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As linguagens do amor e a inclusão

Saiba mais sobre cada uma das 5 linguagens do amor - iStock
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Publicado em 25/05/2023, às 12h54 - Atualizado às 13h01 por Henri Zylberstajn


No livro “As 5 linguagens do amor”, best-seller presente na lista de mais lidos do New York Times desde 2009, Gary Chapman discorre sobre 5 diferentes formas pelas quais os seres humanos se sentem amados e valorizados. Segundo o autor americano, descobrir qual é a linguagem do amor que mais ressoa em nossos parceiros, permite-nos experimentar relacionamentos mais saudáveis e felizes. São elas:

1. Palavras de afirmação: esta linguagem envolve expressar carinho, afeto, admiração, respeito, gratidão e outras emoções positivas através de palavras e elogios. Sabe aquela pessoa que precisa sempre ouvir um “eu te amo” ou o “você é muito importante na minha vida”? Para elas, palavras de afirmação são uma forma de se sentirem mais amadas.

2. Toque físico: é a linguagem do amor traduzida em abraços, carinhos, beijos e toques.

3. Presentes: é o apreço manifestado por meio de presentes. Não necessariamente bens materiais caros, já que, segundo o livro, o que importa não é o valor monetário das coisas, mas, sim, seu significado e o esforço que quem oferece faz para conseguir algo que seja significativo para quem recebe. Neste sentido, uma flor colhida num jardim pode ter impacto maior do que um carro 0 Km.

4. Atos de serviço: trata-se de ações e atitudes que demonstram zelo, estima e preocupação com o outro. Para quem mais valoriza esta linguagem do amor, receber ajuda e apoio em tarefas cotidianas, por exemplo, é uma forma de sentir-se homenageado.

5. Tempo de qualidade: esta linguagem se apresenta através do tempo vivido com quem amamos, importando menos a quantidade de minutos compartilhados juntos e mais a qualidade deles. Isto é, momentos de atenção plena, idealmente sem distrações, dedicados a estarmos totalmente presentes na atividade junto a outra pessoa. Pode ser um passeio ou uma conversa. É sobre parar para ouvir o outro, pra valer.

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Saiba mais sobre cada uma das 5 linguagens do amor (Foto: iStock)

Há alguns dias, num jantar de Família com nossos 3 filhos, minha esposa Marina trouxe para a conversa o conteúdo deste livro. Explicou-nos sobre as diferentes linguagens do amor e propôs uma brincadeira entre nós 5: que indicássemos qual forma cada um mais usava para expressar seu afeto pelo próximo.

Todos nos envolvemos na dinâmica – que foi muito divertida! Quando chegou a vez de falarem sobre o Papai, as crianças ficaram na dúvida de qual das 4 primeiras linguagens eu mais usava – e deram vários exemplos para justificar a indecisão. No entanto, houve unanimidade acerca de qual era a que eu menos utilizava: o tempo de qualidade. Segundo Nina, Lipe, Pepo e a própria Marina, apesar de eu dedicar muito tempo à Família, buscando fazer os programas preferidos de cada um, dificilmente estou 100% presente… Sempre tem uma “mensagenzinha aqui ou ali” para ser respondida, frequentemente alguém que, “se telefonar eu preciso atender” ou que preciso “encontrar rapidinho” – e por ai vai. “O Papai não desconecta”, disseram todos.

Tenho que admitir que eles têm uma boa dose de razão. A interação foi tão bacana – e o feedback disfarçado de hesitação também – que me pus a pensar sobre como mudar esta percepção. O autor explica que não há certo ou errado – cada um tem sua maneira prioritária de exprimir carinho – e não condena quem não usa alguma delas. Mas em se tratando de comentários uníssonos vindos da minha Família, quis tentar alterar o cenário.

A primeira coisa que fiz foi resgatar este artigo que escrevi em 2021 para ver o que eu fazia de diferente naquela época. E esta leitura – que fala sobre os desafios de equilibrar a atenção entre os filhos, não fazendo diferenciação ao caçula com síndrome de Down – me levou a outra reflexão: quais são as linguagens de amor que usamos para expressar carinho em relação às Pessoas com deficiência? E qual seria a que elas mais gostariam de receber para se sentirem mais valorizadas e respeitadas?

Olhando para a evolução do processo de inclusão no mundo, é possível identificar 4 fases bem definidas e distintas: a fase da exclusão; da segregação; da integração e da inclusão. Ou seja, da negação completa – inclusive com extermínio das Pessoas com deficiência – evoluímos para a “permissão de existência” em ambientes distintos do restante da população, passando para a etapa onde todos estão nos mesmos locais – porém ainda não incorporados. Atualmente vivemos a fase de inclusão, onde supostamente estão todos juntos, misturados e integrados. Da mesma maneira que não é possível afirmar que a fase de exclusão acabou (segundo reportagem da rede de TV americana CBS de 2017, na Islândia aborta-se 100% dos bebês diagnosticados com síndrome de Down, na Dinamarca 98%, no Reino Unido 90%, na França 77% e nos Estados Unidos 67%), tampouco pode-se dizer que vivemos uma época de inclusão plena. Houve avanços significativos na maioria dos Países – Brasil inclusive – e em todos os contextos (social, educacional, médico, político, esportivo, cultural, familiar, empresarial) – mas todavia há muito a ser feito. Muito mesmo.

As Pessoas com deficiência infelizmente ainda são um grupo populacional invisibilizado pela sociedade, sendo geralmente encaradas como um problema e constantemente julgadas de maneira preconceituosa. São comuns as associações de deficiência com doença, infelicidade e/ou incapacidade – resultados do capacitismo estrutural vigente em nosso dia-dia. Você que está lendo este texto, se relaciona com Pessoas com deficiência? Elas estão no escritório em que você trabalha? E teus filhos, convivem com elas? Há alguma criança com necessidades diferenciadas matriculada na escola deles? E no clube? Nas festinhas?

