Colunistas

Coração de mãe de menino

Um adoece e me deixa doida, entre fisioterapias respiratórias e traquinagens. O outro viaja, por três dias, e me aparece com dois pontos na testa. Coração de mãe de menino deveria vir com válvula extra para descarregar fortes emoções!

Na última semana fiquei com o meu filhote menor em crise respiratória, de novo, para comemorar a chegada do outono. Ele em home care, eu em home office, e a vida de cabeça para baixo. Não adianta tentar me organizar, me trancar no quarto, fingir que não estou em casa. Ele me acha, senta no meu colo, trabalha comigo e me atrapalha.

No fim de semana o mais velho foi para o seu primeiro acampamento. Uma viagem de sexta a domingo, cheia de planos e expectativas.

Mas no meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.

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E ele, que ainda nada entende de Carlos Drummond de Andrade, cataploft. Caiu, longe de casa, longe da mãe, numa das primeiras atividades do acampamento. E ganhou dois pontos na testa.

Ai, coração de mãe sofre. E já mandaram eu me preparar, pois coração de mãe de menino sofre mais ainda. Será que as sapequices estão no DNA? A arte de aprontar (ou de se estropiar) tem a ver com a testosterona?

Eu não sei, mas ele, o mais velho, acha o máximo a quantidade de machucados que tem nas pernas. “Olha, mamãe! Ganhei mais uma marca no futsal”, estampa ele, envaidecido, o terrível arranhão no joelho. Eu quero passar pomadinha, limpar, tratar… “Que tratar o quê?!?!” Quanto mais evidências do bate-bola, melhor!

O mais novo, pelo que tudo indica, vai pelo mesmo caminho. Vive perigosamente entre as tomadas, as estantes, os objetos pequenos perto da boca e algumas marquinhas já conquistadas.

Enquanto isso eu vou tratando de curar as marcas do meu coração com aguinha com açúcar (e com todo o melodrama que uma mãe de menino sabe bem fazer!).

Porque com emoção é mais divertido, né?

 

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