisamos dar resposta para tudo. “Nanna, se perdermos, ele vai ter que aprender a lidar com isso. Como não compartilhar com ele essa nossa alegria?” Ok, papai, você venceu. 

A primeira reação de Gabriel, após soltar um “Séééério que tem um bebê aí?”, foi: “Estou com vontade de chorar de felicidade”. Claro que até agora, quando descrevo essa cena, meus olhos enchem de lágrimas (hello, hormônios!). 

E, no dia seguinte, um milhão de perguntas vieram à tona e, para a frustração dele, aquela contagem no calendário, para constatar que sim, vai demorar pra esse bebê chegar ao vivo e em cores na nossa casa. 

A gente aprende a lidar com essas expectativas aos poucos. Primeiro deixamos que ele converse com a barriga o tempo que ele quiser, falando com o irmão, brigando quando ele faz a mamãe passar mal, ou até colocando uma cobertinha na minha barriga, cuidando para que o irmão não passe frio. Esses dias, com a história de eu engolir o carrinho para ele poder brincar com o irmão, perguntei como ele achava que era a minha barriga por dentro. “É uma brinquedoteca. Porque ele precisa brincar todo esse tempo”. Claro, ele nunca vai imaginar um ambiente escuro e molhado. Na minha barriga divertida cabe até um campo de futebol, pasmem! 

Deixar ele se divertir com a própria imaginação tem sido a nossa melhor estratégia para driblar essa expectativa. Deixamos que ele desenhe, mostramos os vídeos nos aplicativos de gestação para ele entender como o irmão está crescendo e, o mais legal, começamos uma colagem de tamanho. Toda semana, pesquisamos com que tamanho está o bebê e… tchaaaram… fazemos a colagem num papel. Gabriel observa a evolução do irmão-cabeça-de-alfinete pro irmão-noz. E se diverte muito com isso. 

E assim entramos na 12a semana, no segundo dos três trimestres da gravidez. Nós, esperando um bebê e criando uma criança. Ele, criando histórias e esperando o irmão mais novo! Delícia isso!

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