A maioria esmagadora das respostas costuma ser “não” – e a maneira que encontramos para compensar estas lacunas é sendo os mais gentis, carinhosos e assistencialistas possíveis ao encontrar Pessoas com deficiência. Ou seja, querendo agradá-las. Para tanto, costumamos oferecer-lhes olhares repletos de “compaixão-altruísta”, enquanto outorgamos prêmios de consolação em formas de títulos, elogios e carinhos. Isto acontece quando chamamos a criança autista de “anjo”, o bebê com paralisia cerebral de “alma elevada” e/ou o surdo que tem um cargo qualquer numa empresa de herói. É quando perguntamos para a mãe da cadeirante o que ela quer comer, sem antes consultá-la, simplesmente por acharmos que o fato dela estar numa cadeira de rodas a impede de se comunicar; é quando queremos dar um “abraço apertado” nos adolescentes com síndrome de Down, mesmo sem conhecê-los; ou ainda, quando pegarmos no braço do cego parado num cruzamento para ajudá-lo a atravessar a rua, sem questioná-lo se precisa ou quer o apoio.

Depois do tempo entre telas, a relação com amigos mudou para as crianças e os pais
Entender a linguagem do amor do outro ajuda nas relações (Foto: Shutterstock)

Mas Henri, tudo isto é feito com a melhor das intenções… Eu sei… Entretanto, são sintomas da pena que sentimos desta turma. Afinal, só proporcionamos ajuda sem perguntar àqueles que temos certeza de que são incapazes. Ou ainda, apenas enaltecemos Pessoas por conquistas sem esforços (isto é: anjo, herói) quando temos dó delas. É o que a minha colega ativista Claudia Werneck chama de “preconceito disfarçado de mérito”. Sim, mesmo sem querer, é.

Voltando ao início: percebam que em todas as ocasiões citadas, nas quais pretendíamos expressar afeto e respeito em relação às Pessoas com deficiência, usamos e abusamos das 4 primeiras linguagens do amor apresentadas por Chapman. Exageramos nas palavras de afirmação, utilizamos toques físicos, damos presentes e prestarmos serviços de maneira inclusive ultra assistencial – e, novamente, bem-intencionada. Mas em que momento oferecemos tempo de qualidade para estas Pessoas? Quando paramos para escutá-las? Para entender o que têm a dizer? O que gostariam de fazer? O que opinam? Como gostariam de ser chamadas? Será que estamos dispostos a isto?

As respostas da sociedade em geral, mais uma vez, são “nãos”. A falta de convívio com a diversidade enraíza preconceitos de maneira tão profunda que, muitas vezes, não nos permite vislumbrar e aceitar outras formas de viver, existir e ser feliz – além daquelas que enxergamos como reflexo da bolha em que vivemos. O que sempre escuto das próprias Pessoas com deficiência é que elas não querem apenas beijos, abraços, presentes e coraçõezinhos. O que elas mais desejam no contexto atual é serem escutadas. Almejam oportunidades de se expressar – e serem ouvidas. Querem se sentir valorizadas e respeitadas (também) através da 5ª linguagem do amor.

Com o intuito de atender a esta demanda, o Instituto Serendipidade oferece desde 2018 inúmeras iniciativas nas quais as Pessoas com deficiência encontram ambientes de escuta, troca, oportunidades e protagonismo. Um dos exemplos mais recentes foi o lançamento, em Março deste ano, de uma coleção em homenagem ao Dia Internacional da síndrome de Down (21-Março), junto às marcas Reserva e Reserva Mini (link aqui), totalmente criada, executada e divulgada por Pessoas com esta condição (T-21). Um grupo bem diverso se juntou para elaborar frases que ocupam o lugar mais nobre da empresa: o peito de suas camisetas. Depois de quase 3 meses de encontros, 20 crianças, adolescentes e adultos de todas as regiões do Pais, homens, mulheres, brancos, negros, artistas, esportistas, cozinheiros, estudantes, massagistas – que dentre várias características, têm a síndrome de Down, elegeram estas 4 frases para estampar as peças: “inclusão é oportunidade”, “abrir o coração para o mundo”, “lutamos pelo que a gente quer” e “todo dia é dia de fazer a diferença sem perder a esperança”. O resultado ficou incrível – e como parte do impacto da ação, 100% do lucro das vendas será revertido ao Instituto Serendipidade Para saber mais, clique aqui.

Ter acompanhado de perto todo este processo fez-me ter ainda mais convicção de que o futuro que sonho para meus filhos é que possam viver numa sociedade que atribua o mesmo valor aos seus indivíduos, independente de suas características. É preciso fazer com que todos, sem exceção, participem e se sintam valorizados e respeitados, não deixando ninguém pra trás. Para isto, devemos equilibrar as 5 linguagens do amor, promovendo relacionamentos mais saudáveis e felizes, como ensina o autor americano.

E é por isto que eu fico por aqui. Hoje é Domingo e tenho meus 3 Pequenos me esperando para brincar. Vou escutar o que querem fazer e dedicar-lhes atenção plena, para que na dinâmica do próximo jantar as percepções sobre as formas de amar do Papai mudem, para melhor.

Você já pensou qual a sua linguagem do amor? E do seu companheiro? E dos seus filhos? (Foto: Getty Images)

Veja também: Vacinas salvam vidas: tudo sobre a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe

Vacina é um tema tão essencial que, pela primeira vez, a Pais&Filhos se uniu ao Ministério da Saúde e Crescer nessa causa. Estamos juntos para conscientizar a população sobre a importância da imunização contra a gripe e estimular a vacinação, com foco nos grupos prioritários.


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