Recém-Nascido

Pai-canguru é tudo de bom!

O método canguru não é exclusivo de mães, não! O pai também pode acolher o filho com o calor de seu corpo

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Fernanda nasceu fraquinha, menor do quedeveria para sua idade gestacional. Elaveio ao mundo pesando 890g, com 32semanas de gestação. Precisou de cuidadosintensos, indo direto pra UTI Neonatal daMaternidade Neomater, em São Paulo, onde ficoupor 89 dias. Desde então, o pai, o funcionáriopúblico Fernando Lobato, passou a praticamentemorar no hospital. Voltava pra casa pra tomarbanho e dormir. E só. Foi tirando férias, licença,tudo o que estava ao seu alcance pra ficar pertode sua filha. E perto é perto mesmo, pele a pele,o jeito mais próximo que poderia naquela situação:ele foi um pai-canguru, numa adaptação dofamoso Método Canguru, criado para que as mãesde bebês prematuros fiquem junto aos filhosenquanto eles ganham peso.

O método pode ser usado desde que a criançatenha estabilidade para ir ao colo, e a mãe – ouo pai – tenha condições psicológicas de encarar oprocesso. Esse contato traz inúmeros ganhos nodesenvolvimento do bebê, refletindo na recuperação.Sem contar que fortalece o vínculo afetivoentre mãe e filho. Ou pai e filho, claro.

Anúncio

FECHAR

Na Unidade Neonatal do Hospital AlbertEinstein, por exemplo, desde que o método foiimplantado, há mais de dez anos, o pai já tinhalivre acesso pra ficar com seus pequenos, domesmo jeito que acontece com as mães: ele vesteum avental e aconchega o bebê em seu peito,embrulhado no avental, na posição vertical.

Claro que nem sempre os pais conseguem ficartanto com os filhos como as mães, já que a licençaé curtinha, e a maioria tem de trabalhar.

Mas, sempre que dá, os bebês agradecem.Segundo Maria Beatriz Linhares, professora doutorado Departamento de Neurologia, Psiquiatriae Psicologia Médica da Faculdade de Medicina deRibeirão Preto da USP, quanto mais o pai é envolvidoe sensível no cuidado ao bebê, mais indicadorespositivos podem ser percebidos no desenvolvimentoda criança. Fernando conta que, hoje, suafilha, que já está com 2 anos, é muito mais apegadaa ele do que foi seu primeiro filho, Felipe. “Quandoestou em casa, é comigo que ela quer ficar, tomarbanho, dormir… Somos um grude”, diz.

Com isso, a mãe também acaba ganhando, porque o pai compartilha tarefas e cuidados. O método canguro pode ser cansativo pra mãe ete o suporte do pai nessa hora pode contribuir para que ela se alimtne melhor, desncase mais e não perca o pique.

Roger Brock, médico neonatologista responsávelpelo setor de Neonatal da Maternidade Neomater –e médico que cuidou da Fernanda quando nasceu–, diz que os pais têm participado cada vez mais doacompanhamento da criança. E a gente espera queeles se tornem cada vez mais “cangurus”, mesmo.Nosso pai-canguru Fernando conta que, assim, asduas partes ficam tranqüilas. O bebê, que reagebem melhor aos procedimentos doloridos, como ainjeção, por exemplo; e os pais, que ficam seguroscom seus filhos nos braços. “Hoje Fernanda estábem, é muito apegada à família. Sou muito agradecidopor todo o cuidado que o Dr. Roger teve comminha filha. Ela não poderia estar em melhoresmãos”, conclui Fernando.

Consultoria:

Alice Deutsch, mãe de Fernanda e Flávia, coordenadora médica da unidade neonatal do Hospital Israelita Albert Einstein; Maria Beatriz Martins Linhares, mãe de João paulo, Luis Felipe e Maria Fernanda, professora doutura do depto. de neurologia, psiquiatria e psicologiamédica da Faculdade de Medicina de Riberião preto – USP; Roger Brock, pai de Romy, Roger e Ryane, médico neonatologista e responsável pelo setor de neonatal do Hospital e Maternidade Neomater  AGRADECIMENTO: FERNANDO LOBATO, PAI DE FERNANDA, MURILO E FELIPE