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Erros que parecem acertos – Parte 1

9 pontos da educação das crianças que, como pais, precisamos observar

Erros e acertos

Não conheço nenhum pai ou mãe que queira errar na educação dos filhos. Mas conheço vários que erram por falta de conhecimento e percepção. Do mesmo modo que eu, uma educadora, cometeria uma porção de erros na edificação de um prédio ou em qualquer outra área que não estudei. Mas os filhos estão aí e mesmo sem formação dos pais eles precisam ser formados.

Observo no dia a dia vários erros que parecem acertos ou situações que são mal percebidas, pouco aproveitadas ou inibidoras de aprendizagens.

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Imagine uma mãe que cuida muito bem do seu filho ou orienta bem o cuidador para fazer o que ela faria. Entre tantas outras coisas, ela faz questão de arrumar a lancheira e a mochila do filho, cuidar da sua tarefa de casa, organizar suas coisas, fazer seu lanche, seu prato, privilegiar o que ele gosta e protegê-lo de todo o mal. Parece mesmo perfeito, mas esta mãe tão dedicada e carinhosa, sem perceber, está desprotegendo o seu filho e retardando desenvolvimentos que são fundamentais ao hoje e ao amanhã.

Irei destacar alguns pontos para você refletir, ficar de olho e rever se necessário. Dividirei em duas partes. No dia 1 de Outubro sairá a segunda parte.

Voz e vez. É muito importante que a criança participe das conversas e vá aprendendo a ter voz e vez. Mas se for o centro das atenções não terá bom desenvolvimento, pois não aprenderá a ouvir outros, a esperar a sua vez, a perceber a diversidade das opiniões, a trocar saberes e ampliar percepções. Parece ganhar, mas, no mundo real, só perde.

Comunicação. Se desmembramos a palavra encontraremos “com única ação”. Muitos pais creem que gritar e repetir vão aumentar sua autoridade. Pelo contrário, irão machucar, aumentar a raiva e o desprezo e “ensurdecer” sem chegar a lugar algum. Falar, ouvir, buscar entender, colocar-se no lugar do outro em harmonia facilita a comunicação e aumenta o vínculo emocional entre pais e filhos. Dê um basta e experimente.

Autoridade dos pais. O filho, em geral, reprova pais omissos, permissivos e autoritários, mas aprova os que têm autoridade e dão limites. Contudo, irá mostrar rebeldia e testar tal autoridade para traçar o seu referencial. Os pais devem ser confiantes, coerentes e consistentes. Não devem ceder, nem deixar que o filho mande em casa. Educar o filho é o seu papel e não o contrário.

Respeito. Também se ensina, mas não bastam palavras. O modo como os pais respeitam a si, aos outros e ao filho dirá muito de como o filho irá respeitar a si, aos outros e aos pais.

Obediência. Ao colocar limites, ordens ou advertências é importante explicar o porquê delas e quais as consequências da desobediência. E cumprí-las. Fazer vista grossa, negociar ou desistir do prometido para poupar a criança acabará com a sua autoridade, respeito, confiança e a ensinará a desobedecer.

Coerência. Os pais tendem a ser, inconscientemente, incoerentes. É preciso ficar atento ao que se diz e ao que se faz. Dizer, por exemplo, que estudar é importante e você não estuda, ou que é preciso se alimentar bem e mandar produtos industrializados na lancheira é ser incoerente. Aliás, quem já não berrou: “Não grite!!!!”?

Celulares. O celular tem deixado a criança mais ansiosa, mais insegura, menos sociável e com menos desenvolvimento de autonomia e de tomada de decisões. Ter os pais nas mãos, a hora que quiser, atrapalha tanto quanto os pais controlarem cada passo do filho. As minhas filhas ganharam celular aos dez anos, na passagem para o ensino fundamental 2. Considerei válido.

Todo mundo tem. Aposto que esta frase circula em todas as casas. Mas, como todas as crianças dizem isso, é sinal de que nem todas têm o que todo mundo tem. Ceder ao apelo é como dizer que na sua família não há princípios e valores próprios, mas sim os de uma massa. Grande oportunidade de trabalhar com a criança tais questões.

Falta de tempo. Qualidade requer sim quantidade. Picasso não virou um gênio na primeira pincelada. E a maior culpa dos pais é, em geral, a de não ter muito tempo com o filho por conta do trabalho. Todavia, o maior problema não são as horas ausentes, mas o modo como as compensam. O pouco tempo de convivência deve sim ser usado em qualidade com momentos afetuosos e de brincadeiras, mas sem deixar de educar a criança com firmeza quando necessário.

Ajudou? No próximo mês veremos mais alguns pontos a serem observados. Até lá!

Feliz setembro!

 

Pais&Filhos TV