Bebês

É gripe ou resfriado?

Os sintomas são bem parecidos. Por isso, é importante ficar atento e saber diferenciar

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

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Quando o frio aparece, logo surgem as crianças com nariz escorrendo, tosse seca, dor de cabeça, mal-estar, febre… O diagnóstico é quase automático: “É gripe” ou “é resfriado”. Ok, mas qual? Quando se trata de criança com menos de 1 ano, fica mais difícil ainda diferenciar. A gente dá as pistas para você se localizar.

Resfriados são mais comuns, ocorrem durante o ano todo e apresentam um quadro clínico bem leve e curto. Ver uma criança resfriada assusta; a obstrução nasal é tão nítida que dá a impressão de que é alguma coisa mais séria. Mas, na real, não vai muito além disso: coriza, dor de garganta e, eventualmente, febre. Em cinco ou seis dias, tudo volta ao normal.

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Já a gripe é mais poderosa e deve ser motivo de preocupação, porque, quando não tratada, pode evoluir para complicações mais sérias, como sinusite, infecção de ouvido e pneumonia. O quadro da doença é muito mais intenso e violento que o do resfriado. Geralmente, tem início abrupto, com febre alta, mal-estar, dor de cabeça e também sintomas respiratórios, como dor de garganta, tosse seca, o pacote todo. Derruba mesmo.

Nos muito pequenos, os sintomas não são tão típicos. Às vezes, a doença se manifesta por diarreia, vômito e, só depois, pelos sintomas respiratórios. Causada pelo vírus Influenza, a gripe ocorre mais frequentemente durante os meses frios do ano. Nessa época, o número de hospitalizações de crianças chega a aumentar 50%. Pneumonia, então, tem um aumento de até 78% de casos! Estima-se que, anualmente, 10% da população apresentem um episódio de gripe, e 1,5 milhão de pessoas morram por causa de complicações geradas por ela. As crianças, é claro, estão mais suscetíveis: elas têm três vezes mais chances de pegar gripe.

Isso ocorre porque os pequenos têm menos tempo de exposição ao vírus e, por isso, menor imunidade natural. A ocorrência da gripe em famílias onde há uma criança em fase escolar é o dobro do que naquelas em que não há crianças na escola ou creche. “A criança vai para a escola, contrai o vírus e dissemina para sua família. Ela é o elo epidemiológico da doença”, explica o Dr. Calil Kairalla Fahrat, pai de Leda, Flávia e Helena, professor de Pediatria da Unifesp.

Como o resfriado é mais leve, geralmente só os sintomas são tratados. Cuidar de coriza, nariz congestionado, dor de garganta, para aliviar o desconforto todo que o resfriado causa. Fora isso, é só esperar o vírus ir embora – não tem muito o que fazer além de dar tempo ao tempo.

Quanto à gripe, o importante é iniciar o tratamento nas primeiras 48 horas – depois disso, o benefício é reduzido. Há dois tipos de tratamento: os para aliviar sintomas (com antitérmicos, xarope etc.) e os específicos, que atacam o vírus da gripe, os antivirais. Há pouco tempo a Anvisa aprovou um medicamento, para crianças a partir de 1 ano de idade, que ataca o vírus da gripe diretamente, destruindo-o. Nunca é demais repetir: só dê medicação com orientação médica. E ligue para o pediatra, sempre.

O maior erro é dar antibiótico sem necessidade. Antibióticos são usados para matar bactérias e, por isso, não funcionam contra infecções virais, tipo gripe e resfriado. Além disso, seu uso inapropriado contribui para que o organismo crie resistência. Ou seja: na hora em que seu filho precisar de verdade, ele não será eficaz. As receitas caseiras podem ajudar, sim, como auxiliares. Para hidratar, os chás são uma boa, assim como o mel, que abranda a tosse seca. O importante é o pequeno se sentir bem.

Como prevenir

  • Vacine: a vacina antigripe é recomendada para todas as crianças menores de 5 anos, a partir de 6 meses de idade.
  • Mantenha-a longe dos doentes: limite o contato da criança com pessoas gripadas e resfriadas e evite ambientes fechados, sem circulação de ar.
  • Lave as mãos: muitas vezes, o vírus é transmitido por contato indireto. Só espirrar na mão e, em seguida, tocar em algum objeto já é suficiente para contaminá-lo.
  • Use lenço: cobrir a boca ou o nariz com lenço quando tossir ou espirrar evita que os germes fiquem grudados nas mãos.

Remediar

  • Hidrate: muita água! Com febre, transpira-se mais. Essa perda de fluidos do organismo pode causar desidratação.
  • Recorra ao banho: banhos prolongados, com água morna, ajudam a diminuir a febre e aliviar o desconforto.
  • Faça inalação: inalação de vapor, com um punhado de sálvia fresca ou desidratada ou hortelã, ajuda a expectorar.
  • Limpe o nariz: lave o nariz com soro fisiológico morno, pondo 1 ou 2 gotas de solução de própolis alcoólica a 5% em 60 ml de soro. Ajuda a expulsar o catarro. A inalação pode ser feita 3 a 4 vezes ao dia.

Consultoria

Ana Maria Venturi Vasen, pediatra homeopata, mãe de Arthur e Raphael, tel.: (11) 3826-6205  Calil Kairalla Fahrat, professor de pediatria da Unifesp  Otávio Augusto Leite Cintra, pai de Rachel, Guilherme e Luís, infectologista pediátrico e médico assistente do HC de Ribeirão Preto/USP, TEL.: (16) 3625-1535