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Erros que parecem acertos – Parte 1

Erros e acertos

Publicado em 01/09/2015, às 15h05 por Ligia Pacheco


Erros e acertos

Não conheço nenhum pai ou mãe que queira errar na educação dos filhos. Mas conheço vários que erram por falta de conhecimento e percepção. Do mesmo modo que eu, uma educadora, cometeria uma porção de erros na edificação de um prédio ou em qualquer outra área que não estudei. Mas os filhos estão aí e mesmo sem formação dos pais eles precisam ser formados.

Observo no dia a dia vários erros que parecem acertos ou situações que são mal percebidas, pouco aproveitadas ou inibidoras de aprendizagens.

Imagine uma mãe que cuida muito bem do seu filho ou orienta bem o cuidador para fazer o que ela faria. Entre tantas outras coisas, ela faz questão de arrumar a lancheira e a mochila do filho, cuidar da sua tarefa de casa, organizar suas coisas, fazer seu lanche, seu prato, privilegiar o que ele gosta e protegê-lo de todo o mal. Parece mesmo perfeito, mas esta mãe tão dedicada e carinhosa, sem perceber, está desprotegendo o seu filho e retardando desenvolvimentos que são fundamentais ao hoje e ao amanhã.

Irei destacar alguns pontos para você refletir, ficar de olho e rever se necessário. Dividirei em duas partes. No dia 1 de Outubro sairá a segunda parte.

Voz e vez. É muito importante que a criança participe das conversas e vá aprendendo a ter voz e vez. Mas se for o centro das atenções não terá bom desenvolvimento, pois não aprenderá a ouvir outros, a esperar a sua vez, a perceber a diversidade das opiniões, a trocar saberes e ampliar percepções. Parece ganhar, mas, no mundo real, só perde.

Comunicação. Se desmembramos a palavra encontraremos “com única ação”. Muitos pais creem que gritar e repetir vão aumentar sua autoridade. Pelo contrário, irão machucar, aumentar a raiva e o desprezo e “ensurdecer” sem chegar a lugar algum. Falar, ouvir, buscar entender, colocar-se no lugar do outro em harmonia facilita a comunicação e aumenta o vínculo emocional entre pais e filhos. Dê um basta e experimente.

Autoridade dos pais. O filho, em geral, reprova pais omissos, permissivos e autoritários, mas aprova os que têm autoridade e dão limites. Contudo, irá mostrar rebeldia e testar tal autoridade para traçar o seu referencial. Os pais devem ser confiantes, coerentes e consistentes. Não devem ceder, nem deixar que o filho mande em casa. Educar o filho é o seu papel e não o contrário.

Respeito. Também se ensina, mas não bastam palavras. O modo como os pais respeitam a si, aos outros e ao filho dirá muito de como o filho irá respeitar a si, aos outros e aos pais.

Obediência. Ao colocar limites, ordens ou advertências é importante explicar o porquê delas e quais as consequências da desobediência. E cumprí-las. Fazer vista grossa, negociar ou desistir do prometido para poupar a criança acabará com a sua autoridade, respeito, confiança e a ensinará a desobedecer.

Coerência. Os pais tendem a ser, inconscientemente, incoerentes. É preciso ficar atento ao que se diz e ao que se faz. Dizer, por exemplo, que estudar é importante e você não estuda, ou que é preciso se alimentar bem e mandar produtos industrializados na lancheira é ser incoerente. Aliás, quem já não berrou: “Não grite!!!!”?

Celulares. O celular tem deixado a criança mais ansiosa, mais insegura, menos sociável e com menos desenvolvimento de autonomia e de tomada de decisões. Ter os pais nas mãos, a hora que quiser, atrapalha tanto quanto os pais controlarem cada passo do filho. As minhas filhas ganharam celular aos dez anos, na passagem para o ensino fundamental 2. Considerei válido.

Todo mundo tem. Aposto que esta frase circula em todas as casas. Mas, como todas as crianças dizem isso, é sinal de que nem todas têm o que todo mundo tem. Ceder ao apelo é como dizer que na sua família não há princípios e valores próprios, mas sim os de uma massa. Grande oportunidade de trabalhar com a criança tais questões.

Falta de tempo. Qualidade requer sim quantidade. Picasso não virou um gênio na primeira pincelada. E a maior culpa dos pais é, em geral, a de não ter muito tempo com o filho por conta do trabalho. Todavia, o maior problema não são as horas ausentes, mas o modo como as compensam. O pouco tempo de convivência deve sim ser usado em qualidade com momentos afetuosos e de brincadeiras, mas sem deixar de educar a criança com firmeza quando necessário.

Ajudou? No próximo mês veremos mais alguns pontos a serem observados. Até lá!

Feliz setembro!


Palavras-chave
Desenvolvimento

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