Bebês

Como preparar emocionalmente a criança para a vacina?

A psicoterapeuta familiar Quézia Bombonatto mostra alguns caminhos para conversar sobre a gotinha e a hora da vacinação

Redação Pais&Filhos

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O Ministério da Saúde está fazendo sua campanha anual para vacinar as crianças de 6 meses a 5 anos incompletos. E, só em falar sobre “vacina”, muitos pais se arrepiam.

Acredite, essa é mais uma das várias coisas que doem mais em você do que nele. Até porque não tem escolha: vacinar é preciso e pronto. Conversamos com a psicoterapeuta familiar Quézia Bombonatto, mãe de Rodrigo, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia, para saber como agir para que o filho (e você) fique bem tranquilo na hora da gotinha.

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Não exagere na antecedência

Não comece a preparar a criança muito antes. Não faz sentido. “Chegue para a criança no dia da vacinação e fale: ‘a mamãe vai te levar para tomar a gotinha, é importante, ela vai cuidar de você, da sua saúde’”, aconselha Quézia. “É importante que você explique o que vai ser feito, sem drama. Diga que é uma gotinha e explique que a vacina ajuda a evitar que ele fique doente. Seja firme, mas muito carinhoso, sempre. “A criança precisa se sentir protegida”.

 

E se as outras crianças chorarem?

Os pequenos se ficam assustados ao chegar ao local da vacinação e deparar com outras crianças chorando ou gritando. Caso isso aconteça (e é provável que vá acontecer), explique ao seu filho que as outras crianças estão chorando pois, talvez, suas mães não tenham contado que é rápido. Mostre tranqüilidade.

 

Controlando a birra

Se seu filho costuma fazer birra, muna-se de espírito de renúncia: é provável que ele vá fazer neste momento também. Mais uma vez demonstre carinho, mas tenha pulso firme. Segundo a especialista, é muito importante que o adulto acolha a criança e que fale olhos nos olhos. Nunca ameace. “Os pais podem pegar a criança e, com muita calma, explicar o que vai acontecer. Olhe para ela e diga: ‘é importante pra você não ficar doente e, por isso, você vai fazer. Vamos respeitar as pessoas que estão na fila esperando. Não vamos demorar’”. É preciso também acalmar a criança com carinho: “A mamãe vai segurar seu bracinho e você vai ver que passa rápido”.

 

Não sofra. A vacina é o melhor para o seu filho.

O grande problema é quando a mãe sofre pelos filhos. “Elas pensam: ‘Ah, mas ele é tão pequenininho’, e a criança vai sentir isso – e ficar tensa, claro”, diz Quézia. Segure sua onda. É essencial ficar firme e não passar esse sentimento de medo. Se a mãe está tranqüila, passa tranquilidade, e a criança não vai fazer ‘show’.

 

Presentinho depois, sim ou não?

Quanto a dar alguma recompensa depois, isso vai depender dos pais e da filosofia da família. “Não acho necessário, mas, se você prometeu um agrado – um lanche, um passeio, faça”, afirma Quézia. E não adianta só o presentinho se não vier acompanhado de um abraço, um beijo. Não tem agrado melhor. A criança vai se sentir protegida e amada.  

 

É preciso conversar sempre?

A resposta é sim. No dia da vacinação, conte à criança que ela está indo tomar vacina e novamente, retome a conversa. Diga que será igualzinho da outra vez. O mais importante é que a criança não sofra por antecipação. “Você pode sentar com a criança e perguntar se ela se lembra da importância daquele momento para a saúde e de como tudo é rápido e simples”, finaliza Quézia Bombonatto.

 

Consultoria: Quézia Bombonatto, mãe do Rodrigo, Diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia e Psicoterapeuta familiar